Secretaria Municipal da Saúde
“Missão Glicada” transforma acompanhamento do diabetes em desafio lúdico na UBS Parque Regina

Matheus Sales e parte da equipe durante uma das atividades do "Missão Glicada" na UBS Parque Regina (Acervo/SMS)
Uma iniciativa desenvolvida na Unidade Básica de Saúde (UBS) Parque Regina, na zona sul da capital, tem transformado a forma como pessoas com diabetes se relacionam com o próprio tratamento. Batizada de “Missão Glicada”, a estratégia utiliza elementos de games para tornar o acompanhamento da doença mais acessível, participativo e compreensível, estimulando o engajamento dos usuários e fortalecendo o vínculo com a equipe de saúde.
Matheus Sales, enfermeiro no equipamento de saúde da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), que é gerida pelo Einstein Hospital Israelita, teve a ideia a partir da observação de que muitos pacientes estavam afastados das consultas, com exames desatualizados e dificuldades para compreender a importância do controle glicêmico.
Diante desse cenário, o profissional desenvolveu uma metodologia que traduz os processos de cuidado em uma linguagem mais próxima do cotidiano dos usuários. “Passamos a apresentar os exames como ‘missões’, com os resultados do exame de hemoglobina glicada (HbA1c) demonstrados por meio de um sistema de semáforo que sinaliza os níveis de risco e auxilia na compreensão da evolução clínica”, explica Matheus, que trabalha em conjunto com uma médica, dois auxiliares de enfermagem e cinco agentes comunitários de saúde (ACSs).
Engajamento
A hemoglobina glicada (HbA1c) é um exame de sangue que mostra a quantidade média de açúcar no sangue nos últimos três meses. A Missão Glicada é dividida em cinco fases, realizadas no mesmo dia: 1) informações sobre educação em saúde com os agentes comunitários de saúde; 2) coleta de sangue para exame de hemoglobina glicada com os auxiliares de enfermagem; 3) orientações sobre alimentação com nutricionista; 4) avaliação dos pés diabéticos; e 5) convite para um novo encontro em 30 dias para receber os resultados dos exames.
Com base nos resultados dos exames, os pacientes foram classificados conforme os significados das cores do semáforo: verde significava que o diabetes estava sob controle e um novo exame de hemoglobina glicada poderia ser feito em seis meses; amarelo apontava para necessidade de consulta com médico e nutricionista na UBS em 30 dias, além do requerimento de exame de hemoglobina glicada em três meses; já o vermelho indicava diabetes alterada, com marcação de consulta com médico e nutricionista em até sete dias e coleta de hemoglobina glicada em três meses.
Matheus conta que ao longo de sua implementação, a Missão Glicada mostrou resultados que vão além do aumento da realização de exames e consultas: a estratégia ampliou o diálogo sobre o diabetes, fortaleceu a participação dos pacientes nas decisões relacionadas à própria saúde e tornou o acompanhamento mais próximo e significativo.
“Percebemos um grande engajamento dos 186 pacientes diabéticos do território, com resultados bastante positivos. No início de 2025, fizemos exame de hemoglobina glicada com 20% desses pacientes e destes, 50% estavam com a doença sob controle. Já no fim de 2025, o exame foi realizado com 73% dos pacientes, sendo que 63% destes apresentaram a diabetes controlada”, conta Sales. Segundo ele, três pacientes que participavam do Programa de Automonitoramento Glicêmico (Pamg) na UBS inclusive deixaram de usar insulina.
Reconhecimento
O reconhecimento da iniciativa veio ainda em 2025, quando a experiência conquistou o primeiro lugar no 2º Congresso da Associação Brasileira de Enfermagem de Família e Comunidade (Abefaco), destacando-se como uma prática inovadora na Atenção Primária à Saúde.
A simplicidade da metodologia e os resultados alcançados têm despertado o interesse de outras equipes, contribuindo para a disseminação da estratégia em diferentes unidades e territórios. Com isso, o projeto vem sendo apresentado em diferentes espaços de compartilhamento de boas práticas, incluindo reuniões de gestores da Coordenadoria Regional de Saúde Sul e encontros com lideranças técnicas da rede municipal.
Para o enfermeiro, mais do que uma ação voltada ao controle do diabetes, a Missão Glicada demonstra o potencial do uso de elementos típicos dos jogos – a chamada “gamificação” - como ferramenta de educação em saúde. Ao tornar os processos de cuidado mais claros, participativos e acolhedores, a iniciativa fortalece o protagonismo dos usuários e amplia as possibilidades de construção de uma atenção à saúde mais próxima das necessidades da população.
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