Secretaria Municipal da Saúde

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Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2026 | Horário: 11:00
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Estratégias adotadas pela Prefeitura de SP reduzem em cerca de 60% a gravidez na adolescência na capital

Em 2025, foram 8,3 mil nascidos vivos de mulheres com idade entre 10 e 19 anos, contra mais de 20 mil em 2016; ações da SMS incluem educação, acesso a consultas, orientação e métodos contraceptivos

Profissional de saúde segura embalagem com implante hormonal subdérmico, um dos métodos contraceptivos disponíveis na rede (Acervo/SMS)

As estratégias adotadas pela Prefeitura de São Paulo levaram a quase 60% de redução no número de adolescentes grávidas na cidade nos últimos nove anos. Em 2016, de acordo com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), foram registrados 20.373 nascidos vivos de mães com idades entre 10 e 19 anos, enquanto em 2025 foram 8.383 nascidos vivos de mães nesta faixa etária, uma redução de 58,9%. Na faixa etária entre 10 e 14 anos foram registrados 691 nascidos vivos em 2016, em comparação a 272 em 2025 (-60%), enquanto dos 15 aos 19 anos foram 19.682 nascidos vivos em 2016, contra 8.111 no ano passado (-58,8%).

Em 2016, de acordo com o boletim Saúde em Dados, editado pela Coordenação de Epidemiologia e Informação (CEInfo) da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) a proporção de nascidos vivos de mães menores de 20 anos na capital era de 12,6%. Em 2024, essa taxa era de 7,1%.

A Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência é lembrada de 1 a 8 de fevereiro. No Brasil, de acordo com o Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos do Ministério da Saúde (MS), foram registrados em 2025 um total de 176.356 nascidos vivos de mulheres com menos de 20 anos, o que ainda representa um índice superior a 11% do total de nascidos vivos (que foi de 1.568.955).

Para o secretário municipal da Saúde de São Paulo, a queda registrada na cidade de São Paulo é resultado de uma série de ações implementadas pela gestão municipal; “Não se trata apenas de uma questão de saúde, pois especialmente nos contextos de maior vulnerabilidade social, a gravidez na adolescência impacta em toda a perspectiva de futuro destas adolescentes”, comenta o secretário municipal da Saúde, Luiz Carlos Zamarco. Uma gravidez nesta fase da vida aumenta a evasão escolar, reduz as perspectivas de inserção no mercado de trabalho e limita o projeto de futuro das meninas que se tornam mães.

Disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas que contribuam para a redução da incidência da gravidez nesta fase da vida é o objetivo principal da semana, instituída em 2019, alinhada às metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU), e da Estratégia Global para mulheres, crianças e adolescentes 2016-2030, lançada pela organização.

Consultas, acesso a métodos contraceptivos e orientação

Por isso, dentro da rede municipal de saúde, a partir de uma perspectiva preventiva e de atenção integral, o primeiro passo é conscientizar as adolescentes sobre as consequências de uma gravidez não planejada para si, para o bebê e para a família e, uma vez que a gravidez ocorra, a preocupação é que a gestante adolescente tenha uma gravidez saudável, contando com uma rede de cuidado e proteção com ela e o bebê, garantindo apoio as necessidades como a permanência na escola, o suporte da comunidade e da família.

Por isso, a SMS desenvolve várias ações ao longo de todo o ano, por meio da Coordenadoria de Atenção Básica (CAB), em um esforço conjunto das áreas da Saúde da Criança e do Adolescente e da Saúde da Mulher.

Nas 481 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que são a porta de entrada para a rede municipal, as consultas ginecológicas são oferecidas para meninas em todas as idades. “Além das consultas propriamente ditas, o acolhimento nas unidades pode ser dar por meio das equipes Multi, com orientações de enfermeiras, assistentes sociais, nutricionistas psicólogos e outros profissionais, de forma a que elas tenham acompanhamento físico e psicológico nesta importante fase da vida”, reforça Ligia Santos Mascarenhas, coordenadora da Área Técnica da Saúde da Mulher.

Informação e acesso a métodos contraceptivos são dois recursos essenciais para prevenir a gravidez entre adolescentes. As ações acontecem nas UBSs durante as consultas individuais, mas também nos grupos voltados a adolescentes e nas visitas domiciliares. A rede municipal de saúde disponibiliza contraceptivos tradicionais (orais) e implantes subdérmicos, além da implantação de dispositivo intrauterino (DIU) de cobre ou hormonal (Mirena).

Vale ressaltar que os implantes e DIU são dispositivos internos com ação de longo prazo, que não dependem de fatores como disciplina para serem efetivos. Apenas em 2025, na rede municipal, foram inseridos 38.334 implantes subdérmicos até o mês de novembro.

UBS acolhe adolescentes em grupo de planejamento familiar
Há dois anos a UBS Parque Araribá, localizada no Campo Limpo, zona sul da capital, decidiu abrir o grupo de planejamento familiar à livre demanda, depois de constatar um aumento de adolescentes grávidas no território, uma área de grande vulnerabilidade social, com uma população de pelo menos 35 mil pessoas SUS dependentes. “Antes o grupo recebia principalmente mulheres casadas interessadas em fazer laqueadura, mas a partir do momento em que abrimos, começamos a receber muitas adolescentes a partir de 14 anos, interessadas em ter acesso a métodos contraceptivos”, explica a enfermeira Denise Maria Campos de Lima Castro, coordenadora de Atenção Primária na UBS. 

Segundo ela, esse trabalho está integrado a iniciativas como o Programa Saúde da Escola (PSE), realizado em quatro escolas públicas de ensino médio na região. Ao buscarem o grupo, que é semanal e chega a reunir 25 pessoas, incluindo homens, as adolescentes recebem informação sobre os métodos contraceptivos disponíveis na rede municipal (entre preservativos, dispositivos intrauterinos, contraceptivos orais e injetáveis, implantes hormonais e métodos definitivos como laqueadura e vasectomia) e, depois de tirar as dúvidas e ter um tempo para refletir, já podem agendar a retirada ou aplicação da alternativa escolhida. “É tudo muito tranquilo, pois a cidade de São Paulo tem disponibilidade para todos os métodos”, afirma a enfermeira Diane Mariano, que coordena o grupo.

Atualmente, os métodos mais procurados na UBS Parque Araribá, que é gerida pelo Einstein Hospital Israelita, são os de longa duração: só em 2025, foram colocados 129 DIUs e 416 implantes hormonais. “Ao garantir informação, acesso e escolha consciente, a UBS contribui para interromper uma trajetória de crescimento da gravidez na adolescência no território, protegendo projetos de vida e ampliando a autonomia reprodutiva dos jovens; nesse sentido, a intervenção atuou como fator de proteção em um contexto de alto risco”, pontua Denise.

LEIA TAMBÉM: Métodos contraceptivos: saiba quais são oferecidos pelo SUS

Segundo a Dra. Athenê Maria de Marco, Coordenadora da Área Técnica de saúde da Criança e do Adolescente, as iniciativas abrangem também o treinamento do quadro de profissionais de saúde, como as equipes da Atenção Básica para compreender que a gravidez na adolescência exige um olhar ampliado, visto que ela acontece em função de uma multiplicidade de determinantes individuais e socioculturais. Intersetorialmente, a capacitação dos profissionais da saúde, da Secretaria Municipal da Educação (SME) e da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) segue o Protocolo Integrado pela Primeira Infância. Clique aqui para acessar o documento.

Já dentro do Programa Saúde na Escola (PSE), em parceria com a SME, as equipes de saúde vão às unidades escolares, oferecendo informações confiáveis para que os adolescentes planejem com segurança sua vida sexual e reprodutiva, por meio da tomada de decisões responsáveis. Essas ações também contribuem para o desenvolvimento de habilidades como a autonomia, a capacidade de negociação, a empatia e a criticidade, favorecendo a construção de projetos de vida alinhados às diferentes realidades.

Mãe Paulistana
Na cidade de São Paulo, as adolescentes grávidas contam com o programa Mãe Paulistana, que garante acompanhamento e suporte integral em saúde ao longo de toda a gestação e no puerpério. Entre as diretrizes do programa, que acompanhou quase 500 mil gestantes nos últimos seis anos, estão captação precoce da gestante (até a 12ª semana de gravidez), garantia de sete ou mais consultas de pré-natal, realização de exames laboratoriais e ultrassonografia, testes rápidos para sífilis e HIV, pactuação de pré-natal de risco, transporte público gratuito (cartão SPTrans), visita antecipada à maternidade de referência para o parto, com grade de parto acessível, garantia da consulta da puérpera e da primeira consulta do recém-nascido, além de bolsa e enxoval para o recém-nascido, estímulo ao aleitamento materno e vaga em creche para o filho que irá nascer.

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