Secretaria Municipal da Saúde
UBS Paraisópolis I abre ciclo de capacitações sobre acolhimento aos imigrantes

Por Tatiana Ferreira
A partir desta terça-feira (21) até o dia 26 de agosto, os profissionais de cinco unidades de saúde da região sul irão participar de uma capacitação sobre acolhimento aos imigrantes e refugiados.
A Unidade Básica de Saúde (UBS) Paraisópolis I, em Campo Limpo, deu início ao ciclo de capacitação na região com a roda de conversa que abordou o tema “O SUS é para todos - Acolhimento aos Imigrantes e Refugiados na Cidade de São Paulo”. A atividade contou com a presença do facilitador Mohammad Ismael, que é palestino, já viveu na Síria e está há um ano no Brasil.
“Eu fui bem recebido no Brasil, tive um amigo que me buscou no aeroporto, morei em alguns lugares diferentes e hoje vivo na zona sul, em Primavera-Interlagos. Mas a minha maior dificuldade é encontrar um trabalho fixo. Dou aulas particulares e estou no projeto, mas ter um trabalho fixo ainda é difícil”, relatou o facilitador.
No encontro, que foi realizado em dois períodos – das 10h às 12h e das 14h às 16h - com turmas diferentes de profissionais da unidade, sendo que no período matutino estavam presentes 38 pessoas, enquanto que na turma da tarde, outras 42 pessoas participaram e foram abordados assuntos como xenofobia, discriminação, preconceitos, dificuldades de comunicação e troca de experiências com o intuito de garantir o acesso deste público aos serviços oferecidos pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e sensibilizar os profissionais que atuam na ponta para melhorar ainda mais o atendimento oferecido aos imigrantes e refugiados nos serviços municipais.
Alessandra de Lima Rocha é cirurgiã dentista da UBS Paraisópolis I e participou da roda de conversa no período da manhã. Para a profissional, todo o conhecimento adquirido vai ajudar a acolher e aproximar os usuários. “Acho extremamente importante a gente conhecer essas diferenças religiosas e culturais dos imigrantes e refugiados até para acolher e atender melhor esses pacientes. Com este conhecimento, vamos conseguir estreitar o vínculo com eles, por exemplo, um refugiado que já vem com tanta carga emocional, com tantas dificuldades, estar em um país onde ele encontre profissionais que foram instrumentalizados para oferecer este atendimento, eles vão se sentir mais acolhidos, amparados e próximos da unidade”.
Assim como os demais colegas presentes, a profissional aprovou a capacitação. “Vir outra pessoa, de outro país, que vivenciou uma guerra, trazer essa experiência é uma sensibilização para nós, por mais que já tenhamos esse olhar, ouvir de alguém que veio de lá, é uma sensibilização e tanto, achei muito legal”, afirmou Alessandra.
Próximos encontros
No dia 23 de junho a roda de conversa acontece na UBS Vila Arriete. No dia 24 é a vez dos profissionais do Hospital Municipal do Campo Limpo, seguidos pela UBS Mirna dia 28 e UBS Novo Jardim dia 30, encerrando assim a primeira rodada de palestras. Em julho, as mesmas unidades voltam a receber a presença dos facilitadores do programa para debater o SUS no que diz respeito ao atendimento aos usuários e as demandas locais. Em agosto, as unidades recebem a terceira e última roda de conversa, que nesta edição vai promover uma interação da comunidade com o imigrante facilitador.
As unidades do território foram escolhidas por contar com um maior número de imigrantes nas suas respectivas áreas de abrangência. Em Paraisópolis, por exemplo, as seis equipes de Estratégia Saúde da Família já atendem usuários provenientes de países como Haiti, Peru, Angola, Bolívia, África e China.
A ação faz parte de uma série de esforços de conscientização da Prefeitura de São Paulo que estão acontecendo por toda a cidade. Além disto, temos uma série de cinco vídeos, intitulada “O SUS é para todos”, produzidos pela SMS para combater a xenofobia, com a participação de imigrantes, refugiadas/os e trabalhadoras/es da saúde.
Você sabe o que é Xenofobia?
Xenofobia é a aversão e discriminação a pessoas de outras raças, culturas, crenças e grupos. Quem desenvolve o ódio e preconceito pelo diferente é considerado xenófobo.
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