Secretaria Municipal da Saúde

Terça-feira, 16 de Dezembro de 2025 | Horário: 14:00
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Projeto UPA em Ação apresenta melhorias em 11 unidades de urgência e emergência da capital

Na qualidade assistencial, iniciativa desenvolvida ao longo de um ano trabalhou frentes como sepse, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico, insuficiência cardíaca e violência doméstica
A imagem mostra um auditório durante uma apresentação institucional. Em primeiro plano, há diversas pessoas sentadas em cadeiras, formando a plateia, atentas à atividade. Ao fundo, uma mulher fala ao microfone em um púlpito, utilizando um computador para apoiar a apresentação. Ao lado dela, um homem está em pé, observando.  Na parede atrás do palco, dois telões exibem um slide com o título “Governança e equipe de projeto”, relacionado ao programa UPA em Ação, com logotipos institucionais, incluindo o da Prefeitura de São Paulo e de parceiros. O ambiente é formal, típico de um evento técnico ou de prestação de resultados, com iluminação adequada e organização voltada à capacitação ou apresentação de projetos na área da saúde.

Na última quinta-feira (11), a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Einstein Hospital Israelita e o Institute for Healthcare Improvement (IHI) apresentaram os resultados alcançados com o projeto UPA em Ação - Transformando as Emergências com Ciências da Melhoria, implementado a partir de janeiro deste ano.

O evento de encerramento contou com a presença da secretária executiva de Atenção Básica, Especialidades e Vigilância em Saúde (Seabevs), Sandra Sabino Fonseca, que representou o secretário municipal da Saúde, Luiz Carlos Zamarco. Durante o encontro, foram apresentados os aprendizados e os principais resultados alcançados com a iniciativa.

A iniciativa envolveu 11 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital e promoveu avanços significativos na qualidade do cuidado aos pacientes em Condições Potencialmente Ameaçadoras à Vida (CPAV). Participaram as UPAs City Jaraguá, Pirituba, Perus, Vila Maria, Mooca, Tatuapé, Carrão, Jardim Helena, Vila Mariana, Sacomã e Jabaquara.

Com duração de 12 meses, o projeto incluiu sessões de imersão presenciais e virtuais, visitas técnicas, coleta e análise de dados, definição, priorização e implantação de melhorias, além da mensuração de resultados, mobilizando centenas de profissionais em todas as unidades participantes, em diferentes frentes de trabalho: Assistencial, Excelência Operacional, Custeio e Liderança.

Protocolos
Na área de Assistência ao Paciente, o objetivo foi implementar ações para incentivar o uso de protocolos e bundles, conjunto de intervenções, em urgências e emergências, garantindo a detecção rápida e o manejo adequado de condições clínicas graves. São elas: sepse, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico, insuficiência cardíaca, insuficiência respiratória aguda, dor abdominal e trauma. Também foi implantado um protocolo para casos de violência doméstica.

Em Excelência Operacional, o objetivo foi melhorar os processos das unidades, com foco na jornada do paciente e nos fluxos essenciais para um atendimento mais rápido e eficiente, de forma a reduzir o tempo de permanência dos pacientes nas UPAs, além de ampliar a capacidade de atendimento nas unidades contempladas pelo projeto.

Na frente Custeio, foram avaliados os custos da assistência prestada ao paciente, de forma a identificar oportunidades de melhoria para a redução de desperdícios, permitindo melhor distribuição dos recursos disponíveis, além de aprimorar a assistência e a segurança do paciente.

Em Liderança, foram desenvolvidas habilidades para o uso de ferramentas e práticas que reforcem a cultura de melhoria contínua nas unidades, além do engajamento das equipes para garantir mudanças duradouras.

Melhorias assistenciais e fortalecimento das equipes
Entre os destaques estão indicadores que demonstram a consolidação de práticas seguras e padronizadas nas UPAs participantes. O projeto alcançou 99% de adesão a um score essencial para a detecção precoce de condições críticas e também alta adesão aos pacotes de reconhecimento, resgate e reavaliação das CPAVs, a exemplo da sepse, com 78%, e do infarto agudo do miocárdio, com 86%.

Para isso, práticas e rituais de qualidade e segurança foram implantados, como huddles diários, encontros curtos para alinhamento das equipes, times de resposta rápida para CPAVs e reorganização do atendimento nas salas de emergência, com verificação de curativos, exames e medicações. Também foram instituídos os Guardiões das Trilhas, responsáveis por garantir a correta execução do cuidado ao paciente, e criadas células de melhoria, equipes dedicadas ao monitoramento contínuo de indicadores e à execução adequada dos processos assistenciais.

O protocolo voltado à violência doméstica foi estruturado conforme o padrão dos 5Rs: Reconhecer, Resgatar, Reavaliar, Referenciar e Retroalimentar, possibilitando a organização de uma linha de cuidado simples e estruturada para a detecção precoce da suspeita de violência e a proposição do cuidado apropriado. Em quatro meses de implantação nas 11 UPAs, foram registrados, em média, 74 casos suspeitos ou confirmados de violência, com melhoria na identificação e no encaminhamento.

O UPA em Ação também apresentou resultados importantes relacionados ao tempo de atendimento nas UPAs envolvidas, com destaque para a redução de 30%, considerando pacientes que não necessitam de reavaliação, mesmo diante de um aumento de 16% no volume médio de atendimentos das unidades avaliadas. A melhoria na jornada de atendimento contou com ações voltadas à padronização do processo assistencial e maior agilidade no cuidado.

A redução do tempo de permanência dos pacientes nas áreas de Observação e Emergência, por sua vez, aponta para uma economia potencial de 16% do custo total das 11 UPAs analisadas.

A coordenadora médica da UPA Pirituba, Márcia de Freitas Maiolo, destaca a mudança de cultura trazida pelo UPAs em Ação. “É uma iniciativa que, por exemplo, dá grande protagonismo à equipe de enfermagem, por estar envolvida em todos os processos do dia a dia da unidade e muito próxima do paciente”, pontua a gestora.

Segundo ela, entre os múltiplos desafios trazidos pelo projeto está o de reconhecer determinadas condições nos pacientes, do infarto agudo do miocárdio à violência, para então inseri-los nos diferentes pacotes de cuidado. De acordo com Márcia, dos médicos à equipe de limpeza, todos foram envolvidos de alguma forma nos processos de melhoria que passaram a integrar a rotina da unidade. “Foi o maior desafio nos meus quatro anos à frente da UPA Pirituba, e vejo os resultados como muito positivos.”

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