Secretaria Municipal da Saúde
Com 8,8 milhões de aferições, São Paulo avança no combate à hipertensão

Na UBS Veleiros, o cuidado com a hipertensão vai além do consultório. O acompanhamento contínuo ajuda a manter os níveis pressóricos estáveis e reduz o risco de complicações cardiovasculares (Acervo/Ascom)
Aos 83 anos, Altina Marques encontrou na Unidade Básica de Saúde (UBS) Veleiros, unidade da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) localizada na zona sul, um ponto de virada para sua saúde. Foi após a perda da mãe, há quatro anos, que começaram os primeiros sinais de alerta. “Eu comecei a me sentir diferente, a ficar com tontura e passar mal. Aí fui procurar a UBS para saber o que estava acontecendo e descobri que estava com hipertensão e diabetes”, conta.
Desde então, ela passou a ser acompanhada pela equipe da unidade, e a mudança foi significativa. “Mudou tudo. Até o meu humor melhorou. Hoje minha pressão está ótima, estou me sentindo bem, com todos os índices controlados”, relata.
Altina participa regularmente das atividades da UBS, como exercícios físicos, alongamentos e grupos de convivência. “Eu faço ginástica, dança, e também atividades para a memória. Isso ajuda muito. A gente se sente acolhida, cuidada”, diz. Para ela, o acompanhamento contínuo faz toda a diferença: “Eu fico feliz de vir aqui, conviver com pessoas de diferentes faixas etárias e receber o apoio dos profissionais que nos tratam com tanto carinho. Eles nos ajudam a cuidar do corpo e da mente. É um compromisso com a minha saúde”.
Dados do último Inquérito de Saúde da Cidade de São Paulo (ISA Capital 2024) mostram que a hipertensão segue como um importante desafio de saúde pública. Em 2024, a prevalência da doença entre pessoas com 20 anos ou mais, na cidade de São Paulo, chegou a 26,3%; um crescimento significativo em relação a 2003 (17,0%) e 2008 (21,7%). Entre idosos o índice é ainda mais elevado: 58,5% têm diagnóstico de hipertensão.
Atenção Básica que transforma indicadores
Os resultados do trabalho na Atenção Básica já se refletem nos indicadores do município. Somente em 2025, foram realizadas 8.837.008 aferições de pressão arterial nas unidades da rede. Esse esforço tem impacto direto na redução de casos graves. No último quadrimestre de 2025, as internações por causas cardiovasculares caíram para 17.725, uma redução de 29% em relação à média dos anos anteriores, de 25 mil internações.
A SMS tem fortalecido ações de prevenção e cuidado contínuo na Atenção Básica, com destaque para iniciativas como o Cantinho Cuidando de Todos e estratégias territoriais conduzidas pelos Núcleos de Vigilância em Saúde da Atenção Básica (Nuvis-AB). O objetivo é atuar no cuidado integral das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), com ações que envolvem prevenção, conscientização, rastreamento, controle, tratamento e estímulo à adesão ao cuidado.
Para a interlocutora da área de DCNT, Mônica Masumi Hosaka, “o diagnóstico precoce da hipertensão é fundamental para identificar a doença ainda em fase inicial, muitas vezes sem sintomas, permitindo o início oportuno do cuidado. O acompanhamento contínuo garante o controle adequado da pressão arterial, previne complicações e fortalece o vínculo do paciente com a equipe de saúde, promovendo mais qualidade de vida.”
Na capital, o programa Cantinho de Todos, um espaço estruturado dentro das UBSs para ampliar o rastreamento e a detecção de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, já está presente em 372 unidades, e ajudou a promover um salto expressivo no controle da pressão arterial entre pacientes. O avanço está diretamente relacionado ao fortalecimento do cuidado contínuo, à padronização de protocolos e ao acompanhamento sistemático por parte da equipe Multi.
Na UBS Veleiros, esse trabalho ganhou força a partir de 2024, quando a atual gerente, Sueli Domingos dos Santos Oliveira, percebeu que havia oportunidade para ampliar a notificação dos casos de DCNTs no território.
A partir daí, o tema foi discutido em reunião do Nuvis da unidade e a equipe estruturou um plano de ação com foco na busca ativa e na organização do cuidado. “Fomos ao território, fizemos parcerias com condomínios, realizamos vacinação e, ao mesmo tempo, aferição de pressão e glicemia. Também passamos a identificar pacientes dentro da própria unidade, em todos os pontos de atendimento”, detalha.
O resultado foi um salto expressivo: hoje, são 3.331 pacientes identificados com DCNTs, um aumento de mais de 1.000% em relação ao cenário inicial. Entre eles, 2.115 (63,5%) são hipertensos, sendo 1.730 acompanhados continuamente. A estratificação de risco também permitiu qualificar o cuidado: 895 pacientes foram classificados como de alto risco, 646 como risco médio e 191 como baixo risco.
Além de ampliar o diagnóstico, a UBS reorganizou o fluxo de atendimento, com criação de grupos multiprofissionais, reserva de agenda para pacientes crônicos e acompanhamento sistemático. “O grande desafio é o vínculo. O que fez diferença foi o trabalho de educação em saúde e o envolvimento da equipe multiprofissional com o cuidado integral”, afirma Sueli.
A unidade passou a apresentar altos índices de pacientes com acompanhamento regular (Grau 10) e baixos percentuais de pacientes sem consultas no último ano (Grau 0), evidenciando maior adesão ao cuidado. Outro destaque é o trabalho do Nuvis-AB da unidade, responsável por qualificar o monitoramento dos casos e apoiar a tomada de decisão das equipes. A iniciativa foi reconhecida como experiência exitosa e apresentada no IV Encontro Municipal dos Núcleos de Vigilância das UBS de São Paulo, realizado em novembro de 2025.
Para a paciente Altina, o recado é simples e direto: “Tem que fazer tudo direitinho: tomar o remédio, obedecer às orientações dos profissionais de saúde, participar das atividades e se cuidar. Isso faz toda a diferença.”
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