Secretaria Municipal da Saúde
Dia Mundial Sem Tabaco: atendimentos da rede municipal de saúde crescem mais de 2.300% em quatro anos

Equipe da UBS Vila Silvia conduz atividade educativa sobre prevenção ao tabagismo e promoção da saúde (Acervo/Ascom)
Para o Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo reforça a importância da prevenção e do tratamento do tabagismo, um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, respiratórias e diversos tipos de câncer. Entre 2021 e 2025, a rede municipal registrou um aumento de 2.315,44% no número de atendimentos em atividades coletivas voltadas ao público usuário de tabaco, passando de 829 atendimentos em 2021 para 20.024 em 2025.
Os dados refletem a ampliação das estratégias de cuidado e o fortalecimento da rede municipal de saúde no acolhimento das pessoas que desejam abandonar o cigarro e outros produtos derivados do tabaco, incluindo cigarros eletrônicos e vapes. Os atendimentos em atividades coletivas para usuários de tabaco cresceram progressivamente nos últimos anos:
2021: 829 atendimentos
2022: 4.332
2023: 12.275
2024: 14.925
2025: 20.024
2026: 4.171 atendimentos até 15 de abril
A coordenadora de Controle do Tabagismo da SMS, Liamar Ferreira, destaca que o crescimento demonstra tanto a ampliação do acesso quanto a maior conscientização da população sobre os impactos do tabagismo. “Parar de fumar é um processo que envolve mudança de comportamento, acolhimento e acompanhamento contínuo. Quando o indivíduo participa dos grupos, compartilha experiências e recebe apoio multiprofissional, as chances de sucesso aumentam significativamente”, afirma.
A porta de entrada para o tratamento são as 482 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da capital, que oferecem acolhimento, grupos terapêuticos e acompanhamento especializado para pessoas que desejam deixar o cigarro. Durante o tratamento, os participantes recebem orientações para lidar com a síndrome de abstinência, dependência psicológica e gatilhos associados ao vício. O acompanhamento inclui técnicas de relaxamento, autocontrole e prevenção de recaídas, além da possibilidade de uso de medicamentos nos casos de maior dependência à nicotina.
O protocolo prevê três meses de tratamento intensivo e um ano de acompanhamento. As atividades podem incluir também as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Pics), como forma de ampliar o cuidado e promover bem-estar físico e emocional.
A aposentada Marilene Damaceno, de 68 anos, fumou por mais de quatro décadas e está há quase cinco anos sem fumar após participar do tratamento oferecido pela rede municipal. “O grupo virou uma família para mim. Além da melhora na saúde, senti diferença até no bolso. Hoje tenho mais qualidade de vida e mais disposição”, conta.
A enfermeira Cibele Graciano Coelho Sampaio, que coordena grupos antitabagismo na rede municipal, explica que o cuidado vai além da interrupção do cigarro. “O trabalho busca melhorar a saúde de forma integral. A gente ajuda o usuário a entender os gatilhos do vício, fortalecer a autoestima e desenvolver estratégias para enfrentar os momentos de ansiedade e recaída.”
Tabagismo segue entre os principais fatores de risco evitáveis
Dados do Inquérito de Saúde da Capital (ISA Capital 2024) mostram que 14,2% da população paulistana com 10 anos ou mais fuma atualmente. O percentual é significativamente menor do que o registrado em 2003 (18,9%) e em 2008 (19,3%), demonstrando uma redução importante da prevalência de tabagismo no município ao longo das últimas duas décadas.
O levantamento também aponta diferenças importantes entre os grupos populacionais. Entre adolescentes, a prevalência de fumantes é de 2,6%, enquanto entre homens adultos o índice chega a 19,7%, o maior entre os grupos analisados. Entre mulheres adultas, a prevalência é de 13,8%, e entre idosos, de 14,4%.
A SMS alerta ainda para os riscos dos cigarros eletrônicos e dispositivos vaping, frequentemente associados de forma equivocada a uma alternativa “menos nociva”. Esses produtos também contêm substâncias tóxicas e podem provocar dependência química, doenças respiratórias e cardiovasculares.
Além dos fumantes ativos, pessoas expostas passivamente à fumaça ou aos resíduos tóxicos impregnados em roupas, ambientes e superfícies também podem desenvolver problemas respiratórios, alergias e doenças pulmonares.
Como buscar ajuda
O acesso ao tratamento pode ocorrer espontaneamente, quando o próprio usuário procura uma UBS em busca de apoio, ou por encaminhamento durante consultas e atividades coletivas realizadas nas unidades. As datas e horários dos grupos variam de acordo com cada território. Para participar, basta procurar a Unidade Básica de Saúde de referência. Os endereços das UBSs estão disponíveis na plataforma Busca Saúde.
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