Secretaria Municipal da Saúde
Dia do Acupunturista: profissionais levam técnica aos equipamentos da Saúde e também às pessoas em situação de vulnerabilidade

Ao chegar às praças e ruas de São Mateus, na zona leste, Pollyane de Castro Tonon é recebida com entusiasmo pelas pessoas atendidas pelo programa Consultório na Rua, iniciativa da Prefeitura de São Paulo. Polly, como gosta de ser chamada, é médica generalista e também acupunturista, carregando consigo as agulhinhas que aliviam dores e ajudam no tratamento de múltiplas condições de saúde. Ela é um dos quase 100 profissionais habilitados a atuar com acupuntura na rede municipal de saúde, lembrados neste 23 de março, Dia do Acupunturista.
Reconhecida como especialidade médica desde 1995, a acupuntura integra o Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2006, com a criação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC). Por todos esses benefícios, somente em 2025, os equipamentos da Secretara Municipal da Saúde (SMS) realizaram 91.642 sessões de acupuntura.
“A acupuntura é uma prática terapêutica da medicina tradicional chinesa e tem uma visão integral do ser humano. O objetivo é promover o equilíbrio energético e cuidar da pessoa de forma holística”, explica Adalberto Kiochi Aguemi, diretor da Divisão de Promoção da Saúde e coordenador de Saúde Integrativa (Pics) da SMS.
Segundo ele, dentro das Pics, a prática funciona como um recurso terapêutico associado ao tratamento clínico convencional, trazendo benefícios para dores crônicas e agudas e auxiliando também em quadros leves de saúde mental, como ansiedade e depressão. A técnica apresenta poucos efeitos colaterais e pode contribuir para a redução do uso de medicamentos.
Polly, que há mais de cinco anos integra a equipe multidisciplinar do Consultório na Rua da Unidade Básica de Saúde (UBS) Parque São Rafael, conta que decidiu estudar acupuntura para incorporar a técnica ao atendimento da população em situação de rua. “Fiz a pós-graduação para levar a prática ao meu trabalho no atendimento à população de rua, com o objetivo de aliviar dores físicas, ansiedade e sofrimento mental, além de melhorar a qualidade do sono”, afirma.
Quando chega aos locais de atendimento, ela chama cada um pelo nome, conhece a sua história e faz perguntas específicas: “A tosse melhorou?”, “Parou de beber?”. E ouve atentamente as queixas de saúde e até problemas pessoais. E dispensa que a chamem de doutora. “É só Polly”.
A médica acrescenta que outros pontos importantes do uso de acupuntura são a redução do uso de medicamentos e do desejo de beber ou usar drogas — estratégia conhecida como redução de danos, já que muitos pacientes enfrentam dependência química. “É uma técnica de baixo custo e elevado potencial terapêutico”, ressalta. Segundo ela, na rua, ainda mais do que no consultório, a construção de vínculo com quem recebe o atendimento é fundamental. “É preciso estabelecer uma relação de confiança com o paciente.”
Quando ela sugere a acupuntura, alguns demonstram resistência por imaginar que a aplicação das agulhas seja dolorosa. Mas a situação costuma mudar rapidamente quando alguém que já passou pela experiência recomenda. “Logo são eles que me pedem: ‘Polly, quero fazer as agulhinhas’.”
Saúde e dignidade
No Consultório na Rua, Polly utiliza a craniopuntura de Yamamoto, técnica que insere agulhas em regiões do crânio por alguns minutos, além da auriculoterapia, que utiliza sementes de mostarda em pontos específicos da orelha. Por serem procedimentos pouco invasivos, podem ser realizados com o paciente sentado, o que facilita o atendimento em espaços abertos.
Flaviana Rodrigues, de 48 anos, que é dependente química, aprova o tratamento. “Eu gosto porque fico menos ansiosa e ajuda a aliviar as dores dos braços.” Assim como ela, muitos pacientes relatam melhora nas dores e redução do uso de substâncias. “Eles contam que a vontade de consumir drogas diminuiu”, diz Polly.
Aos poucos, o trabalho realizado por Polly vem ganhando reconhecimento. A experiência foi apresentada no VIII Encontro Municipal de Saúde Integrativa – Pics, promovido pela SMS no ano passado, e também será levada ao 39º Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems/SP), que acontece em abril, na cidade de Santos.
“Meu objetivo é levar saúde e dignidade para as pessoas em situação de rua, que sofrem preconceito. Quero oferecer cuidado humanizado e melhorar a qualidade de vida, pois eles também são pacientes do SUS que garante atendimento para todos, sem discriminação”, finaliza Polly.
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