Secretaria Municipal da Saúde

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Quinta-feira, 9 de Abril de 2026 | Horário: 09:00
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Projeto de grupo de artesanato com mulheres idosas concorre no Cosems

Proposta de nutricionista da unidade utiliza oficinas como ferramenta terapêutica para promover saúde, socialização e fortalecimento de vínculos; saúde da capital conta com mais de 800 trabalhos inscritos no congresso
A imagem é uma fotografia colorida em formato horizontal (paisagem). Em primeiro plano, uma mulher idosa está sentada à mesa, concentrada em um trabalho de artesanato. O ambiente sugere uma sala de atividades ou escritório, com iluminação clara e direta.Seus dedos manipulam uma linha fina de cor rosa. Sobre a mesa branca, à sua frente, há materiais de costura e tricô: agulhas de plástico na cor lilás, uma agulha longa vermelha e um cone de linha vermelha vibrante à direita.

Oficina de artesanato com as mulheres da nossa UBS na Zona Leste da capital, provando que o cuidado com a saúde vai muito além das consultas médicas (Acervo/ Ascom) 

Canudos de papel se transformam em uma cesta de frutas. Retalhos de tecidos se unem em uma trama de fuxicos que dá origem a um tapete colorido. A nutricionista Lívia Ferreira Raposo, da Unidade Básica de Saúde (UBS) Vila Chabilândia, na zona leste da capital, organizou o grupo Oficina de Artesanato, voltado a mulheres idosas, com o objetivo de usar os trabalhos manuais como ferramenta terapêutica. 

A ideia deu tão certo que ela inscreveu seu projeto “Promoção da saúde e socialização de mulheres idosas por meio do artesanato sustentável” no 39º Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems/SP), cujo tema central é o envelhecimento da população. O evento acontece entre os dias 8 e 10 de abril em Santos e a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), participa com 861 trabalhos inscritos. Em 2025 foram 601 trabalhos inscritos, e, em 2024, a cidade apresentou 393 trabalhos. 

“Eu atendia muitas pacientes idosas que ficavam isoladas, deprimidas e tinham até perdido a razão de viver. E esses fatores se refletiam nos seus hábitos alimentares com a perda de apetite, alimentação desregrada ou falta de vontade para cozinhar apenas para elas e, por isso, só comiam bolachas o dia inteiro”, conta. 

Há dois anos, quando uma paciente lhe contou que sabia fazer crochê, Lívia propôs montar um grupo de oficina de artesanato para que ela ensinasse seus conhecimentos. Desde então, o grupo, que faz encontros quinzenais, tem crescido com a chegada de novas integrantes, com idades que variam dos 60 a 80 anos de idade. 

A produção manual é feita com materiais que seriam descartados, como caixas de leite e filtros de papel, mostrando a importância da sustentabilidade, da conscientização ambiental e da redução do lixo. “Agora, elas encontram uma caixa e já pensam em transformá-la em algum objeto, como uma embalagem ou um vaso para presentear alguém.”

Lívia também incorporou o discurso sustentável à nutrição, orientando as participantes sobre o congelamento e aproveitamento integral de alimentos, além de comprar frutas, verduras e legumes que fazem parte da safra da época ou na “xepa” da feira, cujos preços são mais baixos. “Muitas me falaram que a alimentação ficou mais saudável e que começaram a almoçar bem todos os dias, o que elas não faziam anteriormente.”

Novos horizontes
Os olhos se espremem atrás dos óculos para passar a linha na agulha, mas, em seguida, os dedos percorrem pedaços de panos para dar forma a inúmeros artefatos. Entre uma peça e outra, as idosas compartilham histórias, vivências, brincadeiras, risadas e até problemas.

A pensionista Luiza Rosa de Santos Freitas, de 73 anos, foi encaminhada para uma consulta com a nutricionista Lívia depois que o clínico geral identificou uma situação na alimentação. “O grupo mudou a minha vida. Eu era muito fechada, tímida e com dificuldade de comunicação. Hoje eu sou totalmente diferente e falo até demais”, brinca. Ela conta que antes ficava no canto da sala, mas agora é a primeira a dar as boas-vindas às novas integrantes. “Eu fiz muitas amizades e não vejo a hora de vir para os encontros quinzenais”. 

Lívia conta que os vínculos se fortaleceram e que o grupo se tornou uma rede de apoio, em que elas incentivam e se preocupam com as outras quando faltam aos encontros. “É quase uma família. Nós falamos sobre tudo, de acontecimentos alegres a tristes, como o luto de familiares, amigos e até das próprias integrantes do grupo, o que é uma realidade por conta da faixa etária”. Para abordar esses temas e saber lidar com essas dores que impactam a saúde mental, Lívia trouxe também o psicólogo da UBS para participar do grupo. 

E o grupo tem transformado não apenas matéria-prima em objetos, mas também transmutado vidas. A aposentada Lídia Bezerra de Melo de Souza, 70 anos, também passava por consultas com a nutricionista para emagrecer. “Cheguei aqui com depressão. Somos idosas, sozinhas e os filhos não têm mais tempo para fazer uma visita. A Lívia até me incentivou a voltar para a escola e fiz um curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Então esse grupo é muito importante para mim”, resume.

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