Secretaria Municipal da Saúde
Psicologia como compromisso com a dignidade e o bem-estar das pessoas

Neste dia 27 de agosto, Dia Nacional do Psicólogo, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) homenageia os mais de 1.300 profissionais atuantes na rede municipal e que, juntamente com médicos psiquiatras e outros profissionais, integram os cuidados em saúde mental, que, cada vez mais, adotam uma abordagem integral na atenção à população.
Camila Gomes Serrão é psicóloga formada e pós-graduada em Saúde Mental e Psicoterapia Psicanalítica. Iniciou sua trajetória na clínica particular em 2007, mas logo percebeu que queria ampliar seu campo de atuação. Em 2008, ingressou na rede pública de saúde e, seis anos depois, em 2014, passou a integrar a equipe do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Adulto II São Miguel, na zona leste de São Paulo.
O trabalho no Caps foi um marco em sua carreira. Durante oito anos, esteve profundamente envolvida com o cuidado territorial, desenvolvendo ações voltadas a pessoas em intenso sofrimento psíquico. Atuou tanto no atendimento aos usuários e famílias, além do matriciamento com os serviços da rede, entendendo o cuidado como algo que vai além das paredes do consultório.
Em 2022, Camila assumiu a função de interlocutora de Saúde Mental na região de São Miguel, ampliando sua atuação para a gestão e supervisão de políticas públicas. O novo desafio trouxe a responsabilidade de apoiar e orientar os serviços, acompanhar indicadores e planejar estratégias de cuidado. Já em 2023, foi convidada para exercer o mesmo papel na Coordenadoria Regional de Saúde Leste. E, mais recentemente, há cerca de quatro meses, iniciou sua atuação na Supervisão Técnica de Saúde (STS) Penha — território onde cresceu e com o qual mantém fortes vínculos comunitários.
No cargo atual, sua missão é apoiar a implementação das políticas municipais de saúde mental, monitorar o funcionamento dos serviços, analisar indicadores e assegurar que o atendimento esteja alinhado às diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), promovendo e fortalecendo uma rede viva e articulada às necessidades da população. “O sofrimento das pessoas não está separado por áreas técnicas ou políticas públicas”, resume a psicóloga. “Quando falamos de cuidado, estamos falando de vidas atravessadas por múltiplas vulnerabilidades, que exigem respostas integradas.”
Sua rotina é dinâmica: envolve visitas técnicas, reuniões com diferentes equipes, articulação intersetorial e suporte constante aos serviços da rede. Para ela, um dos pilares dessa atuação é cuidar também de quem cuida. “Cuidar de quem cuida é parte fundamental de qualquer política de saúde mental”, afirma. Camila acredita também que o trabalho exige um diálogo constante com áreas como educação, assistência social, habitação e cultura, já que o cuidado integral só é possível quando há integração entre diferentes setores.
Divisor de águas
A profissional conta que a pandemia de Covid-19 representou um divisor de águas em sua trajetória profissional. O isolamento social e o aumento expressivo dos casos de sofrimento psíquico exigiram novas formas de atenção e acolhimento. Nesse contexto, ferramentas como o teleatendimento e o telematriciamento, antes pouco exploradas, passaram a ter papel central para manter o vínculo com usuários e oferecer suporte mesmo à distância. “A experiência mostrou que a tecnologia, quando bem utilizada, pode ser grande aliada da saúde mental, permitindo ampliar o acesso e alcançar pessoas que, de outra forma, teriam dificuldade em receber acompanhamento.”
Outro legado desse período foi a consolidação da formação on-line para as equipes, que deixou de ser apenas uma medida emergencial e passou a integrar a rotina da rede. Isso possibilitou oferecer capacitação contínua, responder com agilidade a demandas urgentes e garantir que os profissionais estivessem preparados para lidar com situações complexas.
Cuidado em liberdade
Camila defende que a saúde mental precisa ser tratada como prioridade tanto na agenda pública quanto na vida de cada pessoa. “Não se trata apenas de procurar ajuda quando algo vai mal, mas de criar espaços para respirar, escutar-se e estabelecer limites”, diz. Ela reforça que o SUS tem condições de acolher e oferecer suporte a quem precisa, mas que a rede de atenção psicossocial deve ser constantemente fortalecida para responder aos desafios que surgem.
Entre as experiências mais marcantes de sua trajetória, destaca a participação em processos de desinstitucionalização de pessoas que viveram décadas em hospitais psiquiátricos. Acompanhar a reconstrução de histórias, a retomada da autonomia e a reaproximação com as comunidades transformou sua visão sobre o cuidado. “Esses momentos mostram o verdadeiro sentido do cuidado em liberdade e reafirmam o compromisso ético com a vida e os direitos humanos das pessoas em sofrimento mental.”
Com uma trajetória que combina prática clínica, atuação direta no território e experiência estratégica na gestão, Camila Gomes Serrão segue empenhada em qualificar o cuidado em saúde mental, expandir o alcance das políticas públicas e integrar, de forma equilibrada, o uso de novas tecnologias à humanização do atendimento. Sua visão é de que inovação e acolhimento podem caminhar juntos, desde que o centro de toda ação continue sendo a dignidade e o bem-estar das pessoas.
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