Domingo, 13 de Maio de 2007 | Horário: 09:20
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Com quase 900 mil visitantes em 2006, Centro Cultural São Paulo faz 25 anos

O espaço localizado em um local estratégico da cidade (entre a rua Vergueiro e a 23 de maio, próximo à avenida Pulista, junto ao metrô) traz uma programação especial em seu aniversário.
"Um grande navio". É assim que Martin Grossmann se refere à singular estrutura de concreto que há 25 anos abriga o Centro Cultural São Paulo (CCSP). Diante da licença poética, o diretor do espaço, que é catalisador de arte e cultura e de um verdadeiro mar de gente interessada em absorver isso tudo, poderia ser chamado de comandante.

Mas o tratamento hierárquico pouco importa para quem dirige um pólo de integração cultural tão democrático, inaugurado em 13 de maio de 1982. A exposição de fotos que conta a história desse navio é uma das atrações do mês de maio, em comemoração ao aniversário do Centro Cultural que fica em um dos endereços mais conhecidos do paulistano: rua Vergueiro, 1.000.

Instalado em uma área de 46.500 metros quadrados, o projeto dos arquitetos Luis Benedito Telles e Eurico Prado Lopes dissolve a construção na topografia do terreno e destaca a integração do CCSP com o espaço urbano.

"É difícil termos a dimensão desta construção olhando de fora. Não é como olhar um prédio convencional, que parte do solo para o alto, em linha reta. Aliás, na exposição é possível ver o projeto original, observar todos os cantos da construção e observar aquilo que foi projetado pelos arquitetos, mas ainda não foi concretizado", explica Grossmann.

A exposição "Outra Objetividade", no piso Caio Graco, reúne os olhares de onze fotógrafos sobre o prédio, além dos documentos dos arquitetos responsáveis pela concepção da obra. Com toda a programação gratuita ou a preços simbólicos, sem catracas ou bilheterias nas portas de entrada, durante todo o ano passado o Centro Cultural recebeu cerca de 900 mil visitas, o que é comparável à freqüência dos maiores museus e centros culturais do mundo.

Localizado em um ponto estratégico da cidade, atravessado entre a rua Vergueiro e a avenida 23 de Maio, próximo da avenida Paulista e junto às estações de metrô Vergueiro e Paraíso, o Centro Cultural tem este número expressivo de freqüentadores devido ao estímulo crítico e ao acesso democrático, que são as balizas que norteiam este importante órgão pertencente à Prefeitura.

Tão solidificada quanto à estrutura física do CCSP é a vocação do espaço, que tem a missão de ser interface de várias culturas e da arte presente nessas culturas. "Este lugar já foi incorporado pelo cidadão de São Paulo como um espaço livre para a discussão de novas idéias. O aspecto propositivo do Centro está bastante assimilado por todos e hoje ele é praticamente um espelho, que reflete a vida e a cultura na Cidade. Todos os que visitam, falam do lugar com muito carinho e respeito", comenta o diretor.

Por isso, Grossmann diz que sua maior preocupação, no momento, é integrar as diversas áreas que ocupam o prédio de forma quase independente: "Esses vários organismos que aqui convivem são auto-suficientes, mas as primeiras experiências de integrá-los se mostraram muito positivas".

A integração da gibiteca com a biblioteca, por exemplo, trouxe para o setor das histórias em quadrinhos um público 60% maior e novo, que antes só freqüentava a biblioteca. "Se conseguirmos reproduzir isso em nossa programação, eu ficaria muito satisfeito", explica Grossmann.

Mas o CCSP não comemora seus 25 anos sozinho. Os festejos também se estendem aos 70 anos da Biblioteca Braile e aos 30 anos do Idarte, que é um órgão pioneiro no campo da pesquisa artística e foi incorporado ao Centro em 1982, ano da inauguração do espaço.

Espaço multifacetado

O CCSP oferece atrações teatrais, salas e espaços alternativos para a realização de debates, palestras, exposições, jardins, eventos musicais, cinema e vídeo, dança e acervo artístico e documental, sobretudo no Arquivo Multimeios, setor que conta com cerca de 950 mil documentos que privilegiam a arte brasileira contemporânea.

As bibliotecas do CCSP aglutinam cultura e lazer em diversas linguagens, ocupam um espaço de nove mil metros quadrados e abrigam um dos mais significativos patrimônios bibliográficos do país. Montadas com base em obras oriundas da Biblioteca Mário de Andrade, têm hoje a maior freqüência do Estado e o segundo maior acervo da Cidade. São elas: a Biblioteca Sérgio Milliet, a Biblioteca de Artes Alfredo Volpi, a Biblioteca Braille (para portadores de deficiência visual) e a Gibiteca Henfil.

Dentro do CCSP podem ser encontrados importantes acervos documentais, como a Pinacoteca Municipal, a pesquisa da arte contemporânea, a exposição permanente que remete à Missão Folclórica de Mário de Andrade e o acervo sonoro e documental pertencentes à Discoteca Oneyda Alvarenga.


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