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Terça-feira, 10 de Março de 2026 | Horário: 11:14
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Academia da Saúde triplica de 18 para 66 polos e passa a atender todas as regiões da cidade

Com crescimento superior a 266%, São Paulo se torna a cidade com o maior número de polos do país, transformando a atividade física em um caminho real para mais saúde, vínculos e qualidade de vida

 

A cena retrata usuárias da UBS Belenzinho participando das atividades físicas da Academia da Saúde, iniciativa que promove práticas corporais, convivência e bem-estar. A atividade simboliza o fortalecimento das ações de promoção da saúde na cidade, em um momento em que o programa foi ampliado, passando de 18 para 66 polos na capital paulista. Elas estão lado a lado, realizando movimentos coordenados com os braços, aparentemente seguindo orientações de uma prática de exercícios ou alongamento.  Muitas usam camisetas claras — algumas em azul — possivelmente relacionadas à atividade ou ao grupo de saúde. As expressões são de concentração e engajamento, indicando atenção aos movimentos. Ao fundo, outras participantes acompanham o exercício, formando um grupo numeroso e diverso.

Usuárias participam de atividade física em grupo na UBS Belenzinho, na região sudeste da capital (Acervo/Ascom)

Ivone da Costa Barbalho, 67 anos, não falta um dia sequer. De segunda a sexta, ela sai de casa cedo e segue para a AMA/UBS Integrada Parque Santo Antônio, na zona sul, onde participa das atividades da Academia da Saúde. Diagnosticada com osteoporose e hipertensão, Ivone começou a fazer as atividades físicas por recomendação médica. Dois anos depois, ganhou muito mais do que força e equilíbrio.

Hoje, ela faz parte dos grupos de caminhada, dança e ginástica funcional. Anda mais rápido, tem mais agilidade e sente-se muito mais disposta. E, principalmente, menos sozinha. “Eu fiz amigas, criei vínculos nos grupos de exercícios. A gente se apoia muito”, conta. Para Ivone, a academia não é só um espaço de cuidar do corpo: virou um lugar de encontro, acolhimento e cuidado.

Histórias como a dela agora irão se multiplicar por toda a capital. A cidade de São Paulo deu um passo histórico na promoção da saúde com a ampliação do programa Academia da Saúde, que passou de 18 para 66 polos, um crescimento de aproximadamente 267%. Com isso, São Paulo passa a ser a cidade com o maior número de polos da Academia no país, ampliando a estratégia de promoção da saúde e aproximando o cuidado da rotina das pessoa, já que passa a oferecer o serviço em todas as regiões do município.

O programa Academia da Saúde é uma estratégia de promoção do cuidado em saúde por meio da implantação de espaços públicos com infraestrutura e profissionais qualificados e um verdadeiro cardápio de atividades, que acontecem semanal ou quinzenalmente: atividades físicas gratuitas, práticas integrativas, orientações nutricionais por meio dos grupos de alimentação saudável e rodas de conversa, com o objetivo de promover modos de vida saudável, prevenir doenças crônicas e melhorar a qualidade de vida e o bem-estar da população.

A expansão da presença da Academia da Saúde nos equipamentos da rede municipal consolida a atividade física como uma das principais estratégias de prevenção de doenças, promoção da saúde e fortalecimento dos vínculos comunitários. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prática regular de atividade física reduz o risco de doenças cardiovasculares, diabetes, alguns tipos de câncer e problemas de saúde mental. A recomendação é de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada para alcançar benefícios comprovados.

Para o interlocutor do programa, Marcelo Takiishi Scrocco, a expansão dos polos vai além de números. “A ampliação da Academia da Saúde em São Paulo reforça a importância da promoção da saúde como eixo central dos planos de cuidado. A atividade física é, muitas vezes, a principal porta de entrada para a população conhecer os polos, mas, com o tempo, os demais eixos também mostram seus resultados: a educação em saúde, a produção do cuidado, a construção de modos de vida mais saudáveis e a mobilização da comunidade.”

Cuidado que nasce no território
Na UBS Belenzinho, na região sudeste, a Academia da Saúde atende mais de 500 pessoas, principalmente idosos e mulheres. De acordo com o profissional de educação física Thiago Socio Sá, o programa amplia o conceito de cuidado ao integrar diferentes profissionais e linhas de cuidado. “A Academia da Saúde é uma estratégia usada no território para trabalhar o conceito de saúde de uma forma mais ampla, onde o paciente é protagonista do próprio cuidado”.

Ele explica que as atividades são organizadas de forma individual e coletiva, estimulando, de maneira natural, a adoção de hábitos mais saudáveis. “Nosso trabalho segue a lógica da promoção da saúde costurada com as linhas de cuidado. A ideia é estimular que as pessoas mudem o estilo de vida, criem uma rotina ativa e se sintam parte desse processo.”

A Academia da Saúde também integra o Projeto Terapêutico Singular (PTS), no qual a equipe multiprofissional organiza, junto ao usuário, as ações necessárias para melhorar sua qualidade de vida. “Com o PTS, a equipe articula o tratamento e as atividades que cada pessoa precisa, respeitando sua realidade e as especificidades do território”, ressalta o profissional, lembrando que além da UBS, as atividades se estendem a espaços da comunidade, como a Igreja São Carlos Borromeu e o Parque Belém, fortalecendo vínculos e promovendo inclusão. “Quando a academia chega ao território, ela se torna um ponto de encontro, de troca e de construção coletiva. As pessoas passam a se enxergar como protagonistas do próprio cuidado.”

É assim também na UBS Jardim São Nicolau, na zona leste, onde as manhãs de quarta-feira começam com música alta, passos coreografados e muita alegria. As aulas de dança da Academia da Saúde viraram ponto de encontro para quem busca mais saúde e convivência.

Entre os participantes está João Batista Cardoso, 68, recém-aposentado, que chegou ao grupo por convite de um amigo e acabou encontrando muito mais do que esperava: uma rede de apoio, que o acompanha diariamente. Hoje, João não perde uma aula. A dança e práticas como o lian gong, chian gong e alongamento viraram parte da sua rotina e da sua alegria. “Eu digo para meus amigos deixarem de ter preconceito com a dança e com esses grupos; é mais gostoso compartilhar a vida com os amigos que a gente faz ali”, conta, bem-humorado.

Clique aqui e confira o polo da Academia da Saúde da sua região. 

 

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