Subprefeitura Butantã

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Sábado, 4 de Abril de 2026 | Horário: 08:00
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Prefeitura de São Paulo garante assistência e autonomia a idosos com atendimento domiciliar

Com suporte de programa municipal, mãe de 101 anos cuida do filho de 75 com mais segurança e qualidade de vida

Dona Carolina tem uma rotina que, à primeira vista, parece simples: acorda por volta das oito e meia, toma café com pão, manteiga, queijo e a banana de todo dia, descansa um pouco, toma sol no quintal, esquenta o almoço, come frutas no meio da tarde. Mas por trás desses gestos está uma mulher centenária com uma vida inteira dedicada ao trabalho e que há uma década assumiu os cuidados do filho, José Antônio Modesto, 75 anos, que convive com as sequelas de um AVC. Ambos recebem os cuidados e apoio da equipe do Programa Acompanhante de Idoso (PAI) e da UBS Vila Arriete, na Zona Sul.

Programa da Prefeitura de São Paulo, o PAI atende homens e mulheres com mais de 60 anos em situação de fragilidade e alta vulnerabilidade social, promovendo mais qualidade de vida, autonomia, bem-estar e reintegração ao convívio social. 

O cuidado é realizado por equipes multiprofissionais, que desenvolvem um projeto terapêutico individualizado regular com ações que incluem apoio nas atividades do dia a dia, como prática de exercícios físicos, organização da rotina, uso correto de medicamentos e outros cuidados essenciais, sempre com foco na manutenção da independência e no fortalecimento dos vínculos sociais.

“Essa convivência entre mãe centenária e filho idoso traz desafios diários e também uma forte ligação afetiva, marcada por cuidado mútuo e preocupação de um com o outro”, conta a acompanhante Fátima Domingues Ferreira, que há um ano visita os dois idosos três vezes por semana.

Dona Carolina faz questão de manter sua independência. Toma banho sem ajuda e prepara o almoço quando a Fátima se ausenta. Todo dia, ela reserva um tempo para sentar no quintal e tomar sol, sempre chamando o filho para lhe fazer companhia. Dona Carolina conta: “o segredo para chegar aos 100 anos com essa disposição é comer bem, cantar, rir, manter a alegria e receber visitas, principalmente da equipe do PAI”.

A idosa já teve trombose, operou a vesícula após crises de pancreatite e convive com catarata e perda auditiva – deveria usar aparelho, mas não gosta muito, porque “fica tudo muito alto”. Mesmo com esses problemas, ela não faz uso de medicação contínua, o que chama a atenção de quem a acompanha. 

A maior preocupação de Carolina não é com ela ou a idade avançada, mas sim o filho, que já enfrentou um infarto e um AVC, e tem sequelas motoras. Mesmo com todas as dificuldades, ele tenta seguir uma rotina ativa, cortando a grama, reorganizando móveis e administrando a própria medicação. 

Suporte e presença
A chegada do PAI, articulado com a UBS Vila Arriete, transformou o dia a dia da casa. A acompanhante Fátima visita o domicílio e oferece aquilo que, muitas vezes, faz falta: tempo e presença. Acorda a idosa com delicadeza, ajuda a ir para a sala, senta ao lado para assistir televisão, puxa conversa, canta, estimula a lembrar músicas antigas de Francisco Alves e Luiz Gonzaga, histórias de carnaval (a idosa não se esquece das fantasias de cigana dos desfiles em Trabiju, outro município do interior de São Paulo onde viveu) e outras memórias da juventude. 

Para José, Fátima organiza e monitora o uso dos remédios, conversa sobre o passado, ouve música na vitrola e adapta as atividades às limitações de mobilidade. 

“A questão da medicação é séria, e a equipe desenvolveu um sistema de caixas coloridas para manhã, pós-almoço e noite, para ajudar a lembrar horários de medicação. Mesmo que ele ainda relute em aderir plenamente à rotina proposta, o acompanhamento sistemático permite identificar esquecimentos, orientar, ajustar e, principalmente, evitar que ele fique desassistido”, comenta a acompanhante.

Os cuidados são complementados pelas equipes do PAI e da UBS, que estruturam os protocolos para mãe e filho: monitoram sinais vitais, orientam sobre hidratação, organizam exames e atendimentos, e registram em relatórios cada visita, cada intercorrência. Em situações de pressão alta, mal-estar ou qualquer alteração, a equipe é acionada e garante que ninguém fique sozinho numa situação de risco. O programa não se limita a “passar em casa”: na prática, ele constrói uma rede de segurança em torno dos idosos.

Para Lucélia, a filha caçula que não vive com a mãe e o irmão, o PAI representa alívio e parceria. Durante anos, ela dividiu o tempo entre sua própria casa, os netos, o trabalho e a casa da mãe, especialmente depois do AVC de José. Com o avanço da idade dos dois, a preocupação só aumentava. A presença regular da equipe do PAI e de uma cuidadora familiar devolve a Lucélia um pouco de tranquilidade, sabendo que quando não está, alguém escuta, orienta, acompanha.

Assim, a história de Dona Carolina não é apenas a de uma mulher que ultrapassou aos 100 anos. É também a história de como o cuidado em saúde, quando se aproxima da casa, das pequenas rotinas e dos vínculos familiares, pode garantir dignidade, autonomia e alegria na velhice. O PAI não aparece como um serviço distante, mas como uma extensão da família: entra, senta, escuta, respeita o tempo da casa – e ajuda a fazer com que dona Carolina siga sendo o que sempre foi, na própria casa, do jeito dela e ainda dá suporte e acolhimento emocional à centenária que cuida do filho idoso.

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