Secretaria Municipal da Saúde

Terça-feira, 5 de Maio de 2026 | Horário: 11:00
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Estratégias de cuidado da Saúde da capital influenciam no uso racional de medicamentos

Rede municipal dispensa anualmente aproximadamente 2,7 bilhões de unidades de medicamentos; iniciativas inovadoras nas unidades de saúde qualificam seu uso
A imagem mostra um pequeno grupo de pessoas reunidas em uma sala que parece ser de um serviço público, possivelmente uma unidade de saúde ou espaço de atendimento.  Cinco mulheres estão sentadas ao redor de uma mesa simples. Duas delas, posicionadas atrás da mesa, parecem conduzir a conversa — uma usa crachá e tem uma pasta azul à frente, sugerindo que pode ser uma profissional de saúde ou facilitadora. As outras três mulheres estão sentadas do lado oposto, ouvindo com atenção; uma delas gesticula enquanto fala, indicando que está compartilhando alguma experiência ou fazendo uma pergunta.  Sobre a mesa há alguns materiais de trabalho, como uma pasta, papéis e uma garrafa térmica.

Grupo de Gestão Autônoma da Medicação no Caps III Mooca: paciente participa das decisões (Acervo/SMS)

Promover o uso racional de medicamentos é essencial para qualificar o cuidado em saúde. No dia 5 de maio, quando se celebra o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) destaca experiências que ampliam a orientação aos pacientes e fortalecem o uso adequado nas unidades da rede.

Na capital, a Relação Municipal de Medicamentos (Remume) conta com mais de 560 itens. Mensalmente, as farmácias municipais dispensam cerca de 247 milhões de unidades, totalizando quase 2,7 bilhões ao ano. A rede possui 686 farmácias em serviços como Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Centros de Atenção Psicossocial (Caps), com cerca de 1.500 farmacêuticos e mais de 2.300 técnicos e auxiliares em farmácia. 

O uso racional pressupõe que os medicamentos sejam utilizados corretamente, na dose e no tempo indicados, apenas quando necessários. A orientação dos profissionais de saúde é central nesse processo, assim como a conscientização sobre os riscos da automedicação.

Para sensibilizar a população, a Prefeitura de São Paulo, por meio da SMS, investe em serviços clínicos farmacêuticos, que incluem acolhimento, consultas, visitas domiciliares e atividades em grupo, além da atuação integrada com equipes multiprofissionais. Também são desenvolvidas ações com Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Pics), de acordo com o planejamento das unidades.

Definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso racional ocorre quando o paciente recebe o medicamento adequado à sua necessidade clínica, na dose correta e pelo tempo necessário, ao menor custo possível. O princípio orienta políticas nacionais como a de Medicamentos, Assistência Farmacêutica e Promoção da Saúde.

“É fundamental evitar o uso excessivo e desordenado de medicamentos, especialmente sem prescrição. O desrespeito às doses e horários pode trazer sérios riscos à saúde”, alerta a coordenadora da Assistência Farmacêutica da SMS, Regiane Amorim. Segundo ela, o usuário também tem papel essencial ao seguir corretamente as orientações recebidas.

Mais do que dispensar medicamentos, os farmacêuticos atuam de forma integrada às equipes, com foco no usuário, promovendo educação em saúde, acompanhamento terapêutico e ações voltadas à família e à comunidade.

Iniciativas que inspiram
No Caps Álcool e Drogas III Jardim Ângela, o projeto “Barmácia – brinde à boa ideia” utiliza uma abordagem lúdica para discutir o uso de medicamentos. Nos encontros, os participantes preparam drinks sem álcool, relacionando os nomes às medicações e ao tratamento.

A iniciativa já beneficiou mais de 4 mil pessoas, estimulando vínculo, socialização e adesão terapêutica, além de contribuir para a redução de interações com álcool e recaídas. Criado em 2020, o projeto acumula reconhecimento nacional e internacional, com 11 prêmios.

Outra estratégia adotada na rede é a Gestão Autônoma da Medicação (GAM), presente em alguns Caps. A proposta fortalece o protagonismo do paciente, incentivando o diálogo com os profissionais e a tomada de decisões compartilhadas sobre o tratamento. A abordagem reconhece a experiência de quem faz uso contínuo de medicamentos e incentiva o diálogo com os profissionais, por meio de rodas de conversa. A metodologia tem foco na experiência do paciente e nos impactos do uso de medicamentos no cotidiano.

No Caps Mooca III, a metodologia é aplicada em grupos, onde os participantes discutem efeitos colaterais, impactos no cotidiano e ajustes terapêuticos. “A GAM ajuda a pessoa a entender melhor a medicação e a falar sobre questões que muitas vezes não surgem na consulta, aproximando o cuidado da realidade do paciente”, explica a farmacêutica Juliana Moura de Almeida.

Foi nesse espaço que a professora Maria Virleide Ferreira, 36 anos, conseguiu rever seu tratamento ao planejar uma gravidez. Com apoio da equipe, passou por transição medicamentosa e relata melhora no controle da ansiedade e da depressão. “Hoje consigo identificar quando vou ter uma crise e me sinto mais segura com a medicação”, afirma.

A jornalista Carla Lisboa, 47, também avalia que o grupo transformou sua relação com o tratamento. “Antes, eu colocava a culpa de tudo no medicamento, mas o grupo me fez entender que eu tenho um papel central para o sucesso do tratamento”.

Um novo olhar sobre o cuidado
Na UBS Jardim das Palmas, uma iniciativa bem-sucedida promoveu a integração do uso de medicamentos às Pics e ao Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (Pavs). O primeiro passo foi o levantamento dos pacientes em uso prolongado de fluoxetina com quadros leves; a seguir, parte deles iniciou ajuste terapêutico associado a atividades, como rodas de chá e cultivo de horta medicinal.  Dos participantes, 35 iniciaram o processo de desmame e 11 já interromperam o uso do medicamento. A proposta, com encontros quinzenais, incentiva o autocuidado e o fortalecimento de vínculos.

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