Segunda-feira, 14 de Setembro de 2026 | Horário: 09:00
Compartilhe:

Enquanto ⅓ dos alimentos produzidos no Brasil são descartados, Banco de Alimentos transforma mais de 391 toneladas em doações nos primeiros oito meses de 2026

Ações do equipamento de segurança alimentar de São Paulo vão na contramão dos dados do Pacto Contra a Fome, que apontam o desperdício de cerca de 55,4 milhões de toneladas por ano no país

Escrito por: Giovanna Lameiras | Revisado por: Michele Cunha

São Paulo, setembro de 2026 — Segundo levantamento do Relatório Diagnóstico sobre a Fome e o Desperdício de Alimentos no Brasil (2022), divulgado pela organização Pacto Contra a Fome, o Brasil produz 161,3 milhões de toneladas de alimentos por ano e, deste total, cerca de 55,4 milhões de toneladas são desperdiçadas. Além do desperdício representar quase ⅓ do montante, ele ganha mais peso ao contrastar com o dado de que 3 a cada 10 famílias brasileiras convivem com algum grau de insegurança alimentar, seja leve, moderada ou grave. Embora o Brasil esteja novamente fora do Mapa da Fome, segundo a FAO 2026, o desafio de garantir acesso regular e adequado à alimentação permanece. 

Em abril deste ano, a Comissão de Agricultura (CRA) aprovou a PL 3209/2024, projeto de lei que amplia as ações de combate ao desperdício e determina que cada município crie seu próprio plano de combate baseado na  Política Nacional de Combate à Perda e ao Desperdício de Alimentos (PNCPDA), instituída em setembro de 2025. A proposta agora aguarda votação na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) antes de seguir para outras etapas do Congresso.

A cidade de São Paulo, porém, está um passo à frente neste assunto. O Banco de Alimentos Municipal, gerido pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Executiva de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento (SESANA), é considerado uma das maiores iniciativas da pasta que promove acesso à alimentação de qualidade para pessoas em situação de vulnerabilidade social na capital paulista. Em atividade desde 2002, o equipamento funciona a partir da captação e redistribuição de doações de alimentos provenientes de mercados, varejistas, atacadistas, centrais de abastecimento e, em menor expressão, de pessoas físicas.

Para garantir a qualidade do que é recebido e destinado às entidades atendidas, todo item passa por rigorosa triagem que atesta a qualidade e integridade do produto para consumo, visto que alguns deles possuem apenas avarias na embalagem e, por isso, perderam o valor de venda. Já em casos de produtos próximos à data de vencimento, a triagem e a distribuição são realizadas com ainda mais agilidade, garantindo que sejam consumidos dentro do prazo estipulado no rótulo.

Como resultado, de janeiro a agosto de 2026, o Banco atingiu a marca de 391 toneladas de alimentos doados às organizações, com 55 toneladas destinadas somente no mês de agosto às famílias que mais precisam. Além do doado, é comum que alimentos como arroz, açúcar, farinha e até mesmo ração pet sejam reembalados em pacotes de 1 kg e disponibilizados nas gôndolas gratuitas dos Armazéns Solidários, enquanto outra parcela também ganha novo destino ao tornar-se ingrediente nas oficinas realizadas nos CRESANs Butantã e Vila Maria, que incentivam o consumo consciente e promovem educação alimentar por meio do ensinamento de técnicas de reaproveitamento ou aproveitamento integral de alimentos.

Ainda de acordo com o levantamento do Pacto Contra a Fome, 10,8 milhões de toneladas dos alimentos desperdiçados no país são perdidas no período pós-colheita, que inclui as etapas de armazenamento e transporte. Para reduzir essas perdas, o armazenamento adequado é uma das alternativas apontadas por órgãos como o Ministério da Agricultura e da Pecuária (MAPA), enquanto os circuitos curtos de comercialização ajudam a diminuir a distância entre os produtores e a mesa das famílias, de forma que os alimentos fiquem menos tempo em percurso e reduzam assim as perdas e o desperdício ao longo da cadeia.

No Banco de Alimentos, o armazenamento adequado é garantido pela câmara fria, que foi recentemente reformada e ampliada (46m² e 138m³ de capacidade), e permite receber e armazenar maiores quantidades de frutas, verduras e legumes. Dessa forma, os gêneros alimentícios nela armazenados têm sua vida útil prolongada, reduzindo o risco de perdas.
 

O circuito curto de comercialização

Com o objetivo de levar produtos frescos à população, desde agosto de 2025, a unidade do Armazém Solidário do M’Boi Mirim recebe alimentos de produção convencional, orgânicos e/ou de base agroecológica cultivados por agricultores do programa Sampa+Rural, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET). A iniciativa intersecretarial aproxima os produtores de Parelheiros aos consumidores do M’Boi Mirim, ambos na zona sul de São Paulo, e com isso não só promove o circuito curto de comercialização de alimentos, como oferece suporte técnico especializado aos agricultores e incentiva a economia local.

As entregas dos produtos são realizadas duas vezes na semana, e as hortaliças e folhosas recebidas ficam expostas em gôndolas exclusivas, separadas dos demais itens comercializados. No futuro, o intuito é expandir a parceria e levar hortaliças e folhosas também às demais unidades do Armazém Solidário.

Sobre a importância da ação para a cidade, o secretário executivo de Segurança Alimentar, Nutricional e de Abastecimento, Vítor Arruda, destaca: “A parceria entre o Armazém Solidário e o Sampa+Rural, é exemplo do nosso esforço e comprometimento com a segurança alimentar dos paulistanos. O papel de SESANA é garantir que os munícipes tenham acesso a alimentos de qualidade, e nada melhor do que produtos orgânicos cultivados pelos próprios moradores da capital, que, além de tudo, incentivam a economia local.”

Todas essas ações da secretaria no combate ao desperdício dialogam também com o Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (PLAMSAN), que está atualmente em processo de elaboração do segundo plano. Entre as orientações previstas, destaca-se a Diretriz 2, que estabelece: promoção do abastecimento e estruturação de sistemas sustentáveis e descentralizados, de base agroecológica, de produção, extração, processamento e distribuição de alimentos.

Acompanhe nossos serviços em nossos canais oficiais no Instagram e em nosso site oficial.

 

São Paulo possui o maior programa de Segurança Alimentar do planeta, segundo o Guinness.

Em dezembro de 2025, a cidade de São Paulo foi reconhecida internacionalmente pela GUINNESS WORLD RECORDS™ como detentora do maior programa municipal de segurança alimentar do planeta. Foram distribuídas mais de 933 toneladas de alimento em 24 horas, e a municipalidade alcançou um número superior a 3 milhões de refeições gratuitas por dia, contando com entregas de refeições prontas, produtos in natura e cestas básicas a pessoas de baixa renda.

Acesse todos os programas de segurança alimentar da Prefeitura de São Paulo clicando aqui.

 

Informações à imprensa

Secretaria Executiva de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento

imprensasesana@prefeitura.sp.gov.br

Enzo Sapio Monello — Assessor de Imprensa

esapio@prefeitura.sp.gov.br

Giovanna Lameiras — Assessora de Imprensa

glameiras@prefeitura.sp.gov.br

collections
Galeria de imagens