Secretaria Municipal da Saúde
Caps AD III Jardim São Luiz celebra sete anos com atendimento a cerca de 5 mil pacientes

Profissionais da saúde que trabalham no Caps AD III Jardim São Luiz (Foto: Divulgação/SMS)
Um cortejo de Folia de Reis deu início à celebração de sete anos do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas III (Caps AD III) Jardim São Luiz, da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), nesta quarta-feira (7). A apresentação do grupo, que é tradicional no território, está presente nas principais datas comemorativas do equipamento que já atendeu cerca de 5 mil pacientes.
Além do tratamento medicamentoso, as atividades culturais são estratégias do projeto terapêutico singular para os pacientes, por meio de oficinas de música e escrita. “Toda manifestação artística pode contribuir para a produção de saúde mental, pois ajuda o paciente a se expressar, a se reconectar consigo próprio e a produzir sentido”, explica o psicólogo Amaro Souza de Oliveira, que nasceu e mora no Jardim São Luiz.
Uma das marcas registradas é o sarau, que acontece desde a inauguração do equipamento. “Os profissionais de saúde têm um olhar e escuta atenta para mapear as potencialidades de cada paciente e transformar em uma ferramenta de cuidado. Temos apresentações de pacientes que cantam, fazem poesias e tocam instrumentos, além do microfone aberto para que as pessoas possam se manifestar”, diz Oliveira.
Já o Projeto Rolê Cultural busca promover passeios semanais, pois os pacientes com transtornos mentais buscam ficar isolados em suas casas. O grupo já visitou espaços localizados na região como Casas de Cultura, Fábricas de Cultura, Centros Educacionais Unificados (CEUs) e Sescs, além de conhecer lugares icônicos como o Museu de Artes de São Paulo (Masp), a Pinacoteca e o Museu da Língua Portuguesa. “Os pacientes conectam o prazer com o uso de substâncias. Nossa proposta é proporcionar novas experiências, construir memórias, além de produzir conexões e fortalecer o vínculo com o grupo”, diz Amaro.
A Economia Solidária é outra estratégia que envolve a produção artística, por meio de oficinas manuais de artesanato, como tricô, crochê e pintura. Com o objetivo de integrar terapia e trabalho, promovendo geração de renda e reinserção social, os trabalhos produzidos pelos grupos são expostos durante os saraus.
Terapias
O equipamento disponibiliza diversas terapias que fazem parte das Práticas Integrativas e Complementares (Pics) como meditação, ioga, reflexologia, aromaterapia e auriculoterapia. Como diferencial, há atividades da medicina antroposófica como escalda-pés e envoltório, que propõem o uso do calor em contato com a pele para restaurar o equilíbrio e a saúde.
“As Pics auxiliam na organização psíquica e no manejamento de crises dos pacientes, como quadros depressivos e fissuras durante a abstinência de substâncias”, explica a enfermeira Ana Paula Pereira de Araújo, que trabalha no CAPS AD III Jardim São Luiz desde a sua inauguração,
“Temos um paciente idoso, por volta de 70 anos, que apresenta um quadro de ansiedade tão intenso que se assemelha a uma crise convulsiva. Fizemos oito sessões da terapia de escalda-pés, com óleos de lavanda e alecrim, e os resultados foram bastante positivos. Ele não tem mais crises e nem choros, e continua fazendo outras terapias no nosso equipamento”, conta.
Um mais um é sempre mais que dois
Perseverança. Essa é a palavra que a diarista Meire Silva Toledo Rocha, 55 anos, define para o seu tratamento contra a dependência em álcool no CAPS AD III Jardim São Luiz. “O primeiro passo é o tratamento. É uma forma de amor a si próprio e aos outros porque não percebemos o mal que fazemos para as pessoas que nos amam”.
Ela participa das oficinas, terapias e atividades culturais como uma forma de fortalecer o seu tratamento. “Eu fiz um resgate do crochê, que tinha aprendido na minha infância. E já fiz até uma exposição”, conta. “Aqui é um local de acolhimento, respeito e trocas. Sinto que estamos todos aqui pelo mesmo ideal”.
Essa é a mesma percepção de Bruno Leonardo Oliveira, ajudante de cozinha, de 43 anos. “As histórias são parecidas. Aqui a gente aprende várias ferramentas para lidar com diferentes momentos”, conta. “Eu sempre fui bem acolhido, nos meus altos e baixos. O tratamento realmente funciona. Para algumas pessoas o processo é mais rápido. Para outras é mais demorado”.
Para o psicólogo, as recaídas fazem parte do processo de recuperação. “Temos muitos resultados positivos com os tratamentos. Mas todos nós estamos propensos a crises, que são oportunidades de olhar para nossas fragilidades e acessar os recursos que nos fortalecem. Eu costumo dizer para os meus pacientes não temerem as recaídas. O importante é não desistir de se cuidar", complementa Oliveira.
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