Terça-feira, 1 de Setembro de 2026 | Horário: 12:00
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El Niño reforça alerta para prevenção de arboviroses e exige atenção redobrada aos criadouros de mosquito

Fenômeno climático pode alterar o regime de chuvas e temperaturas e favorecer a proliferação do Aedes aegypti; Saúde mantém ações permanentes de vigilância e combate ao mosquito
A imagem mostra uma profissional da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo busca criadouros do mosquito Aedes aegypti em vasos de plantas em uma casa. Ela veste uniforme verde e azul com faixas refletivas e identificação da Prefeitura de São Paulo. A profissional está de perfil, diante de uma janela gradeada, aparentemente cuidando ou observando vasos de plantas dispostos sobre um muro azul. Ao lado, há uma estante vermelha com diversos vasos de plantas menores. O local apresenta paredes simples e sinais de desgaste, caracterizando o espaço de uma residência. A cena transmite a ideia de visita domiciliar e orientação relacionada à saúde e ao cuidado com o ambiente.

Profissional da SMS verifica vasos de plantas em busca criadouros do mosquito Aedes aegypti em uma casa (Acervo/SMS)

O fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal de uma grande área do Oceano Pacífico próximo da linha do Equador, pode provocar alterações do clima e das temperaturas, e na circulação dos ventos em diferentes regiões do planeta. No Brasil, essas mudanças climáticas podem favorecer a proliferação de mosquitos como o Aedes aegypti e, consequentemente, aumentar o risco de transmissão de arboviroses como dengue e chikungunya. Por isso, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) reforça a importância de manter os cuidados contra o mosquito durante todo o ano.

As últimas ocorrências de intensidade moderada a forte do fenômeno foram nos períodos de 2015/2016 e 2023/2024, quando o Brasil também enfrentou importantes epidemias de arboviroses, especialmente a dengue. Este ano, o aumento previsto das temperaturas e das chuvas pode ampliar os ambientes favoráveis ao desenvolvimento do mosquito e acelerar seu ciclo de vida. 

Dengue e chikungunya são infecções virais transmitidas principalmente pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. A dengue pode causar febre alta, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, dor atrás dos olhos, náuseas e manchas vermelhas na pele. Em alguns casos, pode evoluir para formas graves. Já a chikungunya costuma provocar febre de início súbito e dores intensas nas articulações, que podem persistir por semanas ou até meses. O Aedes aegypti também é transmissor do vírus Zika.

Para se reproduzir, a fêmea do mosquito deposita seus ovos em recipientes que acumulam água. Isso significa que objetos aparentemente pequenos podem se transformar em criadouros, como vasos de plantas, garrafas, pneus, calhas, ralos, recipientes de animais e outros materiais expostos à chuva.

Prevenção começa nas residências
Cerca de 80% dos criadouros do mosquito estão nas residências, o que torna a participação da população fundamental para interromper o ciclo de reprodução do Aedes aegypti, e a prevenção começa dentro de casa. “A informação e a conscientização são nossas primeiras ferramentas para combater a disseminação da dengue”, destaca o secretário municipal da Saúde, Luiz Carlos Zamarco.

A recomendação é reservar alguns minutos por semana para fazer uma vistoria na residência e no quintal, eliminando qualquer recipiente que possa acumular água. É importante manter a caixa-d’água fechada, limpar calhas e bandejas de ar-condicionado e da geladeira, colocar areia nos pratos de plantas, manter ralos tampados e vasos sanitários fechados, guardar pneus e garrafas com a boca para baixo ou em locais cobertos, manter piscinas cobertas e conservar baldes, galões, regadores e outros recipientes virados para baixo. Também é necessário manter limpas e protegidas as vasilhas utilizadas para alimentação dos animais.

Os cuidados devem ser reforçados semanalmente, inclusive antes de viagens. A atenção aos possíveis focos deve fazer parte da rotina, especialmente em períodos de mudanças nas condições climáticas, quando o risco de proliferação do mosquito pode aumentar. Qualquer objeto ainda que pequeno, como tampinha de garrafa e até brinquedo, que acumule água, pode ser um criadouro em potencial.

Ações incluem visitas casa a casa e uso de drones
Coordenadas pelo Programa Municipal de Vigilância das Arboviroses (PMArbo) da Coordenadoria de Vigilância em Saúde da SMS, as ações de vigilância, prevenção e controle vetorial são realizadas ao longo de todo o ano, de forma permanente. Em 2026, já foram mais de 5,7 milhões de ações, priorizando os distritos administrativos com maior incidência de casos. Entre as estratégias estão a visita casa a casa, eliminação de criadouros junto com o morador/responsável, uso de larvicida biológico em criadouros não removíveis, avaliação da densidade larvária, visitas em pontos estratégicos e em imóveis especiais e ações educativas junto à população.

Quando há detecção da circulação viral, são realizadas ações de bloqueio de transmissão, nas quais estão incluídos o bloqueio de criadouros e a nebulização. Além das ações rotineiras citadas, desde 2024 a Prefeitura de São Paulo adotou o uso de drones para a aplicação do larvicida biológico para o combate e acompanhamento de focos larvários de difícil acesso. Já foram realizadas mais de 25 mil ações com drones dispersores de larvicida.

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