Secretaria Municipal da Saúde

Terça-feira, 2 de Dezembro de 2025 | Horário: 14:00
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Seminário de Pesquisas em IST/Aids anuncia participação da capital em novo estudo de prevenção ao HIV

ImPrEP LEN Brasil avaliará adesão de públicos específicos a uma profilaxia injetável semestral contra o HIV
A imagem mostra um auditório cheio, com dezenas de pessoas sentadas e voltadas para uma mesa composta por sete palestrantes. Eles estão posicionados à frente da sala, atrás de uma mesa longa azul, participando do XVII Seminário de Pesquisas em IST/Aids, conforme indicado nos dois telões projetados atrás deles, que exibem o nome do evento em um fundo verde vibrante.  À esquerda, uma mulher de vestido escuro está em um púlpito, aparentemente conduzindo ou apresentando a mesa. Ao lado dos telões, há um banner do programa municipal de IST/Aids, com o laço vermelho característico.  O público é diverso, com pessoas de diferentes idades e estilos, todas atentas às falas. O ambiente é organizado, com cadeiras alinhadas e iluminação clara, típico de eventos técnicos ou científicos.

Em sua 17ª edição, o Seminário de Pesquisas em IST/Aids, promovido na última sexta-feira (28) pela Coordenadoria de IST/Aids da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), reuniu pesquisadores, gestores públicos e trabalhadores nos serviços especializados da rede municipal para debater as perspectivas e abordagens de prevenção e tratamento para o HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis.

Além de apresentar os resultados de estudos realizados nos equipamentos municipais, o evento foi palco para a apresentação de um novo estudo, o ImPrEP LEN Brasil, que avaliará o uso de uma nova profilaxia contra o HIV.

O seminário reuniu convidados como Mariza Vono Tancredi (Programa Estadual de DST/Aids), Beatriz Grinsztejn, (Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas/Fiocruz e presidente da International Aids Society), Valdiléa Veloso (pesquisadora titular do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas/Fiocruz) e Ricardo Vasconcelos, (infectologista e pesquisador do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo HC/FMUSP).

Representando a SMS na mesa de abertura do evento, estiveram presentes Cristina Abbate, coordenadora de IST/Aids da cidade de São Paulo, Sandra Sabino, secretária-executiva da Atenção Básica, Especialidades e Vigilância em Saúde (Seabevs), Luiz Artur Caldeira, chefe de gabinete e Carmen Silvia Carmona de Azevedo, coordenadora do Comitê de Ética e Pesquisa.

“Mais do que um seminário científico, este é um espaço de diálogo e troca de experiências, com foco em um sistema de saúde mais inclusivo e humano, que promove a dignidade e combate o estigma e a exclusão”, reiterou Mariza Vono Tancredi. Para a pesquisadora Valdiléa Veloso, dentro da perspectiva de que desde o início da epidemia de HIV/Aids, nos anos 80, o Brasil se colocou na vanguarda mundial em termos de incorporação de novas tecnologias de combate ao HIV, a cidade de São Paulo se destaca. “São Paulo é uma inspiração para todos nós, pois está sempre à frente na incorporação de novas estratégias, todos estamos sempre atentos ao que é feito aqui”.

Sua colega no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Beatriz Grinsztejn, destacou ainda o fato que que a SMS/SP promove pesquisas sobre HIV/Aids em seus vários equipamentos, colocando a produção científica a serviço da prática. “Essas pesquisas amparam as ações em IST/Aids e geram resultados que se traduzem em políticas públicas, e esse é um dos fatores que fazem da cidade uma referência.”

Estratégia de acesso
A coordenadora de IST/Aids da cidade de São Paulo, Cristina Abbate, que se considera “uma militante da saúde na linha de frente do HIV/Aids” desde a época em que a infecção representava uma sentença de morte, comemorou as muitas vitórias obtidas nas últimas décadas e enfatizou a importância da disponibilização das profilaxias pré e pós-exposição, PrEP e PEP, parte essencial na redução dos casos de infecções por HIV. Na capital, são oito anos consecutivos de queda nas novas infecções, totalizando redução de 53% desde 2016. Naquele ano, foram registrados 3.761 novos casos de HIV, em comparação a 1.766 em 2024.

Abbate lembrou que São Paulo concentra metade de todas as PrEPs e PEPs do país, por meio de uma estratégia de acesso que reconhece que os novos casos se concentram em públicos diversos, em especial entre pessoas em situação de vulnerabilidade social.

A capital registrou 18.500 novos cadastros para PrEP entre janeiro e outubro de 2025, uma alta de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior, ultrapassando mais de 75 mil pessoas cadastradas. A PEP também apresentou crescimento, com 24.424 dispensações entre janeiro e outubro de 2025, crescimento de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Além da de 10 Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e 17 Serviços de Atenção Especializada (SAE), a Rede Municipal Especializada em IST/Aids investe em ações extramuros como as unidades itinerantes CTA da Cidade e PrEP na Rua, que percorrem as várias regiões da cidade levando testes, orientação, encaminhamento e distribuição de insumos. Em 2023, também inaugurou a Estação Jorge Beloqui, dentro da Estação República do Metrô, e em 2024 começou a disponibilizar máquinas automáticas para retirar de PrEP e PEP nas estações. Hoje são cinco máquinas em operação, com 7.500 profilaxias retiradas, após consulta e obtenção de prescrição no canal SPrEP, disponível dentro do app e-saúdeSP – outra inovação da Coordenadoria de IST/Aids.

ImPrEP LEN Brasil
Conduzido a partir de 2026, o estudo ImPrEP LEN Brasil, liderado por Beatriz Grinsztejn, avaliará a adesão a uma alternativa injetável de efeito semestral para a PrEP. O público-alvo do protocolo, que ocorrerá em sete cidades brasileiras (São Paulo, Campinas, Florianópolis, Manaus, Salvador, Nova Iguaçu e Rio de Janeiro), é composto por HSH, pessoas transgênero e não binárias com idade entre 16 e 30 anos. O objetivo é dar subsídios a uma eventual incorporação desta nova forma de PrEP no Sistema Único de Saúde. A apresentação injetável, lenacapavir, está atualmente em análise na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O 17º Seminário de Pesquisas em IST/Aids apresentou ainda resultados de pesquisas como a de Danielle Davanço, psicóloga do SAE Cidade Líder II, que analisou a interrupção não programada do tratamento de pessoas vivendo com HIV e os desafios enfrentados pelas equipes na manutenção do cuidado.

Outro trabalho, conduzido por Carolina Marta de Matos, coordenadora de Diagnóstico da Coordenadoria de IST/Aids, apresentou a implantação piloto dos testes rápidos treponêmicos e não treponêmicos para diagnóstico da sífilis, ampliando a capacidade diagnóstica da rede. Já o estudo de José Araújo de Oliveira Silva, coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento Científico da Coordenadoria de IST/Aids, trouxe resultados preliminares sobre o perfil de usuários que acessam as máquinas de entrega de métodos de prevenção ao HIV, contribuindo para aprimorar estratégias de acesso à PrEP e à PEP no município.

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