Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa

Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2025 | Horário: 11:53
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Dicas de Leitura (Dezembro) - Literatura Russa

Na volta das Dicas de Leitura, vamos celebrar a literatura russa, indicando livros de grandes autores russos que marcaram não só a literatura do país, como também a mundial

Dezembro é um mês que renova símbolos de esperança, de celebração e de passagem. O Natal e o Ano Novo evocam a gratidão pelos caminhos percorridos ao longo do ano e o desejo por um ciclo que se inicia com mais afeto e possibilidades. Em diferentes culturas, esses sentimentos se materializam em personagens e tradições que atravessam fronteiras — e o Papai Noel é, talvez, o mais universal deles.

A origem dessa figura está associada a São Nicolau de Mira, bispo nascido na região da atual Turquia por volta de 280 d.C., célebre por sua generosidade e por doações anônimas a pessoas em situação de vulnerabilidade. Sua reputação de protetor dos mais pobres ecoou de tal forma que ele se tornou, séculos depois, padroeiro da Rússia e dos estudantes. Não por acaso, sua história influenciou diretamente costumes eslavos e a criação de personagens que celebram a bondade e a solidariedade durante o inverno.

Entre eles, destaca-se Ded Moroz — o Avô Gelo — figura profundamente enraizada no folclore russo. Diferente do Papai Noel ocidental, Ded Moroz não apenas distribui presentes: ele simboliza a força da tradição, da família e da renovação típica do Ano Novo russo. Geralmente acompanhado por sua neta Snegurochka, atravessa florestas cobertas de neve em uma troika puxada por três cavalos, carregando consigo uma árvore verde, em referência às antigas práticas pagãs de celebração da vida em meio ao inverno rigoroso. Sua presença sintetiza valores que também repercutem na literatura russa: humanidade, transformação e a busca por sentido mesmo em tempos desafiadores.

Inspirado por esse imaginário rico e simbólico, o Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo convida o público a revisitar — ou descobrir — grandes autores da tradição literária russa. Em seus livros, encontros imprevisíveis, reflexões morais, dilemas sociais e narrativas tocadas pela sensibilidade humana se entrelaçam de maneira única. As obras selecionadas estão disponíveis no acervo físico das 84 bibliotecas do Sistema e também gratuitamente no BiblioSP Digital, para que leitores e leitoras possam celebrar o fim do ano acompanhados de histórias que atravessam séculos e continuam a iluminar nosso presente.


SEMANA 5 – VLADIMIR NABOKOV

 

Vladimir Nabokov (1899–1977), romancista, poeta, tradutor e também entomólogo russo-americano, nasceu em São Petersburgo e iniciou sua produção literária em russo antes de migrar para o inglês, consolidando-se como um dos grandes nomes da literatura do século XX. Além da escrita, dedicou-se seriamente ao estudo de borboletas e mariposas, atuando por anos como pesquisador no Museu de Zoologia Comparada de Harvard. Sua obra se destaca pela prosa intrincada, sonora e repleta de detalhes sensoriais, pelo uso frequente de narradores não confiáveis e por uma constante exploração metalinguística que inclui jogos de palavras, trocadilhos e estruturas narrativas que dialogam com o próprio ato de escrever. Temas como exílio, memória e o papel do artista atravessam seu trabalho, marcados pela experiência pessoal de deixar a Rússia após a Revolução Bolchevique. A combinação de lirismo, precisão estilística, domínio de múltiplos idiomas e ousadia formal — exemplificada por obras como Lolita e Fogo Pálido — faz de Nabokov um autor cuja literatura transcende fronteiras, ao mesmo tempo profundamente enraizada na tradição russa e universal em sua capacidade de inovar, provocar e ampliar os limites do romance moderno.

 

Um dos mais importantes romances do século XX. Polêmico, irônico e tocante, este romance narra o amor obsessivo de Humbert Humbert, um cínico intelectual de meia-idade, por Dolores Haze, Lolita, 12 anos, uma ninfeta que inflama suas loucuras e seus desejos mais agudos. Através da voz de Humbert Humbert, o leitor nunca sabe ao certo quem é a caça, quem é o caçador. A obra-prima de Nabokov, agora em nova tradução, não é apenas uma assombrosa história de paixão e ruína. É também uma viagem de redescoberta pela América; é a exploração da linguagem e de seus matizes; é uma mostra da arte narrativa em seu auge. Na literatura contemporânea, não existe romance como Lolita

Ada ou ardor é um dos romances mais ambiciosos de Vladimir Nabokov. Com uma narrativa de fôlego, carregada de lirismo, o autor arquiteta uma história complexa e fluida, que nos leva através das lembranças de Van Veen em sua tentativa de reconstruir a história de amor que viveu com a prima, Ada. Ada ou ardor reconta a duradoura relação de amor entre dois primos, Ada e Van, desde o primeiro encontro na Mansão de Ardis, em uma "América de sonho", e ao longo de oitenta anos de arrebatamento, viagens através de continentes, separações e recomeços. Ao narrar essa história trágica e idílica, Nabokov reinventa a própria vida. Não estamos mais na Terra, mas na Antiterra, uma espécie de espelho distorcido de nossa realidade. No mundo nabokoviano, entre outras coisas, fala-se russo nos Estados Unidos, e os telefones são movidos a água, depois de o uso da eletricidade ter sido proibido. Nessa realidade recriada, Nabokov mescla uma série de referências e estilos para narrar uma história de amor interdita, emocional, que foge a todos os padrões convencionais.

A invocação de Nabokov traz à tona uma série de lembranças sutis, e tornam este livro uma das autobiografias mais originais e marcantes da literatura contemporânea. Por meio das lentes de Nabokov — que reforçam a cor de cada uma de suas lembranças e distorcem a passagem do tempo — vemos o despertar de uma criança para o mundo, e acompanhamos uma viagem ao cerne de sua vida interior. Com um texto primoroso, seguimos o autor por meio de linhas narrativas subterrâneas que se encontram inesperadamente, numa jornada pessoal em meio a lances radicais da história no século XX, com todos os seus sofrimentos e suas conquistas. "Fala, memória" é um dos livros imprescindíveis de Nabokov, que transcende o simples aspecto autobiográfico. Em grandes linhas temáticas, que se intercalam ao logo da narrativa, ele aos poucos traça aspectos cruciais de uma vida inevitavelmente ligada aos grandes eventos históricos do século XX.

Quarto romance de  Nabokov, o autor cria uma narrativa inovadora ao se colocar na pele de um jovem imigrante russo na Alemanha às voltas com amores desastrados ou ilusórios — e algumas certezas sobre si mesmo que não correspondem à realidade. Smurov é um jovem triste e solitário que tenta sobreviver com parcos recursos na Berlim dos anos 20. Para equilibrar as finanças, trabalha como tutor de dois meninos de uma família russa de alto padrão. Entre um e outro caso amoroso, Smurov se envolve com Matilda, uma mulher casada. Quando o marido dela descobre a traição e humilha o jovem publicamente, Smurov decide suicidar-se. Mas seu intento não sai exatamente como ele havia planejado; não se sabe se ele de fato se matou e, neste caso, se o mundo sobrenatural é idêntico à vida terrena, ou se algo saiu errado na execução. Com domínio da narrativa, Nabokov cria uma trama em que o leitor passa a seguir as pistas daquele que observa, tentando desvendar o que se esconde por trás de sua história.

Primeiro romance escrito em inglês por Vladimir Nabokov, "A verdadeira vida de Sebastian Knight" é um dos livros mais impressionantes — e menos conhecidos — do autor. Ao criar uma paródia de uma narrativa policial — com suas pistas, reviravoltas e suspense —, ele constrói um impressionante relato sobre um homem que tenta desvendar a vida de seu meio-irmão, um consagrado escritor. Criador de obras originais, Sebastian Knight viveu seus últimos anos recluso, atormentado pelo amor não correspondido por uma misteriosa amante russa. Após sua morte, o narrador, denominado apenas "V.", entrevista conhecidos e, como um detetive, segue indícios que podem revelar um pouco mais da trajetória de seu meio-irmão. Pretende também desbancar a outra biografia de Sebastian, escrita por um certo Sr. Goodman, que, segundo ele, está repleta de erros grosseiros

Em O dom, um dos maiores escritores de todos os tempos cria um minucioso mosaico que mescla vida e literatura. Este é um livro sobre memória, amor e literatura. Considerado por Vladimir Nabokov sua melhor obra escrita em russo — ele mesmo revisaria sua tradução para o inglês, décadas depois —, O dom condensa, com extrema virtuose estilística, o melhor de sua produção no período. Ele capta, com riqueza de detalhes, a difícil vida dos emigrados no país que lhes é hostil. Com ironia, reconstrói os círculos literários da época, onde todos, por menor que fosse o grupo de escritores, se tratavam com gentileza para depois se criticarem mutuamente pelas costas. Sem dinheiro, com aspirações a se tornar um grande escritor, o poeta iniciante e sonhador Fyodor navega por esse mundo vago e sombrio. Enquanto sonha com versos, com sua juventude perdida e com o pai, desaparecido anos antes, ele nos conta duas histórias de amor. Por Zina, a filha do senhorio que aluga um quarto para ele, e pela própria literatura russa, que permeia todo este grandioso romance


 

SEMANA 4 – IVAN TURGUÊNIEV

 

Ivan Turguêniev (1818-1883) foi um dos grandes nomes da literatura russa do século XIX, conhecido por sua prosa elegante e pela análise psicológica e social de seus personagens. Filho de uma família aristocrática, estudou filosofia na Rússia e na Alemanha, absorvendo influências do Iluminismo e do Romantismo, o que lhe conferiu uma visão liberal e europeia rara entre escritores russos da época. Turguêniev destacou-se por retratar os conflitos entre tradição e progresso, explorando temas como identidade, liberdade e transformações sociais. Peculiarmente, manteve uma vida cosmopolita, dividida entre a Rússia e a Europa Ocidental, onde conviveu com autores como Flaubert e Zola. Sua obra foi amplamente celebrada e projetou a literatura russa no Ocidente, consolidando-o como um dos pilares do realismo europeu.

 

Publicado em 1862, este romance é um marco da literatura russa e introduziu o termo “niilismo” no vocabulário cultural. Ambientado na Rússia pré-reformista, às vésperas da emancipação dos servos (1861), a obra retrata o choque entre gerações: os pais, ligados à tradição aristocrática, e os filhos, influenciados pelo racionalismo e pelo espírito revolucionário. O personagem Bazárov, um jovem médico niilista, simboliza a ruptura com valores antigos e a busca por uma nova ordem social. Turguêniev expõe as tensões entre conservadorismo e progresso, refletindo um país em transformação.

Publicado em 1872, este romance explora os dilemas amorosos e existenciais de um jovem aristocrata russo em viagem pela Europa. A narrativa reflete a influência do romantismo tardio e a crise de identidade da elite russa diante da modernidade ocidental. Turguêniev combina introspecção psicológica com descrições poéticas, revelando a fragilidade das paixões e a transitoriedade dos ideais. A obra é também um retrato da aristocracia cosmopolita, dividida entre raízes nacionais e sedução estrangeira.

Publicado em 1859, este romance aborda a busca por felicidade e sentido na vida aristocrática russa. A história acompanha um fidalgo que retorna à Rússia após desilusões pessoais, confrontando tradições familiares e expectativas sociais. Turguêniev constrói um painel sobre a decadência da nobreza rural e a emergência de novos valores, antecipando as mudanças que culminariam na reforma agrária. A obra reflete o conflito entre idealismo e realidade, permeado por melancolia e crítica social.

Publicado em 1860, este conto é uma delicada exploração das emoções juvenis e da descoberta do amor. Ambientado na Rússia aristocrática, a narrativa acompanha um adolescente que vive sua primeira paixão, marcada por idealismo e dor. Turguêniev revela a complexidade dos sentimentos e a inevitável perda da inocência, utilizando uma linguagem lírica e reflexiva. A obra reflete não apenas um drama pessoal, mas também a transição entre gerações e valores em uma sociedade em mudança.


SEMANA 3 – ANTON TCHÉKHOV

 

Anton Tchékhov (1860-1904) foi um dos maiores escritores e dramaturgos russos, reconhecido por revolucionar a narrativa curta e o teatro moderno. Formado em medicina, exerceu a profissão paralelamente à literatura, afirmando que a medicina era sua “esposa legal” e a escrita sua “amante”. Sua obra se destaca pelo realismo psicológico, diálogos sutis e ausência de julgamentos morais, características que influenciaram profundamente a literatura do século XX. Tchékhov também foi um observador atento da vida cotidiana, retratando com precisão as tensões sociais da Rússia fin-de-siècle (Rússia do fim do século) Em 1888, recebeu o Prêmio Púchkin, consolidando sua reputação como mestre da forma curta. Além disso, sua contribuição ao teatro introduziu uma estética inovadora, marcada pela simplicidade e profundidade emocional, que transformou a dramaturgia mundial.

Inédito no Brasil, o relato de Tchékov é uma contundente denúncia do sistema prisional russo do século XIX e um feito literário impressionante. Tradução de Rubens Figueiredo. Um jovem médico empreende uma viagem até os confins da Rússia para documentar as terríveis condições de vida dos condenados a trabalhos forçados em uma ilha-presídio. Uma jornada extenuante e quase fatal que o fez regressar com um dos textos mais impressionantes da literatura de não ficção em todos os tempos. A denúncia de um lugar onde pessoas eram descartadas. O relato de um inferno – cercado de água, frio e desumanidade por todos os lados.

Estreada em 1899, esta peça apresenta personagens presos à rotina e à falta de propósito, vivendo em uma propriedade rural. Tchékhov expõe a mediocridade da vida provinciana e a sensação de desperdício existencial, temas que ecoam as transformações sociais e econômicas da Rússia no final do século XIX.

Escrita em 1901, a peça acompanha Olga, Macha e Irina, que sonham em deixar a vida provinciana e retornar a Moscou, símbolo de realização e modernidade. A obra reflete a estagnação social e a melancolia diante da impossibilidade de mudança, antecipando o clima de transição que levaria à Revolução Russa.

Última peça de Tchékhov (1904), considerada sua obra-prima, retrata a decadência da aristocracia russa e a ascensão da burguesia após a emancipação dos servos. O jardim, símbolo da tradição, é vendido para dar lugar ao progresso, marcando o fim de uma era. É uma reflexão sobre perda, transformação social e o inevitável fluxo do tempo.

Publicado em 1899, este conto é um dos mais célebres de Tchékhov e retrata um romance inesperado entre Gúrov, um homem casado, e Anna, uma jovem também casada, durante férias na cidade balneária de Ialta. A narrativa explora a monotonia da vida conjugal, a busca por sentido e a complexidade dos sentimentos humanos, revelando a hipocrisia social e a solidão existencial típica da Rússia pré-revolucionária

Os contos tchekhovianos ajudaram a alçar o gênero a um dos mais altos patamares na literatura contemporânea. Nesta coletânea encontram-se reunidas 38 histórias cujo traço mais marcante é o humor. Escritos entre 1882 e 1887, estes relatos do cotidiano da Rússia pré-Revolução destrincham com palavras certeiras as pequenas misérias e injustiças que são inerentes ao convívio entre seres humanos. Não é de se espantar que, ao percorrer estas páginas, o leitor perceba que está com um sorriso no canto dos lábios; pois este é o humor tchekhoviano, quase melancólico, que ri de si mesmo, como em "Um negócio fracassado", o primeiro conto desta prazerosa coletânea.


 

SEMANA 2 – FIÓDOR DOSTOIÉVSKI

 


Leon Tolstói (1828–1910) foi um dos maiores escritores russos e expoentes do Realismo mundial. Nascido em Iásnaia Poliana, serviu no exército antes de dedicar-se à literatura, tornando-se célebre por obras como Guerra e Paz e Ana Karenina, que retratam com profundidade a sociedade russa do século XIX. Além de romancista, foi filósofo, educador e ativista social, defendendo ideias de pacifismo, não violência e espiritualidade cristã, influenciando líderes como Gandhil. Peculiarmente, viveu em busca de simplicidade e coerência ética, renunciando a privilégios aristocráticos. Embora não tenha recebido prêmios literários formais em vida, sua obra foi amplamente reconhecida e reverenciada por contemporâneos como Dostoiévski e permanece como referência universal da literatura

Publicada entre 1865 e 1869, esta obra monumental retrata a Rússia durante as Guerras Napoleônicas (1805-1812), acompanhando famílias aristocráticas como os Bolkónski e os Rostóv. Tolstói mescla ficção e fatos históricos, descrevendo batalhas como Austerlitz e Borodino, enquanto explora temas como destino, livre-arbítrio e a busca pelo sentido da vida. Mais do que um romance histórico, é uma reflexão filosófica sobre a natureza da guerra e da paz, com personagens complexos que enfrentam dilemas morais e existenciais.

Publicado em 1877, este romance é considerado uma das maiores obras da literatura mundial. Ambientado na Rússia imperial, narra a história de Anna, uma mulher casada que se apaixona pelo oficial Vronski, desafiando as rígidas normas sociais da época. Tolstói contrapõe essa trama à vida rural e à busca espiritual de Liévin, criando um painel sobre amor, fidelidade, hipocrisia social e o conflito entre tradição e modernidade. A obra reflete as tensões da aristocracia russa diante das mudanças sociais do século XIX.

Escrito em 1886, este conto longo é uma poderosa meditação sobre a morte e o sentido da vida. Ivan Ilitch, um juiz bem-sucedido, adoece gravemente e percebe a futilidade de sua existência marcada por convenções sociais e ambições superficiais. Tolstói expõe a alienação da classe média russa e questiona valores materialistas, conduzindo o leitor a uma reflexão sobre autenticidade, espiritualidade e a inevitabilidade da morte.

Publicado em 1899, este romance denuncia a corrupção do sistema judicial e a hipocrisia da sociedade russa. O príncipe Nekhliúdov, atormentado pelo remorso de ter seduzido e abandonado uma jovem que agora cumpre pena injusta, decide reparar seu erro. A narrativa acompanha sua jornada moral e espiritual, revelando as desigualdades sociais e a decadência das instituições. É uma obra marcada pelo idealismo cristão e pelo engajamento social de Tolstói em sua fase mais crítica.

Entre 1852 e 1856, Tolstói publicou esta trilogia autobiográfica que acompanha o crescimento de Nikolai Irteniev, alter ego do autor. A obra retrata a vida aristocrática russa, os dilemas internos do protagonista e suas descobertas sobre amor, amizade e identidade. Além de um relato íntimo, é um documento histórico sobre a educação e os costumes da nobreza russa no século XIX, revelando as inquietações existenciais que marcariam toda a obra de Tolstói.


SEMANA 1 – FIÓDOR DOSTOIÉVSKI

 


Fiódor Dostoiévski é considerado um dos maiores romancistas que já existiu, também tendo forte contribuição na filosofia e na psicologia - o pensador foi pioneiro no estudo da pisque, explorando em suas obras literárias uma retratação filosófica e psicológica profunda entre temas como o significado do sofrimento e da culpa, o livre-arbítrio, a pobreza, a violência, a fé, o assassinato e o altruísmo, além de analisar transtornos mentais. 

 

Durante uma das maravilhosas "noites brancas" do verão de São Petersburgo, em que o sol praticamente não se põe, dois jovens se encontram numa ponte sobre o rio Nievá, dando início a uma história carregada de fantasia, emoção e lirismo. Não por acaso, a história foi adaptada para o cinema por diretores do porte de Luchino Visconti e Robert Bresson. Escrita em 1848, o livro é um dos mais românticos da carreira de Dostoiévski e um de seus primeiros títulos publicados.

Romance de estreia de Dostoiévski, foi publicado em 1846 e imediatamente aclamado pelo público, fazendo de seu autor, praticamente da noite para o dia, um escritor consagrado. A história passa-se num dos bairros miseráveis de São Petersburgo, onde um funcionário de meia-idade vai trocando correspondência com uma jovem costureira que é na realidade sua vizinha. Mas, demasiado pobres para se casarem, o seu amor passa todo e apenas por estas cartas de dimensão patética, onde contam um ao outro os pequenos acontecimentos do dia-a-dia e onde relatam as suas vidas sofridas, reflectindo individualidades tornadas insignificantes pela miséria.

Novela publicada por Dostoiévski em 1864 e considerada um precursor do existencialismo - movimento popularizado pelo autor. "Notas do subsolo" traz o relato de um anti-herói que, diante das utopias do mundo, reflete sobre sua própria liberdade. Na narrativa, dividida em duas partes, o personagem corrobora seu discurso a partir da experiência, visitando seus abismos mais profundos e explorando, assim, a essência do ser humano. 

O romance de teor psicológico é baseado num profundo conhecimento das práticas e rotinas do cassino, evidenciando a sinistra degradação de um jovem culto e talentoso que sacrifica o melhor de si à doentia paixão pelos jogos de azar, a qual lhe subjuga e destrói, aos poucos, a alma. O protagonista, em que se percebem diversos traços do próprio autor, vê toda a sua riqueza espiritual – dignidade, força de caráter e honra cavalheiresca – levada pela estonteante rotação da roleta. Os vícios humanos, sejam relacionados ao jogo, como no livro de Dostoiévski, como em nossa realidade cotidiana, ainda estão longe de ser extirpados, tornando o livro tão interessante e atual para os leitores.

Tido como o maior clássico de Dostoiévski, um dos maiores clássicos da literatura russa do século XIX e o mais pessoal dos principais romances do autor, o livro narra a história do jovem Príncipe Míchkin, que, após vários anos em um sanatório na Suíça, regressa à Rússia e se depara com um mundo atolado na indolência material cotidiana. Míchkin, tentativa dostoievskiana de “criar a imagem do homem positivamente bom”, se aproxima da personificação mais extremada do ideal cristão de amor que a humanidade em sua forma atual pode alcançar, mas ainda assim dividida pelo conflito entre os imperativos contraditórios de suas aspirações apocalípticas e suas limitações terrenas. A série de eventos e paixões causadas pelo mundano Rogójin e pela bela Nastássia mostram como um homem puro se torna um idiota, um inadaptado em uma sociedade de valores corrompidos. 

O último romance de Dostoiévski, publicado em 1880. Assim como "O Idiota", "Os Irmãos Karamázov" é aclamado em âmbito internacional, a ponto de pertencer à mesma prateleira de "Édipo Rei" e "Hamlet" como os livros mais importantes da literatura, segundo Freud. Cheia de peripécias, o romance narra a história da família Karamazov, focando no assassinato do pai, Fiódor Karamázov, e na investigação que se segue. A trama explora o conflito entre três irmãos: o passional Dmitri, o racional e ateu Ivan, e o fértil e religioso Aliocha. A obra debate questões de fé, razão, moralidade e a complexidade da alma humana através das visões de mundo conflitantes dos irmãos, culminando no julgamento de Dmitri pelo crime. 


 

Para acessar as obras mencionadas, pesquise pelo nome do livro ou do autor e veja em qual biblioteca mais próxima o título está disponível em formato impresso, ou leia digitalmente pela BiblioSP Digital. Acesse pelo link: https://bibliotecacircula.prefeitura.sp.gov.br/pesquisa/

Estes e outros títulos podem ser emprestados gratuitamente mediante inscrição na biblioteca. Para saber mais como se inscrever e retirar livros consulte o Regulamento de empréstimo do Sistema Municipal de Bibliotecas (SMB).

Aproveitem para conferir nossas Dicas de Leitura onde apresentamos outros destaques do acervo do Sistema Municipal de Bibliotecas.

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