Secretaria Municipal da Saúde

Quarta-feira, 4 de Março de 2026 | Horário: 15:00
Compartilhe:

Cidade de São Paulo registra queda de novos casos de infecção pelo HIV pelo 9º ano consecutivo

Em 2025, foram 56% menos registros que em 2016, resultado da inserção dos serviços especializados no cotidiano da população
A imagem mostra uma unidade móvel de atendimento em saúde instalada em uma calçada arborizada, em uma área urbana. Trata-se de um trailer identificado como “CTA da Cidade”, utilizado para ações de prevenção, testagem e orientação em saúde.  Em frente ao veículo, há várias cadeiras plásticas brancas organizadas em fileiras, indicando que o local recebe atendimento ao público. Algumas pessoas estão sentadas e sendo atendidas por profissionais, enquanto outras aguardam.  O cenário ao redor revela um ambiente típico de centro urbano, com prédios altos ao fundo, árvores, bancos de praça e calçadas largas. À direita, há um pequeno espaço verde com bancos, sugerindo que a ação ocorre em uma praça ou área pública.  A iluminação natural e o céu azul indicam que a foto foi feita durante o dia, em horário de boa luminosidade. A composição transmite a ideia de um serviço de saúde acessível, realizado fora das unidades tradicionais, diretamente no espaço público, aproximando o atendimento da população

CTA da Cidade no Largo do Arouche: serviços extramuros são chave na promoção do acesso a estratégias de diagnóstico e prevenção (Acervo/SMS)

A cidade de São Paulo comemora a redução no número de novos casos de HIV pelo 9° ano consecutivo. De acordo com a última edição do Boletim Epidemiológico de HIV/Aids da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), as notificações caíram de 3.761, em 2016, para 1.662 em 2025, o que representa uma queda acumulada de 56%. No mesmo período, a taxa de detecção diminuiu 57,5%, passando de 32,3 para 13,7 casos por 100 mil habitantes, sendo observado, em paralelo, um aumento significativo no número de testagens na capital com mais de 12 milhões de habitantes.

A diminuição dos casos de infecção pelo HIV foi observada em ambos os sexos, com maior magnitude entre os homens, especialmente entre os mais jovens. Na população masculina, o número de casos teve uma redução 58,8% nos registros entre 2016 e 2025, passando de 3.138 para 1.291 diagnósticos positivos, com destaque para a faixa etária entre 15 a 24 anos, em que houve a maior redução: 65%.

Entre as mulheres, os dados também apontam queda consistente, chegando a 40,4% no período analisado, passando de 623 para 371 diagnósticos positivos. Nos anos mais recentes, observa-se aumento da procura desta população pelos serviços de prevenção, especialmente pela profilaxia pré-exposição (PrEP), o que tem ampliado também o acesso à testagem entre esse grupo.

Segundo a coordenadora de IST/Aids da cidade de São Paulo, Cristina Abbate, é necessário ampliar o conhecimento das mulheres sobre a PrEP como estratégia de prevenção ao HIV. “É importante que elas saibam que também podem acessar essa estratégia, especialmente aquelas em situações de maior vulnerabilidade. Quanto mais as mulheres conhecem a PrEP, mais elas se testam, se cuidam e exercem autonomia sobre sua saúde sexual”, afirma.

Estratégias de acesso são prioridade
A expansão da oferta de PrEP é apontada como um dos principais fatores associados à redução dos novos casos de HIV na cidade. A estratégia tem contribuído de forma decisiva para a diminuição das infecções, especialmente entre populações desproporcionalmente impactadas pela epidemia, como homens jovens e homens que fazem sexo com homens (HSH). Embora esse grupo ainda concentre a maior proporção dos diagnósticos, houve redução de 56,4% no número de casos desde 2016.

Atualmente, a capital conta com cerca de 80 mil pessoas cadastradas para uso da PrEP. A ampliação do acesso à profilaxia, que previne a infecção pelo HIV em situações de exposição de risco e é oferecida gratuitamente pelo SUS, ocorre em paralelo à queda contínua dos novos casos. Além de expandir a cobertura, a política prioriza populações mais vulneráveis, promovendo uma oferta orientada por dados epidemiológicos.

Segundo Cristina Abbate, a adoção de estratégias que ampliam o acesso aos serviços de prevenção e cuidado é um dos fatores centrais para esse avanço. “Temos investido em ações que derrubam barreiras, com oferta de atendimento em horários ampliados e em espaços públicos, de forma integrada à rede especializada e orientada pelas reais demandas da população”, destaca.

Entre as iniciativas que inserem a prevenção no cotidiano das pessoas estão a unidade itinerante CTA da Cidade, a Estação Prevenção – Jorge Beloqui, na estação República (Linha 3 – Vermelha do Metrô), o canal SPrEP – PrEP e PEP online no aplicativo e-saúdeSP, as máquinas automáticas de PrEP e PEP em estações de metrô e os armários de autoteste de HIV, que também oferecem kits com preservativos, gel lubrificante e orientações especializadas.

Essas ações se caracterizam por formatos descentralizados, funcionamento em horários alternativos — incluindo fins de semana e feriados —, localização estratégica e uso de recursos digitais, facilitando o acesso da população.

A ampliação de iniciativas extramuros tem sido um dos principais vetores de transformação do cenário epidemiológico na capital. Em 2025, foram realizados mais de 545 mil testes rápidos, dos quais cerca de 90 mil ocorreram em atividades em locais públicos e de grande circulação, fora das unidades de saúde, representando aumento de 168% em relação ao ano anterior. No mesmo período, foram realizadas mais de 1.300 edições do PrEP na Rua, que leva serviços especializados a espaços de convivência, cultura, transporte e lazer.

Desde dezembro de 2025, o município também disponibiliza armários automáticos para retirada de autotestes de HIV por meio de QR Code, garantindo acesso rápido, seguro e gratuito. Os equipamentos estão no Parque Augusta e na Galeria Olido, no Centro; no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, na Zona Norte (Brasilândia); no Terminal Lapa, na Zona Oeste; e no Centro Cultural Grajaú, na Zona Sul.

Além disso, as máquinas automáticas de entrega de PrEP e PEP podem ser utilizadas após teleconsulta pelo SPrEP – PrEP e PEP online, no aplicativo e-saúdeSP, permitindo a retirada prática da medicação. Elas estão localizadas nas estações Brás (Linha Vermelha), Luz e Vila Sônia (Linha Amarela), Santana (Linha Azul) e Consolação (Linha Verde), funcionando durante todo o horário de operação. Desde o lançamento, em junho de 2024, já foram realizadas mais de 9 mil retiradas.

Transmissão vertical já foi eliminada
Outra estratégia fundamental para conter a epidemia é garantir que as pessoas diagnosticadas com HIV estejam em tratamento contínuo. Na rede municipal especializada, 96% das pessoas em tratamento apresentam supressão viral, o que significa que, ao manter a carga viral indetectável por mais de seis meses, a pessoa não transmite o vírus. Nesse contexto, a ampliação do acesso ao diagnóstico e ao início precoce do tratamento tem se mostrado uma medida eficaz e vem sendo fortalecida na cidade.

Além dessas conquistas, São Paulo eliminou a transmissão vertical do HIV, sendo certificada pelo Ministério da Saúde em 2019 e recertificada bienalmente em 2021 e 2023. Manter esse êxito é desafiador, pois a cidade atende mais de 120 mil gestantes anualmente, incluindo cerca de 300 vivendo com HIV. Em 2025, a taxa de transmissão vertical do HIV foi de 0,02 por 1.000 nascidos vivos, mantendo-se abaixo do limite de 0,5 necessário para a certificação da eliminação da transmissão.

Os dados do Boletim Epidemiológico se baseiam nos casos notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e foram coletados de janeiro a dezembro de 2025 . Todas as informações são preliminares e estão sujeitas a revisão.

Acompanhe as principais divulgações SMS também nas nossas redes sociais:
Facebook - saudeprefsp
Instagram - @‌saudeprefsp 
Twitter - @‌saudeprefsp 
TikTok - saudeprefsp
LinkedIn - saudeprefsp

collections
Galeria de imagens