Secretaria Municipal da Saúde

Sexta-feira, 2 de Outubro de 2015 | Horário: 19:44
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Taxa de mortalidade por câncer de mama cai 10,9% na cidade de São Paulo

Aumento do número de mamografias e diagnóstico precoce explicam a queda

Atualizado em 5/10/2015

Por Patrícia Pasquini e José Antonio Leite
Foto: Leon Rodrigues/SECOM


Na cidade de São Paulo, a taxa de mortalidade por câncer de mama caiu de 17,2/100 mil mulheres em 2006, para 15,6 em 2014. Isso representa redução média anual de 1,36% e redução total de 10,9% no período. A melhora do indicador se deve ao alto número de mamografias na rede. Em 2014, por exemplo, foram realizados 221.903 procedimentos. De janeiro a julho de 2015, foram 123.774 exames. Em 2012, a Rede fez 199 mil mamografias.

Em consonância com as recomendações internacionais, o Ministério da Saúde (MS) orienta que todas as mulheres entre 50 e 69 anos de idade façam exames de mamografia pelo menos uma vez a cada dois anos - mulheres acima de 35 anos que pertençam a grupos de alto risco devem fazer o exame anualmente. “Também é importante realizar o autoexame, que pode ajudar a identificar um câncer antes mesmo dos primeiros sintomas. Pequenas alterações mamárias identificadas durante o toque devem ser valorizadas. Se descoberto em estágio inicial, as chances de cura são grandes”, explica o oncologista da Secretaria Municipal da Saúde, Luiz Fernando Pracchia.

Para realizar um exame de mamografia na rede municipal de Saúde, a paciente deverá procurar a UBS mais perto de sua residência para consulta com médico, que poderá solicitar o exame de acordo com os protocolos clínicos da Secretaria Municipal da Saúde. O tempo de espera para mamografia em dezembro de 2012 era de 59 dias. Em setembro deste ano, foi de 34 dias.

Segundo a pesquisa nacional realizada em capitais brasileiras - Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) -, em 2014, no Município de São Paulo, 80,1% das mulheres entrevistadas na faixa etária preconizada afirmaram ter realizado mamografia nos últimos dois anos. “De acordo com o MS, na cobertura populacional acima de 70% para mamografia é esperada uma redução na mortalidade por câncer de mama”, completa o oncologista.

Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura!

O sorriso da jornalista e empresária, Rosângela Gusmão, nunca esmoreceu mesmo após receber a pior notícia da sua vida: o diagnóstico de um câncer de mama invasivo e grave. Em novembro de 2012, aos 51 anos, a jornalista começou a sentir o incômodo de um nódulo no seio descoberto cinco meses antes, através do autoexame. “Em junho, o caroço não tinha malignidade, mas meses depois a história mudou”, conta Rosângela.

Imediatamente, a empresária procurou uma UBS. Após consulta, o médico pediu uma mamografia e, com o resultado em mãos, identificou a suspeita de câncer e agendou o mastologista, que confirmou o diagnóstico. “Lembro das palavras dele: é real. É um câncer invasivo e grave. Você precisa operar imediatamente“, relata a jornalista. O médico a encaminhou para a área de filantropia do Hospital Sírio Libanês, onde foram feitos todos os exames, o tratamento e a cirurgia. “Não é fácil receber um diagnóstico de câncer, mas eu me entreguei nas mãos dos médicos. Eles me passaram muita confiança. Há dias que você fica mais depressiva, mas nunca perdi as esperanças. Sempre acreditei na cura”, conta a empresária.

Em fevereiro de 2013, ela fez a cirurgia. Depois, vieram 12 sessões de quimioterapia. No dia 3/12/2013, fez a última das 19 sessões de radioterapia. Durante cinco anos, a cada seis meses, Rosângela fará acompanhamento no Hospital Sírio Libanês e no Instituto do Câncer de São Paulo (ICESP). “Quem passa por uma experiência como esta muda a forma de encarar a vida. O Outubro Rosa é um alerta para a mulher fazer o autoexame e procurar um tratamento rápido quando necessário. Nunca desanime. O câncer tem cura!”, afirma Rosângela.

Outubro Rosa na SMS

O movimento conhecido como Outubro Rosa nasceu nos Estados Unidos, na década de 1990, para estimular a participação da população no controle do câncer de mama. A data é celebrada anualmente com o objetivo de promover a conscientização sobre a doença e compartilhar informações sobre o câncer de mama.

A Rede Municipal de Saúde terá uma programação diferenciada nas unidades de saúde. Orientação sobre autoexame; alimentação saudável; prevenção ao câncer de mama e de colo de útero; caminhada; práticas integrativas em saúde; caminhadas, grupos de planejamento familiar; palestras sobre saúde da mulher, resgate da autoestima no câncer de mama, saúde bucal, oesteoporose, osteopenia, menopausa e climatério, violência doméstica, prevenção às DSTs; ciclo menstrual; mutirão de Papanicolau e mamografia; salão de beleza; baile da saudade, concurso da miss melhor idade; testagem rápida de HIV e Sífilis; entrega de preservativos. Informações sobre as atividades podem ser obtidas em qualquer UBS da cidade.

Secretário participa do ‘Outubro Rosa para Mulheres Deficientes’

'Antes, tínhamos espera de dois meses [para o exame de mamografia], mas conseguimos que ela [a fila] caísse para trinta dias e esperamos que esta espera seja cada vez menor', disse Padilha

 

O secretário municipal da Saúde Alexandre Padilha participou, neste sábado (3), na região central de São Paulo, da abertura do “Outubro Rosa para Mulheres Deficientes”, no centro de convenções do Shopping Frei Caneca. O evento é patrocinado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida e Sociedade Brasileira de Mastologia.

A abertura do “Outubro Rosa para Mulheres Deficientes” contou com palestras sobre câncer de mama e promoveu distribuição de vouchers para realização de exames gratuitos de mamografia para mulheres com deficiência e cuidadoras.

Padilha frisou a mudança que vem marcando a data. “Nos últimos anos, o mês de outubro passou cada dia mais para nós um mês de sensibilização sobre o câncer de mama. E São Paulo não pode representar um lugar que mais adoece do que promove a saúde. A obesidade, o tabagismo, algumas formas de alimentação também podem ter relação com algum tipo de câncer de mama”, afirmou.

Acesso facilitado

O secretário afirmou que a Prefeitura vem realizando esforços no sentido de aproximar os exames de mamografia dos locais mais distantes da cidade, como forma de também beneficiar as mulheres que vivem na periferia. “Hoje pela manhã visitei unidades de saúde e obras de um novo hospital na zona Sul. Nós tivemos a preocupação de garantir ala para mamografia, um centro especializado para diagnóstico, ter profissionais preparados para isso nos hospitais. No Hospital Dia da rede Hora Certa do Campo Limpo, o prefeito Haddad determinou que colocássemos lá mamografia acessível. Aí está a importância de dar acesso às mulheres”, afirmou. Em 2014 a rede municipal de saúde realizou 230 mil exames de mamografia.

Padilha finalizou sua participação do evento reafirmando o compromisso da Prefeitura de encurtar o tempo de espera para o exame de mamografia. “Antes, tínhamos espera de dois meses, mas conseguimos que ela caísse para trinta dias e esperamos que esta espera seja cada vez menor. Também trabalhamos para que haja acesso mais próximo, rápido e prioritário para as mulheres que tenham algum tipo de deficiência”, finalizou o secretário.

O câncer de mama é a mais freqüente e principal causa de morte por câncer em mulheres no Brasil e no mundo. A mamografia é o principal exame para detectá-lo precocemente. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que 57 mil novos casos sejam diagnosticados no país em 2014. A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem ressaltado a necessidade de prevenção às neoplasias, doença que deve atingir 24 milhões de pessoas até 2035.

 

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