Secretaria Municipal da Saúde
Dia Mundial de Combate à Obesidade: rede municipal promove prevenção e cuidado contínuo, com protagonismo do paciente

Neste Dia Mundial da Conscientização e Atenção de Combate à Obesidade, 4 de março, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) lembra que a prevenção começa na Atenção Básica da rede municipal e atravessa todos os níveis de atenção. Com apoio das equipes de saúde, informação qualificada e acompanhamento regular, é possível prevenir e reduzir o impacto da obesidade na qualidade de vida da população.
O caso da diarista Lidiane Teixeira Fontes, 39, ilustra isso. Durante toda a vida, ela travou uma batalha silenciosa contra a balança. Obesa desde a infância, ela fez “todas as dietas possíveis e imagináveis”, mas nunca conseguiu alcançar o peso que desejava e nem controlar a diabetes que avançava junto com os quilos extras. Em abril de 2025, chegou à Unidade Básica de Saúde (UBS) Jardim Novo Pantanal, na zona sul da capital, pesando 119,8 quilos e com a hemoglobina glicada em 10,5, índice que indicava diabetes descompensada. Diante do quadro clínico, foi encaminhada para avaliação de cirurgia bariátrica.
O encaminhamento a levou ao Hospital Dia Cidade Ademar, onde passou a ser acompanhada por uma equipe multiprofissional. O protocolo para cirurgia bariátrica no SUS prevê exatamente esse acompanhamento clínico e psicológico antes da indicação cirúrgica. A cirurgia é considerada apenas após tentativa de tratamento clínico longitudinal, com mudança de hábitos, controle das comorbidades e avaliação criteriosa do risco-benefício por equipe especializada. Foi nesse processo que Lidiane viveu a maior transformação da sua vida. “Quando entendi que a diabetes era uma doença grave, que mata mais do que o câncer, e que eu estava caminhando para isso, decidi 'aprender a comer'”, conta.
“Eu achava que tinha compulsão, mas com a ajuda dos profissionais da rede municipal consegui entender que era possível mudar meus hábitos, e que isso exigia uma escolha diária”. Nesse processo envolvendo reeducação alimentar e prática regular de atividades físicas, Lidiane perdeu 36,8 quilos em 10 meses. Quando retornou para consulta, conta, as profissionais da unidade não a reconheceram. O resultado mais importante, porém, foi clínico: a hemoglobina glicada caiu para 5. Ela não precisou mais realizar a cirurgia bariátrica e hoje está com a diabetes controlada.
A mudança ultrapassou o consultório. Desde que começou o processo, toda a família passou a mudar os hábitos de alimentação, o que beneficiou o filho, assim como o pai e o irmão, que estavam com sobrepeso e se inspiraram nos resultados de Lidiane para mudar a alimentação. A trajetória de Lidiane ilustra como o cuidado estruturado e contínuo pode evitar procedimentos de maior complexidade quando há adesão ao tratamento clínico e reforça a importância da Linha de Cuidado do Sobrepeso e da Obesidade organizada na rede municipal de saúde.
Linha de Cuidado do Sobrepeso e da Obesidade: protocolo e atendimento organizado
Segundo os dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) Brasil 2023, do Ministério da Saúde, 23,6% dos adultos da capital paulista apresentavam obesidade. Para isso, a SMS conta com a Linha de Cuidado do Sobrepeso e da Obesidade, que organiza o atendimento desde a prevenção até os casos de maior complexidade, com base em protocolo assistencial específico. A linha de cuidado reconhece a obesidade como uma condição crônica e multifatorial, influenciada por aspectos biológicos, psicológicos, sociais e ambientais, o que exige abordagem integral e contínua, atravessando todos os níveis de atenção, da Atenção Básica à Atenção Hospitalar.
O cuidado começa na Atenção Básica, onde equipes multiprofissionais formadas por médicos enfermeiros, e por profissionais de diversas categorias, podendo ter em sua composição nutricionistas, educadores físicos, psicólogos e outros profissionais, realizam avaliação clínica, cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), identificação de fatores de risco e definição do plano terapêutico individualizado.
O protocolo estabelece:
• estratificação de risco, considerando IMC, presença de comorbidades (como diabetes e hipertensão) e contexto social do paciente;
• acompanhamento periódico, com monitoramento clínico e nutricional;
• encaminhamento para outros níveis de atenção, quando necessário, incluindo ambulatórios especializados, conforme critérios técnicos.
Nas UBSs, o cuidado vai além da consulta individual. As equipes atuam na prevenção, no diagnóstico precoce e no acompanhamento das doenças crônicas, além de realizarem busca ativa nos territórios para identificar novos casos. Oferecem, ainda, grupos de prática de atividades físicas e educação em saúde, com foco na alimentação equilibrada, no controle do peso e na prevenção de complicações. A linha de cuidado centrada no paciente é considerada fundamental para promover mudanças sustentáveis no estilo de vida.
Em muitas unidades, o atendimento inclui educação em saúde, prática orientada de atividades físicas e suporte psicológico. Na UBS Paraisópolis III, por exemplo, a nutricionista Bianca Nocit coordena grupos que auxiliam pacientes a compreender e enfrentar a obesidade e o diabetes de forma integrada. “A alimentação e a atividade física são pilares no controle do diabetes e também no enfrentamento da obesidade. Em nossos grupos, oferecemos orientações personalizadas, monitoramos a curva glicêmica, damos dicas de alimentação e criamos o grupo ‘Mexa-se’, com mais de 150 participantes. Essa atenção integrada faz com que o paciente entenda a doença e se torne protagonista do seu tratamento”, explica.
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