Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa
Rossini encerra série do Municipal
Veja galeria de fotos da montagem de A Italiana em Argel
João Luiz Sampaio
O Theatro Municipal encerra a partir de hoje, com uma nova produção de A Italiana em Argel, de Rossini, o projeto A Comédia na Ópera, realizado ao longo do primeiro semestre. À frente da Orquestra Experimental de Repertório, o maestro Jamil Maluf comanda o elenco encabeçado por Luisa Franceschoni, Andre Vidal, Stephen Bronk, Douglas Hahn e José Gallisa, com concepção cênica de Hugo Possolo.
A Italiana é a 11ª ópera de Rossini, que a escreveu com apenas 21 anos ao longo de pouco mais de 20 dias. Produzi-la é um projeto antigo do maestro Maluf, que havia pensado no título para dar continuidade, há três anos, à série de óperas que a Experimental de Repertório realizava no Teatro Alfa. 'A série acabou e arquivamos o projeto, também à espera de vozes ideais para este tipo de repertório', conta o maestro.
Uma das mais divertidas comédias de Rossini conta a história de Mustafá, o bey de Argel, que quer se livrar de sua esposa Elvira e, para tanto, tenta convencer Lindoro, italiano aprisionado em suas terras, constantemente sonhando com a amada que deixou em sua terra natal, a casar-se com ela - se o fizer, ganhará como prêmio de consolação a chance de voltar à Itália. Mas eis que um navio vindo da Europa naufraga e, entre os sobreviventes, está a jovem Isabella, por quem Mustafá logo se apaixona. É isso mesmo: Isabella, logo a gente descobre, é a amada de Lindoro. Os dois passam a arquitetar uma maneira de ficar juntos, enquanto Elvira espera que, ao ser enganado por Isabella, Mustafá volte para ela.
A trama se presta perfeitamente ao temperamento de Rossini, que cria aqui algumas de suas cenas mais célebres, como o final do primeiro ato, em que os cantores usam onomatopéias em vez de palavras. 'Sempre que vou interpretar Rossini, a minha primeira preocupação é com a edição da partitura', diz Maluf. 'Suas obras sofreram muito, ao longo dos anos, com acréscimos e mudanças feitas por maestros e editores. Nas últimas décadas, no entanto, a Fundação Rossino de Pesaro tem se dedicado a contratar especialistas para preparar novas edições das partituras. Isso é importante não apenas porque nos aproxima das intenções originais de Rossini. Na Italiana, por exemplo, é fundamental, porque muda toda a nossa percepção da música e do balanço entre as vozes e a orquestra. Rossini escreve para vozes muito específicas, nem muito leves, nem muito pesadas, com um certo metal, o que exige um acompanhamento muito específico da orquestra.'
Ao longo do primeiro semestre, o Municipal de São Paulo programou apenas óperas. Começou com A Filha do Regimento, de Donizetti, seguiu com O Chapéu de Palha de Florença, de Nino Rotta, e agora a série termina com A Italiana em Argel. Por quê? 'A idéia, na verdade, era mostrar como a ópera não trata apenas de histórias dramáticas, que envolvem quase sempre a morte de alguém no final', diz Maluf, que, além de reger a Experimental de Repertório, é também diretor-artístico do Municipal. E, com o fazer rir com a ópera? 'As óperas cômicas têm histórias muito mais complicadas, confusas, intrincadas, que as dramáticas. Num drama, muitas vezes você sabe que caminho a história está seguindo, que alguém vai morrer, etc. Mas em uma comédia como A Italiana tudo pode acontecer'. O segredo, diz, está no timing, no tempo da comédia. 'Rossini nos oferece diversos grandes momentos de comédia. Nossa função é dar ritmo ao espetáculo e aproveitar ao máximo as possibilidades sugeridas pelo compositor. Essa, aliás, acho que é a grande qualidade da montagem do Hugo. Ele não vem da ópera, vem do circo, do teatro. Mas soube entender muito bem as sugestões da obra e surpreende o público a todo instante com sua concepção.'
(SERVIÇO)A Italiana em Argel. Theatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/n.º, 3222-8698. Hoje, 2.ª, 4.ª e 6.ª, 20h30; dia 1.º/7, 17 h. R$ 20 a R$ 40 (dia 25, R$ 10 a R$ 20). Até 1.º/7
Preste atenção...no concertato que encerra o primeiro ato da ópera, Confusi e Stupidi. É o chamado “concertato de estupefação”, momento de que todo o elenco participa, utilizado por Rossini quando a trama chega a um ponto tal de absurdo. Aqui, o curioso é a utilização não de palavras mas, sim, de onomatopéias (din, din, tac, tac, crac, crac, bum, bum).
...nas árias “Cruda Sorte” e “Per lui chi adoro”, de Isabella; “Ah como il cor di giubilo”, de Lindoro; “Ho un gran peso sulla testa”, de Taddeo; ou na cena em que, com espirros, Mustafá tenta sugerir, em vão, aos presentes que o deixem a sós com Isabella.
HAND TALK
Clique neste componente para ter acesso as configurações do plugin Hand Talk