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Terça-feira, 30 de Outubro de 2007 | Horário: 09:15
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Programa Minha Biblioteca já começou a disttribuição de livros

Crianças participaram da primeira distribuição de livros pelo projeto que entregará material novo duas vezes por ano. Além da formação de jovens leitores, o programa será reforçado com visitas de escritores a escolas da rede municipal de educação.
Mais de 2,5 mil crianças do Ensino Fundamental da rede municipal de educação de São Paulo receberam segunda-feira (29/10), em uma grande festa no Palácio de Convenções do Anhembi, os dois primeiros livros de suas bibliotecas pessoais. Dispostos em uma pasta de plástico reciclado, confeccionada com garrafas PET, os títulos abrem a coleção Minha Biblioteca, que distribuirá dois volumes por ano aos alunos do ensino fundamental.

As crianças assistiram à apresentação do grupo Meninos do Morumbi, conheceram as escritoras Ruth Rocha e Thalita Rebouças e curtiram o som da dupla Palavra Cantada. Um grupo de alunos encenou uma história contada por Sherazade. As crianças encantaram-se também com as mágicas do ilusionista Issao Imamura, que fez uma analogia entre a leitura e a mágica: "O livro por si só não faz nada na gaveta. Mas algo mágico acontece quando passamos pelos capítulos dele".

O programa é fruto de uma negociação inovadora com editoras, a partir de uma iniciativa da Secretaria Municipal da Educação, em parceria com a Câmara Brasileira do Livro (CBL). A idéia é fazer de São Paulo uma cidade de leitores.

Toda escola municipal possui uma sala de leitura com uma média de 10 mil títulos, coordenada por professores orientadores que acompanham e incentivam os alunos a ler. "O Minha Biblioteca, associado ao Programa Ler e Escrever, aos programas de formação dos nossos professores orientadores de salas de leitura, ao retorno das atividades em sala de leitura, à grade escolar e ao desenvolvimento de atividades de nossas escolas voltadas à leitura e escrita, visa promover o gosto pela leitura em nossos alunos e estendê-lo a seus pais e familiares, que, infelizmente, podem ter sido privados da presença dos livros em suas casas", explica o secretário municipal de Educação. Em rápido discurso no qual destacou a importância da leitura, o secretário pediu aplausos aos professores orientadores de Sala de Leitura.

A ação é inédita, pois, fora o material didático e os livros para bibliotecas, nunca foram distribuídas obras de literatura diretamente aos estudantes. No total, serão 106 títulos de mais de 70 autores. O programa será reforçado com visitas de escritores a escolas da rede, além das atividades que já são desenvolvidas nas unidades de ensino.

Na lista constam obras como A Bruxinha e o Gregório, de Eva Furnari, e Mundo Criado, Trabalho Dobrado, do mineiro Elias José, além de clássicos como Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. A seleção foi feita pelos profissionais do Círculo da Leitura, órgão da Secretaria da Educação que cuida do acervo das bibliotecas escolares.

O critério de escolha baseou-se em livros mais retirados pelas crianças nas bibliotecas das escolas e nos mais utilizados nas salas de leitura, de modo que não houve predileção por nenhum título ou autor.

A logomarca do Minha Biblioteca, apresentada no lançamento oficial do programa, em junho deste ano, foi desenvolvida por Ziraldo. "Eu gosto desse projeto porque ele resgata a função principal da escola, que é ensinar. E o bom dessa história é colocar a leitura, o livro, dentro da casa do aluno, no cotidiano na família brasileira", diz o autor infanto-juvenil. Seu famoso livro O Menino Maluquinho é um dos escolhidos.

A grande parceira do programa é a Câmara Brasileira do Livro, que congrega editores, livreiros, distribuidores e profissionais de venda direta do país. "Além de contribuir para despertar nas crianças o amor pelo universo mágico da leitura, o programa Minha Biblioteca tem em seu cerne uma proposta inovadora: promover a aproximação essencial entre essas crianças, suas respectivas famílias e comunidades com bibliotecas existentes dentro do ambiente doméstico. Uma mudança que atuará como divisora de águas na memória afetiva e na formação cultural dessas pessoas. Tudo isso de maneira divertida, prazerosa e, sobretudo, democrática", diz Rosely Boschini, presidente da CBL.

A negociação

Habitualmente, a compra de livros é negociada diretamente com as editoras, uma vez que os direitos de publicação de uma obra são quase sempre exclusivos.

A amplitude do Minha Biblioteca deve-se, no entanto, a uma negociação inovadora, feita pela Secretaria de Educação do Município de São Paulo em parceria com a Câmara Brasileira do Livro.

O coordenador do projeto, Sérgio Kobayashi, chamou dezenas de editores para uma conversa e somente na reunião expôs o conteúdo do projeto. Disse que Prefeitura iria adquirir 560 mil livros, conquanto que houvesse uma redução no preço de capa. A proposta da Prefeitura foi comprar os títulos com 65% de desconto - no fim, foi acertado um abatimento de 59%.

O projeto "não foi um bom negócio comercial para vários editores, mas é um ótimo negócio no médio e longo prazo, já que as editoras estão investindo na formação de leitores e, por conseqüência, na formação de novos consumidores", explica Kobayashi.

À reunião compareceram 48 empresas e todas aderiram à negociação, que foi totalmente transparente, sem nenhum tipo de direcionamento.

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