Secretaria Municipal da Saúde
Casa Angela celebra 10 anos de SUS

Suzana Silva de Souza, mãe de seis filhos, todos acompanhados pela Casa Angela (Acervo/SMS)
Suzana Silva de Souza tinha 24 anos quando chegou à Casa Angela - Centro de Parto Humanizado pela primeira vez. Grávida de sua primeira filha, Tamires, hoje com 13 anos, encontrou no espaço muito mais do que um lugar para dar à luz. Foi ali que recebeu acolhimento em um dos períodos mais difíceis de sua vida, ao enfrentar uma grave depressão pós-parto. Com cuidado profissional, escuta empática e respeito, Suzana foi tratada, apoiada e fortalecida. “Eu vim para cá sem nenhuma rede de apoio, mas a equipe da Casa Angela se tornou a minha família”, afirma.
Suzana conta que os seis filhos, quatro deles nascidos ali, foram acompanhados pela Casa Angela. Também foi na casa de parto, localizada no Jardim Mirante, zona sul da capital, que ela participou de cursos e processos de capacitação, descobrindo em si um talento que mudaria sua trajetória: aprendeu a confeccionar slings, tecidos utilizados para carregar bebês junto ao corpo da mãe, e transformou o aprendizado em fonte de renda. Suzana empreendeu, vive desse trabalho e por meio de oficinas oferecidas pela Casa, ainda ensinou outras mulheres a fazerem o mesmo. “Minha história se mistura com a história da Casa Angela. Eu sei que aqui tenho um porto seguro, um lugar onde posso pedir ajuda e me fortalecer. Minha última filha, Rafaela, nasceu aqui há um mês, e espero ver meus netos também nascendo neste espaço”, diz.
A trajetória de Suzana expressa, de forma concreta, o impacto da Casa Angela na vida das mulheres: um cuidado que não se encerra no parto, mas acompanha a gestante, o bebê e a família, fortalece vínculos e amplia o acesso ao parto humanizado na rede pública. Essa história se entrelaça a um marco fundamental: o convênio da Prefeitura de São Paulo com a casa, que este mês completa 10 anos. A parceria firmada em 2015 por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que já contava com a Casa do Parto de Sapopemba, na zona leste, consolidou o parto humanizado como uma possibilidade real no SUS da capital.
Segundo Sandra Sabino, secretária-executiva de Atenção Básica, Especialidades e Vigilância em Saúde (Seabevs) da SMS, “A Casa Angela realiza um trabalho impecável no atendimento às gestantes, no parto humanizado e no acolhimento às mães e aos bebês; é uma opção que a gestão municipal oferece a todas as gestantes paulistanas para que possam viver o parto da maneira mais natural possível, com acompanhamento qualificado, atendimento humanizado e total segurança.”
Desde 2009, quando foi fundada, 4.265 bebês nasceram na Casa Angela, todos em partos de baixo risco realizados de forma respeitosa, com base em evidências científicas e no protagonismo das mulheres. Nesse período, milhares de mulheres puderam parir com segurança, acolhimento e afeto, independentemente de sua condição social ou econômica. Cada nascimento carrega a marca do trabalho em equipe e da confiança construída entre profissionais, gestantes e o sistema público de saúde.
São 4.265 histórias que reafirmam o direito ao cuidado digno, à escuta qualificada e à autonomia no momento do nascimento. Para Amanda Meskauskas Melkunas, gerente da Casa Angela, o significado desse convênio vai além dos números. “Celebrar esses 10 anos é celebrar muito mais do que um acordo institucional; é reconhecer a potência do SUS quando ele se encontra com iniciativas comprometidas com a humanização do cuidado.”
Além da assistência ao parto, a Casa Angela consolidou-se neste período também como referência em saúde sexual e reprodutiva. Atualmente, é um dos equipamentos de saúde que mais realiza inserções de contraceptivos reversíveis de longa duração (LARCs) no município de São Paulo, com média de 50 procedimentos por mês, entre DIU de cobre, DIU hormonal (Mirena) e Implanon. A atuação amplia o acesso ao planejamento reprodutivo e fortalece a autonomia das mulheres sobre seus corpos e projetos de vida.
Cuidando do nascer com respeito e segurança
Hanna Sabóia, 35 anos, uma das mulheres presentes à comemoração dos 10 anos da Casa Angela no SUS, realizada na última quarta-feira (17), relata sua história: grávida do segundo filho, ela iniciou o trabalho de parto na Casa, mas precisou ser transferida para um hospital em função da presença de mecônio no líquido amniótico. “A gente veio para cá, mas precisou ir de ambulância para o hospital porque o líquido estava bem amarelado. Para mim, foi muito doloroso não ter o parto do meu filho aqui. Mesmo assim, a Casa Angela esteve presente o tempo todo. Recebi apoio para a amamentação, para o cuidado com o bebê e também no acompanhamento psicológico. Foi um lugar que me acolheu em tudo, não só no pré-natal ou no parto, mas com carinho, cuidado e colo em todo o processo”, conta.
Com protocolos rigorosos de segurança, a Casa Angela, que é administrada pela Organização Social de Saúde (OSS) Monte Azul, acompanha gestantes a partir da 28ª semana de gestação, desde que a gravidez seja de baixo risco e o pré-natal esteja sendo realizado em uma das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da capital. Até a 37ª semana, as consultas são quinzenais, em paralelo ao acompanhamento na UBS. A partir daí, passam a ser semanais ou conforme a necessidade, até o momento do parto.
De acordo com o protocolo da SMS para casas de parto, o nascimento pode ocorrer até a 41ª semana de gestação. Caso esse limite seja atingido, a gestante é encaminhada ao hospital de referência do território, que, no caso da Casa Angela, é o Hospital Municipal Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha (Campo Limpo), localizado a apenas cinco minutos de ambulância. Após o parto, os bebês recebem todas as vacinas indicadas, realizam os exames de triagem neonatal, como o teste do pezinho, e são acompanhados pela equipe da casa de parto até um ano de idade, dando continuidade ao cuidado posteriormente na UBS de referência.
Para a equipe da Casa Angela e para as milhares de mulheres assistidas pelo equipamento, celebrar os 10 anos do convênio com o SUS da capital é celebrar a força de uma política pública construída no território, com vínculo, equidade e compromisso permanente com a saúde materna e infantil. É celebrar profissionais que escolhem cuidar todos os dias, mulheres que puderam parir com autonomia e bebês que chegaram ao mundo acolhidos. A Casa Angela segue sendo casa: casa de nascer, de aprender, de influenciar políticas públicas e de sonhar. Um legado construído por muitas mãos, e que continua transformando histórias, como as de Suzana e Hanna, todos os dias.
HAND TALK
Clique neste componente para ter acesso as configurações do plugin Hand Talk
