Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa
Quixotes lutam pela memória da Cidade
Gilberto Amendola
Eles são românticos quixotes e estão em guerra contra os moinhos de vento do progresso. Assim trabalham os ativistas da associação Preserva São Paulo, que luta pela preservação de construções históricas da Cidade. 'Não existe nada mais moderno do que olhar para o nosso passado', disse o presidente do grupo, Jorge Eduardo, 35 anos.
O JT foi encontrar alguns membros da associação nos escombros de um casarão demolido, na Avenida da Liberdade. 'Essa era a casa mais antiga da região. Hoje, transformou-se em um estacionamento', diz Eduardo. 'O processo de tombamento não foi para a frente. O prédio foi invadido duas vezes e, depois, incendiado. A recomendação das autoridades foi demoli-lo.'
O grupo nasceu em 2005, a partir de uma página de discussão na internet. Atualmente, a associação conta com 150 integrantes. A entidade é formada por advogados, arquitetos, empresários, aposentados e estudantes. O Preserva São Paulo se dedica a denunciar o que já foi perdido e brigar pelo tombamento do que ainda está preservado.
Conversar com seus membros é como entrar no túnel do tempo. Eles gostam de falar sobre bondes, ruas de terra, fábricas antigas, bairros como o Glicério, Bexiga, Brás e o Centro da Cidade. 'Estão transformando São Paulo em um canteiro de obras e destruindo nossa memória. Isso tem de parar', disse Susan Fannace, 54 anos.
Nessa última semana, Eduardo e seus amigos também lamentaram a demolição do Hotel das Bandeiras, na Avenida Cásper Líbero. O centenário edifício deu lugar às obras da Linha 4 do Metrô.
Só no âmbito municipal as instituições que cuidam da preservação são o DPH ( Departamento de Patrimônio Histórico) e o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental). 'A decisão pelo tombamento leva em consideração uma série de fatores sociais, econômicos e demográficos. Dependemos muito do interesse e da colaboração dos proprietários desses terrenos. O Conpresp faz o que pode para preservar a memória da Cidade', afirma presidente do órgão, José Eduardo Lefèvre.
Abraço para tentar salvar o Moinho Santo Antônio
Terreno de 18 mil m2 vai virar condomínio residencial
Hoje, às 10h30, os integrantes do Preserva São Paulo vão dar um abraço simbólico no Moinho Santo Antônio. O grupo é contra o projeto que cria um condomínio residencial no terreno de 18 mil m2 que abriga os galpões do antigo Moinho Minetti-Gamba (do final do século 19), na Rua Borges de Figueiredo, na Mooca, Zona Leste.
'Já estão de olho naquela área também. Se nada for feito, mais uma construção histórica pode ser perdida', disse Jorge Eduardo, presidente do Preserva São Paulo. As imobiliárias Stan e Quality adquiriram o Moinho e pretendem construir quatro edifícios no local. 'Vamos preservar os galpões que eram utilizados na produção, que representam aproximadamente 3 mil m2. Também queremos construir uma praça e destinar um espaço para um teatro ou uma biblioteca', disse o representante das imobiliárias, GianFranco Vanucchi.
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