Secretaria Municipal da Saúde

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Terça-feira, 20 de Janeiro de 2026 | Horário: 11:00
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GT aponta caminhos para atuação dos farmacêuticos na rede municipal

Profissionais discutem e sugerem protocolos e políticas alinhadas à perspectiva de um cuidado integral ao paciente
A imagem mostra um grupo de cerca de 20 pessoas reunidas em uma sala de reunião, sentadas ao redor de uma mesa longa e retangular. Todas parecem à vontade e sorrindo para a câmera, o que transmite um clima descontraído e colaborativo.  Sobre a mesa, há caixas de presentes, doces e lembranças, além de celulares, cadernos e um projetor, sugerindo um encontro que pode ter caráter de reunião de trabalho com momento de confraternização, como uma comemoração interna ou encerramento de atividade. No centro da mesa, o projetor está ligado, apontando para uma tela branca ao fundo da sala.  O ambiente é simples e funcional, com paredes claras, armários laterais e iluminação uniforme, típico de um espaço institucional ou corporativo. As pessoas vestem roupas casuais, algumas em tons semelhantes, reforçando a sensação de integração e equipe.

Grupo de Trabalho de Cuidado Farmacêutico durante a última reunião do 2025, em dezembro (Acervo/SMS)

Os serviços da rede municipal de saúde contam com 1.479 farmacêuticos e apoio de 2.361 técnicos e auxiliares de farmácia, que mensalmente distribuem 247 milhões de unidades de medicamentos para 2,7 milhões de pacientes. O trabalho de gestão das farmácias, no entanto, é apenas parte da rotina dos farmacêuticos, profissionais homenageados neste dia 20 de janeiro. Nos últimos 10 anos, eles tiveram uma importante expansão de suas atribuições na capital, em especial no que diz respeito à prática clínica. 

Esta mudança ocorreu a partir de deliberações e documentos elaborados pelos próprios profissionais, por meio do Grupo de Trabalho de Cuidado Farmacêutico, criado há 10 anos pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) para aprimorar os serviços farmacêuticos e refletir sobre a atuação dos profissionais da rede. O GT, por sua vez, se divide em dois grupos menores, um voltado à Atenção Básica, formado por 12 profissionais, e outro à Saúde Mental, com 10 profissionais.

Cibele Monete dos Santos integra o GT de Saúde Mental há oito anos, quase o mesmo tempo que trabalha no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Álcool e Drogas III Prates, na região central da cidade. Ela conta que, apesar da complexidade do trabalho - uma vez que, além da dependência em substâncias químicas, mais de 90% dos cerca de 700 pacientes ativos do serviço estão em situação de rua ou em abrigos -, também existe muita satisfação no trabalho. 

“Os pacientes costumam ter um vínculo forte conosco, e este vínculo se fortaleceu ainda mais a partir do momento em que, mais do que um dispensador de medicamentos, o farmacêutico passou a ser um profissional essencial na orientação sobre aspectos como uso dos medicamentos, interação medicamentosa, automedicação e outros”, enfatiza Cibele, que antes de se formar em Farmácia trabalhou outros 10 anos como auxiliar de enfermagem.

O GT de Cuidado Farmacêutico é responsável pelo que Cibele chama de “empoderamento” dos profissionais na rede. Um dos primeiros documentos resultantes do trabalho do grupo, formado por profissionais indicados pelas Coordenadorias Regionais de Saúde (CRSs), foi justamente a portaria SMS nº 1.918/2016, que instituiu o cuidado farmacêutico na rede municipal de saúde, com o objetivo de melhorar os resultados de saúde dos pacientes.

No GT de Saúde mental, Cibele cita também a nota técnica n°02/2018, que trata da inserção de códigos para o lançamento das produções dos farmacêuticos. “Documentos como esse organizam fluxos, inserem o fazer farmacêutico na unidade e, mais do que quantificar, qualificam nosso trabalho”, comenta a profissional, que atende diariamente cerca de 60 pacientes na farmácia, realiza consultas farmacêuticas, nas quais as complexidades são muitas, em função do perfil dos pacientes do Caps AD, faz visitas no território e a partir deste ano também aplicará auriculoterapia.

A imagem mostra uma profissional da saúde em pé, sorrindo levemente para a câmera, vestindo um jaleco branco, em um ambiente interno de serviço de saúde. Ela está posicionada em frente à porta de uma farmácia, indicada por placas fixadas na parede com a palavra “Farmácia” e orientações de atendimento e funcionamento.  Na porta, há uma guirlanda decorativa feita com caixinhas de medicamentos, dispostas em formato circular e finalizadas com um laço vermelho, o que sugere uma decoração temática, possivelmente relacionada a uma data comemorativa.  O ambiente é simples e funcional, com paredes claras e sinalização institucional, típico de uma unidade de saúde pública. A profissional aparece em postura relaxada, com os braços ao longo do corpo, transmitindo uma sensação de acolhimento e cuidado.
Cibele na farmácia do Caps (Acervo/SMS)

Novas atribuições
Formado em 2013 e trabalhando desde 2019 na UBS Vila Santana, localizada na zona leste, o farmacêutico Maurício Roque da Silva Rezende integra o GT de Atenção Básica há cerca de três anos. Segundo ele, a atuação plena dos profissionais nos serviços que são a “porta de entrada” do SUS é essencial, uma vez que existe uma grande demanda por orientação e acompanhamento por parte de pacientes elegíveis para atendimento, como idosos, pessoas com doenças crônica e os chamados pacientes polimedicados, que utilizam mais de quatro medicamentos. 

Maurício cita outros exemplos de documentos resultantes do grupo de trabalho. Um deles é a Nota Técnica Nº 05/2025, que orienta a prescrição da Terapia de Reposição de Nicotina pelos farmacêuticos da rede municipal de saúde, como parte do Programa de Controle do Tabagismo, presente nas UBSs. “É uma resolução importante, uma vez que os profissionais de farmácia coordenam a maioria desses grupos, e a autonomia para a prescrição da terapia facilita o cuidado com os pacientes”. 

Outra nota técnica, a nº 03/2025, organiza o fluxo de trabalho dos profissionais nos equipamentos, unificando sua atuação na rede municipal. De acordo com o documento, a gestão/administração da farmácia deve ocupar 40% do tempo do profissional, enquanto as atividades técnico-pedagógicas ficam com 15% e a agenda clínico-assistencial, ou seja, o contato direto com o paciente para orientá-lo ganha protagonismo, com 45% do seu tempo no serviço de saúde.

A imagem mostra um profissional da saúde em pé, posando para a câmera em um ambiente interno que aparenta ser uma farmácia ou almoxarifado de unidade de saúde. Ele veste um jaleco branco, usa óculos, tem barba curta e sorri de forma discreta, transmitindo uma postura acolhedora e confiante. As mãos estão cruzadas à frente do corpo.  No jaleco, há um crachá de identificação e um pequeno broche decorativo, indicando vínculo institucional. Ele usa calça escura e tênis de cor clara, em contraste com o jaleco.  Ao fundo, vêem-se prateleiras organizadas com caixas plásticas identificadas, típicas de armazenamento de medicamentos ou insumos, reforçando o contexto de trabalho na área da saúde. O ambiente é funcional, bem iluminado e organizado, característico de um espaço técnico-assistencial.
Maurício: trabalho coletivo (Acervo/SMS) 

Consulta e acolhimento
De acordo com a Área Técnica de Assistência Farmacêutica da SMS, de janeiro a outubro de 2025, os quase 1.500 farmacêuticos da rede realizaram 383 mil consultas, parte dos 961 mil procedimentos registrados, que incluem ainda ações como acolhimento, testes rápidos, aferição de pressão e outros. “O município de São Paulo é hoje referência na oferta de serviços relacionados ao cuidado farmacêutico, integrados às ações de saúde desenvolvidas nas unidades”, comenta a coordenadora de Assistência Farmacêutica da SMS, Regiane Amorim.

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