Secretaria Municipal da Saúde

Exibindo 1 para 1 de 3
Segunda-feira, 19 de Abril de 2021 | Horário: 11:40
Compartilhe:

Capital tem UBSs nas aldeias e 27 indígenas em equipes de saúde

População recebe atendimento que respeita cultura, costumes e particularidades epidemiológicas

Com atividades discutidas com as lideranças e profissionais das diversas etnias em seu quadro de agentes, a Coordenadoria de Atenção Básica da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) promove ações de saúde aos indígenas do município de São Paulo considerando a sua diversidade sociocultural e suas particularidades epidemiológicas.

A capital conta com três Unidades Básicas de Saúde (UBSs) que prestam assistência aos indígenas aldeados: UBS Aldeia Jaraguá, na região de Pirituba, na Zona Norte; UBS Vera Poty e Anexo Krukutu, na Zona Sul, região de Parelheiros. Todas com farmácia em suas dependências.

Cada equipamento conta ainda com uma EMSI (Equipe Multiprofissional de Saúde Indígena), uma equipe de saúde da família exclusiva para assistência a essa população.

Foto das duas primeiras indígenas vacinadas contra a Covid-19. As duas senhoras estão sentadas e uma delas recebe de uma profissional de saúde a vacina no braço, enquanto são observadas por uma agente de saúde indígena que está de pé atrás da cadeira

Indígenas da aldeia Tenondé-Porã, na Zona Sul, recebem a vacina contra a Covid-19 (Foto: Edson Hatakeyama)

 

Além de médico, enfermeiro, auxiliar de enfermagem, cirurgião dentista, auxiliar em saúde bucal, visitador sanitário, assistente social, psicólogo, agente de promoção ambiental, farmacêutico ou técnico de farmácia, cada EMSI possui um agente indígena de saúde e uma agente indígena de saneamento.

Atualmente, são 27 indígenas contratados pelo município de São Paulo, sendo 15 na UBS Vera Poty e Anexo Krukutu e outros 12 na UBS Jaraguá. Essas unidades possuem 1.905 indígenas cadastrados e acompanhados pelas equipes.

LEIA TAMBÉM: Edna aprendeu guarani para atender pacientes indígenas

No município, os indígenas não aldeados da etnia Pankararu são assistidos por outra EMSI, ligada à UBS Real Parque, na Zona Oeste. Os mais de 950 integrantes deste grupo contam também com um farmacêutico na equipe de atendimento.

A Área Técnica de Saúde da População Indígena contempla todas as iniciativas desenvolvidas pelas Áreas Técnicas da SMS como Saúde do Idoso, Saúde Mental, Saúde da Criança e Adolescente, Saúde da Mulher, Saúde Ocular, Saúde da Pessoa com Deficiência e Saúde Bucal, de forma conjunta ou em parceria com outras instituições. Todas as atividades realizadas dentro das aldeias são discutidas com as lideranças de cada povo.

Linha de frente da pandemia
No Dia Mundial da Saúde, em 7 de abril, a agente comunitária Clarice Honório Djaxuka Mirim dos Santos foi uma das profissionais homenageadas com o Prêmio Cidade de São Paulo, concedido pela Prefeitura. Nascida no Território Tenondé-Porã, a indígena da etnia Guarani May`bya tem 36 anos, ensino médio completo e há quatro anos trabalha na UBS Vera Poty.

Foto de Clarice Honório.  Em pé, diante da fachada da UBS onde trabalha, Clarice está sorrindo diante da placa azul e branca com o nome Vera Poty em letras grandes. Ela tem cabelos negros lisos e usa colete azul, um crachá pendurado com fita laranja no pescoço e usa pulseiras de artesanato nos dois braços

Homenageda com o Prêmio Cidade de São Paulo, Clarice tem o papel de ajudar a conscientizar o povo indígena sobre a gravidade do coronavírus

 

Na linha de frente da pandemia, ela tem como desafio conscientizar o povo indígena de que a doença existe e, mesmo invisível, mata seus idosos e junto com eles vão a história e os saberes. “Convencer os guaranis a fazer o isolamento social é uma dificuldade. O nosso modo de vida é muito coletivo, então ainda estamos na batalha”, disse.

E a luta contra a Covid-19 no território indígena se traduz em números. De abril de 2020 a março de 2021 foram realizadas 21.193 visitas domiciliares, 21.643 abordagens, ações de busca ativa, entrega de máscara e álcool em gel aos indígenas.

Tabela em branco e azul com dados de visitas domiciliares, atendimentos, consultas, ações de busca ativa, abordagens, número de sintomáticos respiratórios, confirmados de Covid-19 e encaminhamentos ao hospital em indígenas atendidos nas UBS Jaraguá e Vera Poty

A SMS ofertou coleta de exames RT- PCR e teste sorológico para todos os indígenas aldeados para detecção do coronavírus. Foram 728 casos positivos, 32 transferências para hospitais e três indígenas morreram vítimas da Covid-19 neste período.

Considerados parte do grupo prioritário pelo Programa Municipal de Imunização (PMI), os indígenas começaram a receber a vacina contra a Covid-19 no dia 20 de janeiro e Clarice estava lá, acompanhando a população de sua etnia que conta com seis grupos: Tenondé-Porã, Krukutu, Kalipity, Marsilac, Brilho do sol e Guierapaj.

De acordo com o senso da Fundação Nacional do Índio (Funai), o total de elegíveis dentro do território para receber a vacina é de 1.056 pessoas acima de 18 anos. Até fevereiro, 853 indígenas tomaram a primeira dose. Os faltantes se referem à recusa ou mudança de território. A aplicação da segunda dose ainda está em andamento e 797 indígenas já foram imunizados.

 

collections
Galeria de imagens