Secretaria Executiva de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento
Enquanto ⅓ dos alimentos produzidos no Brasil são descartados, Banco de Alimentos transforma mais de 391 toneladas em doações nos primeiros oito meses de 2026

Escrito por: Giovanna Lameiras | Revisado por: Michele Cunha
São Paulo, setembro de 2026 — Segundo levantamento do Relatório Diagnóstico sobre a Fome e o Desperdício de Alimentos no Brasil (2022), divulgado pela organização Pacto Contra a Fome, o Brasil produz 161,3 milhões de toneladas de alimentos por ano e, deste total, cerca de 55,4 milhões de toneladas são desperdiçadas. Além do desperdício representar quase ⅓ do montante, ele ganha mais peso ao contrastar com o dado de que 3 a cada 10 famílias brasileiras convivem com algum grau de insegurança alimentar, seja leve, moderada ou grave. Embora o Brasil esteja novamente fora do Mapa da Fome, segundo a FAO 2026, o desafio de garantir acesso regular e adequado à alimentação permanece.
Em abril deste ano, a Comissão de Agricultura (CRA) aprovou a PL 3209/2024, projeto de lei que amplia as ações de combate ao desperdício e determina que cada município crie seu próprio plano de combate baseado na Política Nacional de Combate à Perda e ao Desperdício de Alimentos (PNCPDA), instituída em setembro de 2025. A proposta agora aguarda votação na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) antes de seguir para outras etapas do Congresso.
A cidade de São Paulo, porém, está um passo à frente neste assunto. O Banco de Alimentos Municipal, gerido pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Executiva de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento (SESANA), é considerado uma das maiores iniciativas da pasta que promove acesso à alimentação de qualidade para pessoas em situação de vulnerabilidade social na capital paulista. Em atividade desde 2002, o equipamento funciona a partir da captação e redistribuição de doações de alimentos provenientes de mercados, varejistas, atacadistas, centrais de abastecimento e, em menor expressão, de pessoas físicas.
Para garantir a qualidade do que é recebido e destinado às entidades atendidas, todo item passa por rigorosa triagem que atesta a qualidade e integridade do produto para consumo, visto que alguns deles possuem apenas avarias na embalagem e, por isso, perderam o valor de venda. Já em casos de produtos próximos à data de vencimento, a triagem e a distribuição são realizadas com ainda mais agilidade, garantindo que sejam consumidos dentro do prazo estipulado no rótulo.
Como resultado, de janeiro a agosto de 2026, o Banco atingiu a marca de 391 toneladas de alimentos doados às organizações, com 55 toneladas destinadas somente no mês de agosto às famílias que mais precisam. Além do doado, é comum que alimentos como arroz, açúcar, farinha e até mesmo ração pet sejam reembalados em pacotes de 1 kg e disponibilizados nas gôndolas gratuitas dos Armazéns Solidários, enquanto outra parcela também ganha novo destino ao tornar-se ingrediente nas oficinas realizadas nos CRESANs Butantã e Vila Maria, que incentivam o consumo consciente e promovem educação alimentar por meio do ensinamento de técnicas de reaproveitamento ou aproveitamento integral de alimentos.
Ainda de acordo com o levantamento do Pacto Contra a Fome, 10,8 milhões de toneladas dos alimentos desperdiçados no país são perdidas no período pós-colheita, que inclui as etapas de armazenamento e transporte. Para reduzir essas perdas, o armazenamento adequado é uma das alternativas apontadas por órgãos como o Ministério da Agricultura e da Pecuária (MAPA), enquanto os circuitos curtos de comercialização ajudam a diminuir a distância entre os produtores e a mesa das famílias, de forma que os alimentos fiquem menos tempo em percurso e reduzam assim as perdas e o desperdício ao longo da cadeia.
No Banco de Alimentos, o armazenamento adequado é garantido pela câmara fria, que foi recentemente reformada e ampliada (46m² e 138m³ de capacidade), e permite receber e armazenar maiores quantidades de frutas, verduras e legumes. Dessa forma, os gêneros alimentícios nela armazenados têm sua vida útil prolongada, reduzindo o risco de perdas.
O circuito curto de comercialização
Com o objetivo de levar produtos frescos à população, desde agosto de 2025, a unidade do Armazém Solidário do M’Boi Mirim recebe alimentos de produção convencional, orgânicos e/ou de base agroecológica cultivados por agricultores do programa Sampa+Rural, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET). A iniciativa intersecretarial aproxima os produtores de Parelheiros aos consumidores do M’Boi Mirim, ambos na zona sul de São Paulo, e com isso não só promove o circuito curto de comercialização de alimentos, como oferece suporte técnico especializado aos agricultores e incentiva a economia local.
As entregas dos produtos são realizadas duas vezes na semana, e as hortaliças e folhosas recebidas ficam expostas em gôndolas exclusivas, separadas dos demais itens comercializados. No futuro, o intuito é expandir a parceria e levar hortaliças e folhosas também às demais unidades do Armazém Solidário.
Sobre a importância da ação para a cidade, o secretário executivo de Segurança Alimentar, Nutricional e de Abastecimento, Vítor Arruda, destaca: “A parceria entre o Armazém Solidário e o Sampa+Rural, é exemplo do nosso esforço e comprometimento com a segurança alimentar dos paulistanos. O papel de SESANA é garantir que os munícipes tenham acesso a alimentos de qualidade, e nada melhor do que produtos orgânicos cultivados pelos próprios moradores da capital, que, além de tudo, incentivam a economia local.”
Todas essas ações da secretaria no combate ao desperdício dialogam também com o Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (PLAMSAN), que está atualmente em processo de elaboração do segundo plano. Entre as orientações previstas, destaca-se a Diretriz 2, que estabelece: promoção do abastecimento e estruturação de sistemas sustentáveis e descentralizados, de base agroecológica, de produção, extração, processamento e distribuição de alimentos.
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São Paulo possui o maior programa de Segurança Alimentar do planeta, segundo o Guinness.
Em dezembro de 2025, a cidade de São Paulo foi reconhecida internacionalmente pela GUINNESS WORLD RECORDS™ como detentora do maior programa municipal de segurança alimentar do planeta. Foram distribuídas mais de 933 toneladas de alimento em 24 horas, e a municipalidade alcançou um número superior a 3 milhões de refeições gratuitas por dia, contando com entregas de refeições prontas, produtos in natura e cestas básicas a pessoas de baixa renda.
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