Secretaria Municipal da Saúde

Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2026 | Horário: 11:00
Compartilhe:

Caps AD auxilia no tratamento de pessoas com dependência química

São Paulo tem 35 equipamentos de portas abertas que acolhem usuários de substâncias psicoativas
A imagem mostra o ambiente interno do Caps AD III Boracea, onde os pacientes realizam uma atividade artística. No centro, há uma assistente social, que é uma mulher jovem usando um colete azul com identificação do SUS e da Prefeitura de São Paulo. Ela está em pé, conversando com alguém fora do enquadramento enquanto segura uma tesoura. À frente dela, sobre a mesa, há diversos materiais de artesanato, como rolos de barbante colorido (rosa, roxo, azul) e uma peça circular colorida em andamento, sugerindo uma atividade manual. À esquerda, dois homens estão sentados. Um deles, mais próximo da câmera, observa algo sobre a mesa com concentração. O outro, ao fundo, usa boné e segura um papel ou prancheta, aparentemente participando da atividade. O fundo da sala é bastante colorido e decorado com cartazes, desenhos, fotos e trabalhos manuais, incluindo corações de papel e ilustrações infantis.

Os pacientes participam de atividades artísticas e manuais Caps AD III Boracea (Acervo/SMS)
 

Neste dia 20 de fevereiro, Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, a Prefeitura de São Paulo lembra que a capital conta com 104 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) voltados à saúde mental, sendo 35 dedicados ao tratamento de pessoas com transtornos causados pela dependência de álcool e drogas (Caps AD), que acolhem usuários de substâncias psicoativas, sem necessidade de agendamento ou encaminhamento. 

“A dependência química em álcool e drogas é um transtorno mental bastante complexo, que envolve questões biológicas, sociais e psicológicas. E grande parte dos pacientes têm comorbidades, ou seja, além do vício eles têm outra doença mental como depressão e ansiedade”, explica a médica psiquiatra Ana Lúcia Paya Benito, responsável técnica do Caps AD III Boracea, localizado na Barra Funda, região central de São Paulo.

Segundo ela, o preconceito com a dependência química dificulta a procura pelo tratamento. “As pessoas acham que o dependente pode parar de usar as substâncias no momento que quiser. Até o próprio dependente acredita nisso; como resultado, ele não procura ajuda, o que aumenta ainda mais o seu sofrimento, seja com o aprofundamento da adicção, seja com a perda dos vínculos familiares”.

Os Caps dispõem de equipe multiprofissional, composta por médico psiquiatra, médico clínico, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional, enfermeiro, farmacêutico e educador físico, que, em conjunto, elabora o Projeto Terapêutico Singular (PTS) para cada paciente. O PTS analisa o quadro de dependência levando em conta o tempo de uso, o tipo de substâncias e as principais necessidades de cada indivíduo.

“Eu comparo o tratamento da dependência química como se a pessoa fosse escalar uma montanha. Nesse processo, ela vai escorregar algumas vezes, mas não necessariamente precisa desistir ou voltar para o início da caminhada. Ela precisa aprender que aquele passo não pode mais. E o Caps é a corda que vai sustentar essa pessoa, para que persista na escalada”, diz Ana Lúcia.

Oficinas terapêuticas
O Caps AD III Boracea, da mesma forma que as outras unidades CAPS AD na modalidade III, é aberto para pacientes que fazem as oficinas diárias, mas também oferece vagas de acolhimento integral, nas quais os usuários podem permanecer para tratamento durante os estados mais agudos da doença.

Além do tratamento medicamentoso e de terapias em grupo, como a Roda de Chá, que é mediada por uma psicóloga, o equipamento oferece oficinas artísticas (mosaico, pintura, desenho) e esportivas (futebol e condicionamento físico). No grupo de canto, por exemplo, os pacientes escolhem a música e depois conversam sobre os sentimentos despertados pela letra da canção; no grupo de desenho, todos os trabalhos são expostos nas paredes, como forma de valorizar o trabalho de todos.

“Cada oficina tem um propósito terapêutico para exercitar o foco, a concentração, a criatividade, a cognição ou a expressão verbal. explica Regina Alves, gerente do equipamento, acrescentando que o tema norteador proposto no início do ano foi o de estratégias para não recair no vício e se manter firme no tratamento. “Essa troca de experiências é uma forma de incentivar uns aos outros.”

Recomeço
Foi justamente na virada do ano que E. F. da S., 33 anos, percebeu que precisava dar um novo rumo na sua vida. “Fui assistir aos shows do Réveillon na Avenida Paulista e não me lembro de nada. Acordei jogado na sarjeta, sem celular e sem carteira. Foi então que percebi que precisava de ajuda para deixar o álcool porque eu não conseguiria sozinho”, conta.

Para dar conta do desafio, ele, que estava no Centro Temporário de Acolhimento Boracea, foi encaminhado para o Caps AD III Boracea, onde ficou internado para fazer o tratamento médico e participar de oficinas terapêuticas. “Tento que manter a cabeça ocupada. Outro hábito que desenvolvi e tem me ajudado bastante é a leitura. Antes, eu odiava ler. Comecei com uma frase, depois duas frases. Agora passo horas na leitura”.

Ele conta que o álcool teve início ainda na adolescência, enquanto o crack veio mais tarde. “Meus pais bebiam. Na adolescência, comecei a beber com meus amigos. Eu achava que era normal e não percebia que estava excedendo.”

Após o fim do casamento, E. entrou em depressão e aumentou o consumo dessas substâncias. Fez diversas tentativas para abandonar o vício, passou por seis internações e inúmeras recaídas. “Cheguei a ponto de morar na rua. Vivia igual lixo. Até que meus filhos me viram na feira pedindo comida. Foi quando decidi parar com o crack. Fui diminuindo aos poucos e hoje não sinto mais vontade. Mas aumentei o consumo de álcool”, constata.

Para ele, o Caps tem sido fundamental. “Pela primeira vez na vida, senti que fui ouvido. Também voltei a me cuidar: tomar banho, fazer a barba. E me ajudaram a me organizar, planejar como será daqui para a frente”. Agora pretende voltar ao antigo trabalho na lavoura, em São Miguel Arcanjo, no interior de São Paulo, sua terra natal. E, no futuro, retomar o contato com os dois filhos, de 10 e 9 anos de idade. “Pode ser que eu tenha uma recaída, mas não vou permanecer caído”.

Acompanhe as principais divulgações SMS também nas nossas redes sociais:
Facebook - saudeprefsp
Instagram - @‌saudeprefsp 
Twitter - @‌saudeprefsp 
TikTok - saudeprefsp
LinkedIn - saudeprefsp

collections
Galeria de imagens