Secretaria Municipal da Saúde

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Quarta-feira, 12 de Novembro de 2025 | Horário: 14:00
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Com batalha de rima, Caps dialoga e estabelece vínculo com adolescentes

Ação é resultado de oficina de poesia em unidade infantojuvenil III do Jardim São Luís, na zona sul
A imagem registra dois jovens negros se confrontando em uma batalha de rimas ao ar livre. O jovem da direita segura um microfone, e o da esquerda gesticula em direção ao outro. O público assiste em frente a um banner de evento e a um prédio grande de cor clara, com a cena capturada em uma perspectiva de baixo para cima.

É com um mergulho no universo dos jovens que o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Infantojuvenil III Jardim São Luís promoveu, no último dia 30 de setembro, uma batalha de rima, que reuniu não apenas os usuários do equipamento, mas também adolescentes do território e MCs convidados para estimular e desafiar os participantes.

O objetivo da atividade foi aproximar os jovens do movimento do Caps. “É um trabalho de reabilitação e de inserção social”, explica Henrique Vasconcelos, oficineiro da unidade, localizada na zona sul da capital e gerida pela organização social em saúde (OSS) Associação Comunitária Monte Azul. Para ele, essa forma de expressão artística, ao mesmo tempo que representa um espaço de resistência da cultura periférica, ajuda os participantes a lidar com frustrações e emoções, já que a rima é também um espaço de expressão de sentimentos.

“Já realizamos outra batalha de rima e percebemos como esses eventos permitem falar sobre liberdade e expressão de cada jovem”, ressalta a gerente do Caps Jardim São Luís, Carla Gameiro. “Também buscamos que nossos próprios usuários – crianças e adolescentes – participem e compreendam que essa é uma atividade cultural, parte da cidade. Essa é uma das funções do Caps: aproximar nossa população do que acontece no território e na cidade.”

Carla conta que a atividade foi proposta para atrair o público adolescente. A ideia é trazer para dentro do serviço algo que acontece no entorno, no território, e, assim, estimular que os jovens conheçam o trabalho do Caps e estabelecer vínculo com uma faixa etária que é naturalmente resistente aos cuidados com a saúde, principalmente a saúde mental.

O público atendido pelo Caps IJ é de crianças a partir de aproximadamente dois ou três anos de idade até o final da adolescência – 17 anos e 11 meses. Quando um adolescente em tratamento completa 18 anos, pode permanecer no equipamento até concluir o acompanhamento ou ser encaminhado a outro serviço da rede.

Entre os sofrimentos atendidos pelo Caps IJ Jd São Luis , a gerente Carla, terapeuta ocupacional de formação, aponta que há muitas crianças com atraso no desenvolvimento, com transtorno do espectro autista e transtorno opositor desafiador. Já entre os maiores, há muitos casos de transtornos emocionais, como depressão. “Também atendemos usuários de substâncias psicoativas, que são acompanhados com atividades específicas”, pontua.

Rima e poesia: expressão e aprendizado emocional
Esta segunda edição da batalha de rima dentro do Caps nasceu da oficina de artes que ocorre às quintas-feiras à tarde no serviço e envolve tanto pacientes da ambiência quanto os que estão em acolhimento integral (jovens que precisam de uma intervenção mais longa, inclusive durante o período noturno).

“A partir das experiências nas oficinas, percebemos a necessidade de expandir o trabalho artístico para algo mais específico. Por isso, criamos também a oficina de rima e poesia, às terças-feiras. A partir disso, surgiu a ideia de trazer novamente uma atividade cultural para dentro do serviço”, explica o oficineiro Henrique.

A experiência tem dado certo. Os cerca de 30 jovens que participaram da segunda edição da batalha de rima, como plateia ou se apresentando, mostram o envolvimento e o reconhecimento pelo trabalho e pelos profissionais do Caps. A apresentação também teve artistas convidados, como os MCs Coala e Nankim, o DJ Jim do Beat e o o músico Cocão Avoz, representante da Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia).

A ideia é que as apresentações sejam realizadas a cada dois meses, como parte da oficina de rima e poesia, que ensina previamente a estrutura dos versos e estimula o pensamento. Henrique explica que não há limite de idade para participar e conta que há MC que rima desde os seis anos de idade.

Nas batalhas, destaca o oficineiro, as provocações acontecem dentro de uma licença poética, e isso ajuda os jovens a lidar com situações da vida real: “Quando acaba a batalha, acabou a situação. Não é algo real, é figurativo.”

Essas experiências, acrescenta Henrique, geram habilidades importantes para a vida: “Eles desenvolvem tolerância à frustração, mais paciência e conseguem estruturar melhor a linha de pensamento. Para rimar, você precisa pensar à frente e no presente ao mesmo tempo. Tudo isso gera competências que eles levam para fora do espaço de saúde, para o espaço de vida.”

Acolhimento e atividades
Quando uma criança ou adolescente chega ao Caps IJ Jd São Luis, passa primeiro por um acolhimento, conduzido por um profissional técnico da equipe. Nesse momento, são recebidos junto com a família e têm sua história ouvida. Depois, passam por avaliações mais detalhadas.

A partir daí, cada faixa etária participa de atividades adequadas ao seu momento de desenvolvimento: os pequenos fazem estimulação neurológica, motora e sensorial. As crianças maiores participam de atividades artísticas, culinária e organização da vida diária. Já os adolescentes têm oficinas de artes, esportes e saídas externas.

O Caps também mantém grupos “de saída”, que possibilitam aos jovens explorar o que a cidade oferece. “Nós proporcionamos aos adolescentes atividades esportivas, culturais e de lazer, para que se apropriem dos espaços públicos e saibam que podem pertencer à cidade”, conta a gerente da unidade.

Essas saídas incluem visitas a museus, parques, cinema e outros locais que oferecem entrada gratuita. Além disso, há apoio para que os jovens façam a carteirinha do CEU (Centro de Ensino Unificado da Prefeitura de São Paulo), permitindo frequentar a piscina e outras atividades, que também ajudam na aproximação e na permanência dos jovens no serviço.

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