Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa

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Conversa: O circo modernista de Jorge de Lima

Relações entre palavra e imagem na produção do autor modernista são tema de conversa com professor de literatura da USP

Na quarta do dia 8 Simone Rodrigues, curadora da exposição "O circo modernista de Jorge de Lima", recebe na Biblioteca para um bate-papo o professor da USP e crítico literário Fábio de Souza Andrade, especialista no autor. Entre outros assuntos, a conversa abordará as relações entre a obra literária e visual de Jorge de Lima. Não é necessário se inscrever para participar.

Lembramos que a mostra fica na Mário até 12 de junho e a visitação ocorre todos os dias, das 10 às 18h.

Jorge de Lima (1893 - 1953) é o escritor fascinante de clássicos como “Invenção de Orfeu” (1952), tido como um dos maiores poemas da língua portuguesa. Em sua escrita, uniu o regional ao universal e o clássico ao moderno, investigando inúmeros temas e formas poéticas.

O que poucos sabem é que essa busca o aproximou também de outras artes, fazendo dele um pioneiro da fotografia artística no país. Ao longo da década de 1930, o autor realizou diversas fotomontagens publicadas em revistas como “O Cruzeiro”, algumas das quais dariam origem ao livro “A pintura em pânico” (1943), apresentado pelo poeta Murilo Mendes, seu amigo e interlocutor.

Nas imagens recuperadas pela exposição, observamos o poeta se valer de fotografias e ilustrações de jornais, revistas e material publicitário para criar composições que a curadora Simone Rodrigues situa “entre o absurdo e o verossímil”. Unidas por uma atmosfera surrealista, as fotomontagens são influenciadas pelo trabalho do pintor e escritor Max Ernst (1891-1976), cujo romance em colagens “A mulher 100 cabeças” (1929) marcou profundamente o autor.

A redescoberta das imagens desse poeta no centenário da Semana de Arte Moderna tem um sabor especial. Para além de reavivar o universo criativo de um autor menos conhecido pelo público, a exposição traz a arte da fotografia ao primeiro plano, esta que foi uma das formas artísticas deixadas de lado pela vanguarda de 22. Entretanto, as imagens também encontram o caminho de volta para o poético, afinal, como declarou o próprio Jorge de Lima, “todas as artes são apenas veículos para a poesia”.

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