Secretaria Municipal da Saúde
UBSs ajudam quem deseja parar de fumar

Magaly (esq.), Yara (centro) e Cida (atrás) com a farmacêutica Karen: livres do tabagismo depois de mais de 50 anos (Acervo/SMS)
Em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) destaca a estratégia de apoio a tabagistas e de prevenção a doenças e mortes evitáveis relacionadas ao cigarro, envolvendo principalmente as equipes Multi das Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
A aposentada Magaly Esteves, 67, a instrumentadora cirúrgica Maria Aparecida da Cruz Menge, 69, e a costureira Yara Gomes Lagrota, 77, moradoras da zona norte de São Paulo, têm histórias de vida bem diferentes, porém compartilham um ponto em suas trajetórias: todas foram fumantes por mais de 50 anos e largaram o cigarro ao frequentar o grupo do programa de controle de tabagismo da Unidade Básica de Saúde (UBS) Horto Florestal.
“Quando eu era adolescente todo mundo fumava: nos filmes, nas novelas; a gente achava bonito, chique, naquela época”, conta Magaly, que experimentou o primeiro cigarro aos 14 anos, com duas primas, e só ouviu da mãe - que também era fumante -, que, se quisesse fumar, teria que trabalhar para sustentar o hábito. Foi o que Magaly fez ao longo de 53 anos, com algumas tentativas de parar, sem sucesso.
A aposentada conta que foi uma amiga de infância, Maria Isabel, também fumante desde a adolescência e vizinha de bairro, que lhe falou do programa. “Fiquei animada quando soube que ela tinha conseguido parar e fui com ela falar com as meninas da UBS”, relata Magaly, que também contou com o apoio moral de Maria Isabel, que a acompanhou aos encontros.
As “meninas da UBS” são as farmacêuticas Karen Navarro e Rosana Tiemi, que conduzem o programa de controle de tabagismo na unidade. Karen diz que, dos pacientes que seguem corretamente o programa até o fim, o que inclui encontros semanais ao longo do primeiro mês, seguidos de encontros quinzenais no segundo mês e depois encontros mensais até completar um ano, 90% conseguem deixar para trás o tabagismo.
Para chegar a esse resultado, juntamente com a dinâmica do programa, baseada em um modelo de terapia realizada em grupo e centrada na mudança de crenças e comportamentos, a UBS investe em práticas integrativas e complementares (Pics) como auriculoterapia e meditação, que auxiliam em aspectos como a ansiedade.
Espaço de troca e escuta
Magaly, que chegou a fumar dois maços de cigarro por dia em momento difíceis de sua vida, como quando parou de trabalhar e virou cuidadora da mãe (hoje falecida), conta que, com o suporte do programa, conseguiu reduzir rapidamente o número diário de cigarros, até manter apenas um por dia. “A dinâmica em grupo, ver que outras pessoas estão passando pelo mesmo que você, foi essencial; sozinha eu não teria conseguido”, resume ela, que também recebeu auriculoterapia nos encontros.
“A auriculoterapia e a meditação são oferecidas a todos a partir do segundo encontro, e estas técnicas têm sido muito importantes para chegarmos aos resultados mais rápido”, enfatiza a farmacêutica Karen. Segundo ela os medicamentos e adesivos são apresentados como opção apenas a pacientes com muita dificuldade para superar a abstinência do cigarro. “A maioria consegue parar sem recorrer a medicamentos”, comemora a profissional, que trabalha há cinco anos na UBS Horto Florestal.
Na unidade, como em todas as outras que oferecem o programa de controle de tabagismo (97% das 479 UBSs da capital), o boca-a-boca é um dos recursos para levar membros aos novos grupos. “Quem me falou das reuniões foi a minha manicure”, diz Yara, que começou a fumar aos 27 anos, já casada e com dois filhos, por influência do marido, que de vez em quando lhe oferecia uma tragada quando estava nervosa. “Pior é que ele parou de fumar há 25 anos, e eu não conseguia”, relata a costureira, que, com o auxílio do programa, conseguiu largar o cigarro em dois primeiros.
Já a instrumentadora cirúrgica Maria Aparecida, ou Cida, começou a fumar aos 14 por influência de uma vizinha mais velha e depois teve dificuldade em parar porque o ex-marido também era fumante. No seu caso, a inscrição no grupo da UBS Horto Florestal foi um “presente” da nora. “Eu tinha dificuldade para acompanhar as reuniões por conta do trabalho, mas mesmo assim tive suporte da Karen e da Rosana para receber os conteúdos e orientações”, lembra Cida, que também recebeu auriculoterapia e conseguiu parar sem a necessidade de medicamentos.
Para manter a conquista da possibilidade de uma vida mais saudável e longeva, Magaly, Yara e Cida recorrem a expedientes como evitar ficar perto de fumantes, nunca ter cigarros por perto e investir em atividades físicas. Magaly, por exemplo, hoje é assídua nas atividades oferecidas pela UBS, como os grupos de caminhada, pilates e xian gong. Sempre junto com a inseparável amiga Maria Isabel, sua grande incentivadora na superação do tabagismo.
de amizade, agora sem cigarro (Acervo Pessoal)
Sobre o tabagismo
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo integra o grupo de transtornos mentais e de comportamento por causa do uso de substâncias psicoativas (nicotina), sendo a principal causa de morte evitável no mundo, com mais de 8 milhões de pessoas mortas por ano, mais de 7 milhões devido ao uso direto e cerca de 1,2 milhão devido ao fumo passivo.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostram que fumantes chegam a reduzir sua expectativa de vida em 20 anos. Afinal, o tabagismo é o principal fator de risco modificável para as doenças do sistema cardiovascular e para vários tipos de câncer, em especial o de pulmão, que mata cerca de 30 mil pessoas todos os anos no Brasil. Por outro lado, abandonar o tabagismo reduz os riscos ao longo do tempo, podendo chegar ao patamar de um não fumante após mais de 10 anos.
Ainda segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou em 2024 o primeiro aumento na proporção de fumantes adultos desde 2007. Pesquisa realizada nas capitais e no Distrito Federal apontou que o percentual de adultos que fumam subiu de 9,3% para 11,6%, um crescimento que interrompe uma tendência de queda que durava quase duas décadas. O aumento foi mais expressivo entre as mulheres, cuja taxa passou de 7,2% para 9,8%, e também entre os homens, que subiram de 11,7% para 13,8%. Além do cigarro tradicional, o uso de cigarros eletrônicos também vem crescendo e chegou a 2,6% entre adultos.
A busca pelo Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT) do Ministério da Saúde também aumentou nos últimos anos, com 421.524 pessoas buscando ajuda em 2024, em comparação a 226.269 pessoas em 2023 e 142.041 em 2022. Na rede municipal, o programa é coordenado pela Área Técnica de Saúde Mental. Em 2021, foram realizados 4.174 atendimentos e em 2022, 16.065. Em 2023, o número aumento para 47.167, e em 2024, para 62.635. Já em 2025, até o momento, foram 35.660 participações.
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