Subprefeitura Itaquera

Exibindo 1 para 1 de 1
Segunda-feira, 20 de Maio de 2013 | Horário: 09:19
Compartilhe:

Movimento Antimanicomial reúne-se na Subprefeitura Itaquera

Agentes dos CAPS, Cecco Raul Seixas e Residência Terapêutica de Itaquera realizam encontro por uma sociedade sem hospícios

A Subprefeitura Itaquera acolheu na sexta-feira, 17/5, entidades da região que lutam pelo fortalecimento da intersetorialidade na saúde mental e por uma sociedade sem manicômios. O encontro reuniu mais de 150 trabalhadores, usuários, familiares e funcionários dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) da região, Centro de Convivência e Cooperativa (Cecco) Raul Seixas e Residência Terapêutica de Itaquera. 

Conforme o Supervisor Técnico de Saúde de Itaquera e interlocutores da Saúde Mental da região, a luta deve ser expandida para outros setores a exemplo do Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS) e poder judiciário. De acordo com Cunha, o Prefeito Haddad já comunicou a abertura de concurso público para selecionar profissionais da saúde ligados a todas as categorias. 

O evento reuniu representantes de Unidades Básicas de Saúde, da Obra Social Dom Bosco, Associação Nosso Sonho, Instituto Cidadania Terceiro Milênio, Fórum Popular de Saúde Mental, entre outros. A coordenadora do serviço de Residência Terapêutica de Itaquera, Maisa Gomes da Silva Pardo, apresentou a evolução no tratamento das doenças mentais: dos manicômios, que impunham o isolamento e exclusão social, medicação e regras rígidas à assistência psicossocial, que visa a singularidade, inclusão e uso de diferentes recursos na recuperação, como: os artísticos, culturais e esportivos. Lembrou que em 2001, foi sancionada a lei federal 10.216 que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais, redirecionando o modelo assistencial em saúde mental. 

Durante o encontro apresentou-se o resultado dos trabalhos desenvolvidos nas unidades terapêuticas. No hall, divulgou-se as peças produzidas nas oficinas de artesanato. No palco, subiu o coral Esperança, do Cecco, interpretando as canções Eu canto e Amigos, e o grupo de samba do CAPS Álcool e Drogas de Itaquera. O bloco de Maracatu, do Instituto Terceiro Milênio, animou a caminhada realizada da sede da Subprefeitura até o terminal de ônibus no centro de Itaquera. Durante a passeata, os participantes distribuíram à população o documento abaixo. 

 

18 de maio, dia de luta por uma sociedade sem manicômios

A luta antimanicomial no Brasil teve início por volta dos anos 70, quando trabalhadores das áreas da saúde, familiares e as próprias pessoas consideradas loucas, passaram a questionar o modelo de atendimento prestado. Em 1987, em um congresso de trabalhadores na cidade de Bauru, foi fundado o Movimento da Luta Antimanicomial, com o lema Por uma sociedade sem manicômios. Aos poucos, os manicômios foram sendo substituídos por serviços mais dignos. Erroneamente, muitos pensam que o único jeito de tratar alguém que passa por algum tipo de sofrimento mental é a internação, o isolamento.

O tratamento deve ser realizado como outro problema de saúde, junto à comunidade, à família, nos postos de saúde, em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), em Centros de Convivência e utilizar a internação apenas quando necessária. Estes serviços devem ser localizados no território onde as pessoas moram. Mas, apesar de muitas conquistas, ainda é preciso criar mais serviços, contratar mais profissionais para melhorar a qualidade do atendimento. Os serviços são públicos e pertencem ao Sistema Único de Saúde (SUS). Vale ressaltar que qualquer pessoa pode passar por algum tipo de sofrimento mental em algum momento da vida.

O que são os CAPS - Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) seguem a Política Nacional de Saúde Mental e oferecem atenção multidisciplinar incluindo tratamento médico e terapêutico para pessoas com transtornos mentais graves. Estes equipamentos compõem a rede de atenção de saúde mental substitutiva ao modelo asilar e manicomial. O atendimento psicossocial interdisciplinar desenvolvido com os pacientes visa a reinserção social pelo acesso ao trabalho, escola, lazer, cultura, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários. 

O serviço evita internações recorrentes e promove tratamento humanizado e efetivo, fortalecendo o vínculo entre o paciente e a família. O CAPS atende em três modalidades: intensivo, em que o paciente frequenta a unidade pelo menos três vezes na semana; semi-intensivo, com uma ou duas visitas na semana; e não-intensivo, com a frequência de uma a três vezes ao mês. 

O CAPS Infantil atende crianças e adolescentes, entre 0 e 18 anos, com transtorno mental grave e persistente. É oferecido acompanhamento individual, atendimento em grupos, oficinas terapêuticas, visitas domiciliares, suporte à família e atividades comunitárias. 

O CAPSad (Álcool e Drogas) é um serviço especializado em saúde mental que atende pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de álcool e outras drogas. É um serviço ambulatorial territorializado que integra uma rede de atenção substitutiva à internação psiquiátrica, que tem como princípio básico a inserção social. 

Cecco - O Centro de Convivência e Cooperativa (Cecco) é um órgão ligado à Secretaria Municipal da Saúde. São espaços de convívio destinados à reinserção social dos pacientes. As unidades têm terapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos, assistentes sociais e educadores de saúde. Os serviços oferecidos vão de oficinas a atividades coletivas com o objetivo de estimular o convívio, a troca de experiências e a interação entre as pessoas. 

Residências Terapêuticas  - As Residências Terapêuticas (RTs) dão nova vida a quem saiu de hospitais psiquiátricos. São oferecidas a pessoas que perderam o vínculo com a sociedade e com seus parentes, depois de passar por um longo período de internação. Cada unidade funciona como lar para oito pacientes. Existem RTs masculinas, mistas e femininas.

Elas não lembram os ambientes dos hospitais, com corredores brancos e macas. São moradias comuns, com sofás, televisão, cozinha, jardim e até computador, que recebem pacientes que saíram de internações psiquiátricas e, em virtude da longa permanência, perderam vínculos com a sociedade e com os familiares. As RTs são uma pequena forma de resgatar a dignidade e a cidadania de pessoas condenadas a uma vida de exclusão. 

Saiba os endereços dos CAPs da região 

CAPS AD II ITAQUERA - Rua Corre Corre, 30 A / Fone: 3756-3011

CAPS Adulto II ITAQUERA  - Rua Porto Xavier, 57 / Fones: 2079-6388 / 2205-6382 

CAPS Infantil II CIDADE LIDER - Rua Aquino Fonseca, 117 / Fone: 2742-7368 

CAPS Infantil II ITAQUERA - Rua Bernadino Prudente, 86  / Fones: 2521-1162 / 2523-2477

 

collections
Galeria de imagens