Secretaria Especial de Comunicação
Emei Clara Nunes conscientiza crianças a cuidarem do meio ambiente
Os alunos do Emei, localizado no bairro do Socorro, realizam atividades de plantio de alface, beterraba, cenoura, entre outros, além de aprenderem a usar a coleta seletiva. Assim, eles adquirem consciência ambiental e ensinam aos pais.
Enquanto a terra era preparada, eles corriam e pulavam pela área da horta com toda a energia que as crianças têm aos cinco anos. Quando perceberam que a professora segurava a caixa cheia de brotinhos de alface, começou a corrida para ver quem conseguia pegar o seu primeiro.
As mãos que seguram as mudas são pequenas, mas a pressa é de gente grande. A agitação aumenta quando, sob olhares ansiosos, a professora abre buracos para fazer o plantio e explica que cada broto vai se desenvolver e complementará a alimentação dos alunos. "Agora é minha vez, tia?", perguntam várias crianças ao mesmo tempo, mal conseguindo esperar que os colegas cubram a mudinha que colocam cuidadosamente na terra.
Parece brincadeira, mas esta é apenas uma das atividades que a Emei Clara Nunes, no bairro do Socorro, Zona Sul de São Paulo, realiza com seus alunos para ensinar a importância de cuidar do meio ambiente e o que cada um pode fazer para que todos tenham um futuro melhor. "Nós temos de começar a conscientização ambiental na faixa etária com a qual nós trabalhamos, pois nessa idade as crianças mobilizam e incentivam muito a mudança de postura dos pais", explica a diretora da escola, Nanci Venâncio, que está há 22 anos na unidade.
A conscientização ambiental sempre foi uma preocupação para Nanci. Percebe-se o foco de seu trabalho ao chegar à escola. Os muros têm desenhos de árvores, flores, pessoas cuidando da natureza e outras figuras que ilustram atitudes positivas em relação ao meio ambiente. O mais interessante dessa pintura, entretanto, é o fato de ela ser feita pelos pais, com a ajuda das crianças.
Uma vez por ano, a Emei agenda um sábado e faz um evento para que toda a comunidade possa acompanhar a pintura. "Um ano fazemos a parte externa dos muros. No ano seguinte, é feita a pintura interna. Pais e filhos passam o dia pintando e é muito bom, pois traz os pais para dentro da escola de forma divertida", revela Nanci, que, com essa iniciativa, acredita que incentiva a comunidade a preservar a escola.
Os pais dos alunos também aprovam a iniciativa. "É um trabalho muito gratificante. Todos os pais participam e cada um tem uma idéia diferente. Alguns fazem o contorno e os filhos pintam os desenhos da forma como acham melhor. Este ano vamos pintar a parte interna e, se for como ano passado, o pai que chegar tarde não vai achar espaço vago para pintar, pois todo mundo abraça a idéia!", conta Valdir Amaro da Silva, pai de Vinícius, que estuda há dois anos na Clara Nunes.
Cenoura e beterraba
Na horta, todos os alunos escolhem as sementes que plantarão. Cenoura e beterraba são os prediletos da criançada, mas nabo e alface também são bastante escolhidos. Após o nascimento dos brotinhos, eles replantam um a um no canteiro, onde acompanham tudo, do crescimento à colheita. Depois, saboreiam o que colheram durante as refeições que fazem na escola. Frutas colhidas na própria escola também são usadas em sucos naturais ou para complementar a alimentação das crianças.
Tudo é reaproveitado na Emei
A horta da Emei Clara Nunes ganha mais força e o reaproveitamento é ainda mais eficaz com o adubo feito na própria escola, por meio de compostagem doméstica. Cascas de ovos, cascas de frutas e vegetais e folhas são depositados por alunos e funcionários em um balde grande (com tampa e um tubo por onde saem os gases), onde ficam por cerca de 60 dias. O resultado, misturado à terra, é um adubo 100% natural.
Entusiasmada com o assunto, Nanci tinha o sonho de criar um projeto consistente, que fizesse a diferença. Após participar do seminário "Menos Lixo Mais Vida", realizado pelo Limpurb, em parceria com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), a diretora foi convidada a participar de um curso de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, na cidade de Osaka, no Japão, por 15 dias.
"Essa viagem foi uma verdadeira imersão no que diz respeito a projetos de preservação e cuidados com meio ambiente. Voltei com muita energia. Tudo que eu via, já pensava como poderia colocar em prática aqui na escola", conta Nanci.
A diretora já sabia o que fazer, mas era impossível trabalhar sozinha. Sua primeira atitude foi levar toda a equipe da Emei para conhecer a Cooperativa de Coleta Seletiva da Capela do Socorro (Coopercaps), que é a central de triagem mais próxima da unidade. No mesmo dia, foi firmada a parceria e hoje a cooperativa é responsável pelo recolhimento, separação e prensagem do material reciclável coletado na unidade.
A chance de unir a coleta seletiva e a geração de renda para pessoas da região onde a Emei Clara Nunes está situada foi exatamente o que Nanci esperava. "Em Osaka, durante o curso, percebi que as escolas não atrelam o trabalho educativo com a questão da geração de lucro", conta ela. Destinar o material para a central de triagem gera renda para os trabalhadores da cooperativa que, em muitos casos, estavam desempregados e agora dividem o lucro que obtêm. Na visão da educadora, este também é um papel social importante exercido pela escola.
No começo, era feita apenas a coleta seletiva de papel e plástico. "Não dava para fazer tudo de uma vez. Aos poucos fomos ampliando o projeto. Atualmente, recebemos todos os materiais, inclusive pilhas e baterias", explica. Muitos alunos que não têm coleta seletiva onde moram levam os recicláveis para a escola.
Ensinando os pais
Em casa, as crianças não só colocam em prática o que aprendem como também colaboram com o foco do trabalho da Emei, que é mudar a cabeça dos pais. "Meu filho fala sempre que tenho que separar a garrafa de refrigerante, da latinha de chocolate e da comida. Ele me cobra muito e traz muitas idéias para casa", diz Valdir Amaro da Silva.
Para Adriana Antonio, mãe de Marcel, que estuda na unidade há três anos, a iniciativa da escola é muito positiva. "A coleta seletiva já é parte de nosso dia-a-dia. Aqui em casa Marcel não joga nem papel de bala no lugar errado. Está sempre atento para a coleta seletiva", completa.
Trabalhos em classe e lembrancinhas feitas pelas crianças em datas especiais focam o reaproveitamento. Durante o ano todo, são realizadas oficinas nas quais os pais fazem cartões e embalagens com materiais reaproveitados e aprendem maneiras de reutilizar alguns itens.
Um exemplo é a fabricação de sabão em pedra com óleo de cozinha usado. Hoje, todo o sabão usado na limpeza da unidade é feito com a receita.
"Conscientizar o adulto é difícil, mas esses alunos da Emei Clara Nunes crescerão com a idéia de que a consciência é o princípio básico para um mundo melhor. Fico feliz por Vinícius vivenciar isso", revela Valdir.
As mãos que seguram as mudas são pequenas, mas a pressa é de gente grande. A agitação aumenta quando, sob olhares ansiosos, a professora abre buracos para fazer o plantio e explica que cada broto vai se desenvolver e complementará a alimentação dos alunos. "Agora é minha vez, tia?", perguntam várias crianças ao mesmo tempo, mal conseguindo esperar que os colegas cubram a mudinha que colocam cuidadosamente na terra.
Parece brincadeira, mas esta é apenas uma das atividades que a Emei Clara Nunes, no bairro do Socorro, Zona Sul de São Paulo, realiza com seus alunos para ensinar a importância de cuidar do meio ambiente e o que cada um pode fazer para que todos tenham um futuro melhor. "Nós temos de começar a conscientização ambiental na faixa etária com a qual nós trabalhamos, pois nessa idade as crianças mobilizam e incentivam muito a mudança de postura dos pais", explica a diretora da escola, Nanci Venâncio, que está há 22 anos na unidade.
A conscientização ambiental sempre foi uma preocupação para Nanci. Percebe-se o foco de seu trabalho ao chegar à escola. Os muros têm desenhos de árvores, flores, pessoas cuidando da natureza e outras figuras que ilustram atitudes positivas em relação ao meio ambiente. O mais interessante dessa pintura, entretanto, é o fato de ela ser feita pelos pais, com a ajuda das crianças.
Uma vez por ano, a Emei agenda um sábado e faz um evento para que toda a comunidade possa acompanhar a pintura. "Um ano fazemos a parte externa dos muros. No ano seguinte, é feita a pintura interna. Pais e filhos passam o dia pintando e é muito bom, pois traz os pais para dentro da escola de forma divertida", revela Nanci, que, com essa iniciativa, acredita que incentiva a comunidade a preservar a escola.
Os pais dos alunos também aprovam a iniciativa. "É um trabalho muito gratificante. Todos os pais participam e cada um tem uma idéia diferente. Alguns fazem o contorno e os filhos pintam os desenhos da forma como acham melhor. Este ano vamos pintar a parte interna e, se for como ano passado, o pai que chegar tarde não vai achar espaço vago para pintar, pois todo mundo abraça a idéia!", conta Valdir Amaro da Silva, pai de Vinícius, que estuda há dois anos na Clara Nunes.
Cenoura e beterraba
Na horta, todos os alunos escolhem as sementes que plantarão. Cenoura e beterraba são os prediletos da criançada, mas nabo e alface também são bastante escolhidos. Após o nascimento dos brotinhos, eles replantam um a um no canteiro, onde acompanham tudo, do crescimento à colheita. Depois, saboreiam o que colheram durante as refeições que fazem na escola. Frutas colhidas na própria escola também são usadas em sucos naturais ou para complementar a alimentação das crianças.
Tudo é reaproveitado na Emei
A horta da Emei Clara Nunes ganha mais força e o reaproveitamento é ainda mais eficaz com o adubo feito na própria escola, por meio de compostagem doméstica. Cascas de ovos, cascas de frutas e vegetais e folhas são depositados por alunos e funcionários em um balde grande (com tampa e um tubo por onde saem os gases), onde ficam por cerca de 60 dias. O resultado, misturado à terra, é um adubo 100% natural.
Entusiasmada com o assunto, Nanci tinha o sonho de criar um projeto consistente, que fizesse a diferença. Após participar do seminário "Menos Lixo Mais Vida", realizado pelo Limpurb, em parceria com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), a diretora foi convidada a participar de um curso de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, na cidade de Osaka, no Japão, por 15 dias.
"Essa viagem foi uma verdadeira imersão no que diz respeito a projetos de preservação e cuidados com meio ambiente. Voltei com muita energia. Tudo que eu via, já pensava como poderia colocar em prática aqui na escola", conta Nanci.
A diretora já sabia o que fazer, mas era impossível trabalhar sozinha. Sua primeira atitude foi levar toda a equipe da Emei para conhecer a Cooperativa de Coleta Seletiva da Capela do Socorro (Coopercaps), que é a central de triagem mais próxima da unidade. No mesmo dia, foi firmada a parceria e hoje a cooperativa é responsável pelo recolhimento, separação e prensagem do material reciclável coletado na unidade.
A chance de unir a coleta seletiva e a geração de renda para pessoas da região onde a Emei Clara Nunes está situada foi exatamente o que Nanci esperava. "Em Osaka, durante o curso, percebi que as escolas não atrelam o trabalho educativo com a questão da geração de lucro", conta ela. Destinar o material para a central de triagem gera renda para os trabalhadores da cooperativa que, em muitos casos, estavam desempregados e agora dividem o lucro que obtêm. Na visão da educadora, este também é um papel social importante exercido pela escola.
No começo, era feita apenas a coleta seletiva de papel e plástico. "Não dava para fazer tudo de uma vez. Aos poucos fomos ampliando o projeto. Atualmente, recebemos todos os materiais, inclusive pilhas e baterias", explica. Muitos alunos que não têm coleta seletiva onde moram levam os recicláveis para a escola.
Ensinando os pais
Em casa, as crianças não só colocam em prática o que aprendem como também colaboram com o foco do trabalho da Emei, que é mudar a cabeça dos pais. "Meu filho fala sempre que tenho que separar a garrafa de refrigerante, da latinha de chocolate e da comida. Ele me cobra muito e traz muitas idéias para casa", diz Valdir Amaro da Silva.
Para Adriana Antonio, mãe de Marcel, que estuda na unidade há três anos, a iniciativa da escola é muito positiva. "A coleta seletiva já é parte de nosso dia-a-dia. Aqui em casa Marcel não joga nem papel de bala no lugar errado. Está sempre atento para a coleta seletiva", completa.
Trabalhos em classe e lembrancinhas feitas pelas crianças em datas especiais focam o reaproveitamento. Durante o ano todo, são realizadas oficinas nas quais os pais fazem cartões e embalagens com materiais reaproveitados e aprendem maneiras de reutilizar alguns itens.
Um exemplo é a fabricação de sabão em pedra com óleo de cozinha usado. Hoje, todo o sabão usado na limpeza da unidade é feito com a receita.
"Conscientizar o adulto é difícil, mas esses alunos da Emei Clara Nunes crescerão com a idéia de que a consciência é o princípio básico para um mundo melhor. Fico feliz por Vinícius vivenciar isso", revela Valdir.
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