Secretaria Municipal da Saúde
Agente da linha de frente da pandemia, Eunice personifica ‘a mãe de todos’
“Com 19 anos e 4 meses de agente comunitário de saúde, Eunice Aparecida Carvalho dos Santos, aos 56 anos de idade, trabalha na UBS Jardim Sapopemba na linha de frente da pandemia, visitando pacientes de Covid-19, acompanhando a evolução dos casos diariamente, dando suporte aos familiares e às vezes se envolvendo na ajuda com alimentos ou na iniciativa de chamar o SAMU para um caso grave, arrumar um vizinho para ficar com o filho pequeno de um paciente que foi internado. E monitorar e dar suporte diário a cada uma das pontas na luta contra a doença.”
Foi com este texto que no dia 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, a ACS – sigla para agente comunitário de saúde - Eunice foi apresentada na cerimônia do Prêmio Cidade de São Paulo, entregue a 17 profissionais de saúde das mais diversas áreas "em homenagem ao heroísmo e reconhecimento no enfrentamento e combate à pandemia, salvando e preservando vidas com dedicação, competência e obstinação".
O nome Eunice tem origem grega e significa "a que alcança muitas vitórias". Eunice nasceu em Três Fronteiras e veio para São Paulo com 6 anos de idade. “Estou com 56 e estou na área da saúde vai fazer 20 anos. Fui convidada por uma vizinha que acabou não fazendo o processo seletivo. Eu passei e estou até hoje”, comenta.
Seus colegas e superiores revelam que Nice é referência na unidade, seja pelo companheirismo e desenvolvimento de suas atividades, ou pelo seu envolvimento com a comunidade na tentativa de proporcionar saúde, bem-estar e dignidade sem distinção. Ela se empenha, envolve a todos e resolve qualquer problema que esteja ao alcance. Uma mãezona!
Múltiplas tarefas
Ela conta que sua vida é tentar conciliar o horário do trabalho na Unidade Básica de Saúde, as visitas domiciliares, as tarefas da casa e o tempo com a família, principalmente durante as refeições.
Hoje é domingo, 9 de maio, Dia das Mães. Eunice é mãe, filha e avó. E esposa do Alcebíades. Ela é filha de dona Ana, que aos 97 anos caiu e quebrou o fêmur e está sob os seus cuidados, enquanto a irmã de Eunice, com quem a mãe mora, se recupera de uma cirurgia nos olhos. “Eu vim de uma família muito humilde, mas a minha mãe é uma grande guerreira. Teve sete filhos e hoje somos só eu e minha irmã, mais velha.”
Desde que veio para São Paulo, apenas os dois irmãos trabalhavam. O pai, com problemas no coração, não conseguia trabalho e só muito tempo mais tarde conseguiu se aposentar. “Meus irmãos se casaram e foram embora, e meu pai catava papelão. A minha mãe ajudava. Eu era pequena, estudava em escola pública. Com 10 anos já comecei a trabalhar em casa de família, mas antes disso, com 8 anos, eu ajudava a empurrar o carrinho e a catar papelão na rua. A minha irmã, um ano mais velha, também. Depois fui trabalhar em mercado e conheci o meu marido”, revela. “No começo do casamento foi tudo muito difícil, mas fomos construindo as coisas juntos.”
Ela se casou grávida aos 21 anos com Alcebíades, seu namorado desde os 14, que também era de família humilde e trabalhava como motorista de caminhão num depósito de bebidas. Mais tarde, tornou-se taxista. Um dia, numa queda acidental, ele lesionou a coluna e ficou um bom tempo parado sob os cuidados de Eunice. A saúde e o trabalho foram retomados e a vida seguiu.
Em abril de 2021, o China, como é chamado pela esposa, pegou Covid-19, ficou 15 dias na UTI, emagreceu 17 quilos e encontra-se no processo de recuperação, aos seus cuidados. “Mas está indo tudo bem, graças a Deus”, diz Eunice. “Estamos juntos há 35 anos e 10 meses”, complementa.
A maternidade sempre foi um sonho
Ela é mãe de Michelle, 35 anos, e Kelly, 30, que também já são casadas e mães. Há 12 anos, Eunice e China adotaram Denise e Daniela, aos 10 e 9 anos, que ficaram órfãs. A mãe das irmãs, hoje com 23 e 21 anos, cometeu suicídio ateando fogo ao próprio corpo quando elas tinham cinco anos. Depois disso, foram cuidadas pelo pai, que voltou para a Bahia e tempos depois morreu do coração.
“O desafio de ser mãe é educar e a gente teve educação e uma vida difícil que serviu de exemplo”, define Eunice.
Ela é avó de Laura, que fez três anos em abril, é filha de Kelly e mora em sua casa. E também de Pedro, que tem um ano e nove meses, é filho de Michelle e nasceu com Síndrome de Down.
“No começo, quando a gente descobriu, foi muito difícil. Mas a gente tinha fé que tudo ia dar certo. A minha filha tem até mais fé do que eu, ela é abençoada”, revela a mãe orgulhosa da filha que é formada em pedagogia e administração e é gerente num banco em Taubaté. E claro que o Pedro é o xodó da vovó.
Kelly seguiu os passos da mãe na Saúde e é enfermeira no banco de sangue de um hospital particular da capital. As caçulas também estão na faculdade, uma cursa farmácia e a outra psicologia. Eunice conta que uma delas até deu um pouquinho de trabalho, mas diz na sequência de um suspiro: “É da vida!”
“A minha maior alegria é ver todos saudáveis e encaminhados, estar junto dos meus dois netinhos e mais um que está a caminho. Tudo isso foi e ainda é com muita fé e luta, porque sem isso não há vitória, né?”, decreta Eunice, que carrega a marca da vitória desde o batismo.

Nesse Dia das Mães, Eunice define o que é a maternidade para ela. “Ser mãe é uma dádiva, mas receber o carinho dos filhos, não tem preço. E a gente está aqui nesse mundo para ser feliz e fazer as pessoas felizes. Começando pelos nossos pais, filhos, netos, e assim por diante até com as pessoas que a gente nem conhece. Se a gente é feliz e faz feliz, fica feliz em poder ajudar. Eu sou muito feliz e grata pela minha vida e pela minha história de vida.”
Legendas
Primeira foto acima, à esquerda: A agente de saúde Eunice Aparecida Carvalho dos Santos
Segunda foto, à direita: Eunice entre o marido e as filhas adotivas Daniela e Denise em foto tirada antes da pandemia
Terceira foto, à esquerda: Kelly, a filha mais nova de Eunice, é mãe da Laura
Quarta foto, à direita: Michelle, a filha mais velha de Eunice, é mãe do Pedro
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