Secretaria Municipal da Saúde
Perfil: Conheça seu Rai, o ex-bancário que se tornou guardião de animais

Seu Rai (à direita) com os colegas de trabalho João e Anna Maria em um evento de adoção de animais, antes da pandemia de Covid-19 (Foto: Arquivo Pessoal)
Para Raimundo Aleixo de Souza, conhecido como Seu Rai, o trabalho que desenvolve no gatil da Coordenadoria de Saúde e Proteção ao Animal Doméstico (Cosap) é hoje seu propósito de vida. Aos 71 anos de idade, gosta tanto do convívio com os animais e os amigos que conquistou na coordenadoria que não quer nem pensar em aposentadoria, que será obrigatória para ele daqui a cinco anos.
“Não consigo imaginar uma rotina diferente. Digo para os meus colegas que se eles permitirem, venho visitar a Cosap todo mês depois que me aposentar. Quero continuar presente no dia a dia desse lugar e manter meu contato com os animais.”
Até lá, ele quer contribuir ao máximo para o bem-estar dos gatos de que cuida. Essa paixão pelos bichos começou ainda menino. Nascido e criado em Carmo da Mata, Minas Gerais, vivia com 47 animais no sítio em que morava, além dos 13 irmãos e os pais. Eram galinhas, cachorros, porcos, cavalos, bois e gatos. Naquela época ele não sabia, porém, que o amor pelos amiguinhos de quatro patas viria a ser decisivo no futuro para a escolha de seu ofício predileto.
Na infância, ele conta que se imaginava em um ambiente de trabalho formal. “Quando eu era criança, observava todos os dias as pessoas da minha cidade indo trabalhar e acompanhava de longe. Aquela rotina, acordar cedo, colocar um terno e uma gravata e ir para o serviço era o meu sonho. Decidi cedo que gostaria de trabalhar em um banco e fazer parte daquele universo”, relembra.
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Quando fez 18 anos, veio para São Paulo morar com um dos irmãos, que já residia na cidade. De início, trabalhou em uma transportadora, para iniciar sua carreira e conseguir um sustento na capital. Em 1970, resolveu fazer um curso técnico de datilografia e de auxiliar de escritório para conseguir o tão sonhado emprego em algum grande banco. Depois de concluir os estudos, em 1974, conquistou uma vaga de auxiliar administrativo no antigo Banco União Comercial e lá trabalhou por quatro anos.
Ele gostava muito do trabalho, mas conta que se incomodava um pouco pela responsabilidade de lidar com dinheiro. “Trabalhei e estudei para realizar meu sonho, mas quando finalmente consegui, percebi que aquele dia a dia, de convívio constante com o dinheiro, me deixava tenso e estressado. Mexer com o seu dinheiro já é difícil, dos outros então...”, comenta.
Por conta dessa insatisfação, ele pediu transferência para uma agência do banco que ficava em Osasco, mas diz que, mesmo com o cargo de subgerente e tendo sucesso em seu posto, ainda se incomodava com o fato de ter que lidar com o dinheiro dos clientes, por isso resolveu procurar outra oportunidade. Assim, em 1978, começou a trabalhar no Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), que prestava serviço para o Ministério da Fazenda, e lá permaneceu por 24 anos.
O prazer do trabalho
Se aposentou por esse emprego, mas como nunca gostou de ficar parado, prestou um concurso público em 2010 na Prefeitura de São Paulo. Quando Raimundo viu a chance de trabalhar no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), onde cuidaria dos animais do canil, se lembrou da infância no interior de Minas Gerais e ficou entusiasmado. Acompanhou a fundação da Cosap, em 2017, e hoje cuida dos gatos do Centro Municipal de Adoção.
Segundo ele, a Cosap é mais que uma casa, é um lugar em que se sente completo e acolhido todos os dias. “O sustento foi minha motivação na maior parte da vida, mas hoje trabalho por prazer”, afirma o agente de saúde.
Seu Rai diz que é caseiro, mas ao mesmo tempo um viajante nato. Viajar, inclusive, é o que ele mais tem sentido falta durante a pandemia de Covid-19. Conta que não vê a hora de poder ir para a sua cidade natal, ficar com a família e aproveitar o clima e as comidas típicas.
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