Secretaria Municipal da Saúde

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Quarta-feira, 11 de Março de 2026 | Horário: 16:00
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Programa Acompanhante de Idosos da Prefeitura de SP dá assistência a Dona Anízia, 100, e seus dois filhos

Matriarca diz que paciência, fé e cuidado a mantêm viva, com o apoio do PAI, que mantém 70 equipes na capital
A foto registra um atendimento de saúde domiciliar em uma cozinha residencial simples e iluminada. Cinco pessoas estão no ambiente: três idosos (dois sentados e um em cadeira de rodas) e duas profissionais de saúde do Programa de Acompanhante de Idosos. O grupo está organizado em um semicírculo, sugerindo uma conversa atenciosa. As Pessoas (da esquerda para a direita) Homem Idoso: Está sentado em uma cadeira de rodas manual, de perfil para a direita. Ele é negro, tem cabelos curtos grisalhos e usa uma camisa polo branca com gola laranja e bermuda escura. Ele ouve atentamente o que a profissional de saúde diz.  Mulher Idosa (ao centro): Está sentada em uma cadeira comum. Ela é negra, usa óculos de grau e uma blusa estampada em preto e branco. Ela aponta com o dedo indicador em direção à profissional, como se estivesse explicando algo.  Mulher Idosa (à direita do centro): Uma senhora negra, com cabelos brancos presos, usando uma blusa preta de manga longa, saia bege e pantufas pretas. Ela observa a cena de forma serena.  Agente de Saúde: Uma mulher de pele clara e cabelos ruivos amarrados, sentada ao fundo, entre as idosas e a mesa. Ela veste uma camiseta preta sob um colete azul (uniforme de agente de saúde) e calça estampada.  Profissional de Saúde (Médica ou Enfermeira): Sentada à direita, em primeiro plano e de perfil para a esquerda. Ela é uma mulher jovem de traços orientais, com o cabelo preso em um coque. Veste um jaleco branco com o logotipo do SUS (Sistema Único de Saúde) no braço. Ela segura um celular e papéis, gesticulando com a mão direita enquanto fala com os idosos.

Programa Acompanhante de Idosos dá assistência a Dona Anízia, 100, e seus dois filhos (Acervo/Ascom) 

O Programa Acompanhante de Idosos (PAI), iniciativa inédita da Prefeitura de SãoPaulo, acompanha uma história rara na zona sul de São Paulo: três idosos da mesma família, dona Anízia, centenária lúcida de 100 anos, e seus dois filhos, Paulo, 83, e Marinalva, 79, que passaram a receber cuidado conjunto por meio do serviço, revelando como a rede pública de saúde tem sido fundamental para sustentar vínculos, autonomia e qualidade de vida em um núcleo familiar marcado por longevidade, afeto e trajetórias de resistência.

Com equipes atuando em todas as regiões, o PAI, coordenado pela Área Técnica de Saúde da Pessoa Idosa da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), oferece cuidado domiciliar a pessoas com 60 anos ou mais em situação de alta vulnerabilidade social e fragilidade clínica, com o objetivo de preservar a autonomia e evitar a institucionalização. A equipe multidisciplinar apoia nas atividades diárias, no acompanhamento de saúde e na socialização.

Mãe centenária, filhos idosos
Dona Anízia Pereira Lima nasceu em 11 de julho de 1925, no interior da Bahia, em algum ponto “entre roça e cidade pequena”, em um tempo em que quase nada era registrado com precisão. Os filhos, Paulo, 83 anos, e Marinalva, 79, acreditam que ela possa ter ainda mais idade do que os 100 anos documentados.

Criada em uma família numerosa, passou a infância entre o sítio e pequenas cidades da região de Ipiaú. Desde muito jovem começou a trabalhar ajudando outras famílias, primeiro cuidando de crianças e depois na cozinha e na lavagem de roupas no Rio de Contas.

Foi em Ipiaú que conheceu o marido, Francisco, que trabalhava em um armazém de cacau. Após a morte dele, Anízia decidiu buscar novas oportunidades e, em 1951, mudou-se para São Paulo com os filhos pequenos, viajando em um caminhão até Petrópolis e completando o trajeto de trem até a capital paulista.

Em São Paulo, Anízia trabalhou como empregada doméstica em diferentes bairros. Viúva e com poucos recursos, enfrentou um dos momentos mais difíceis da vida ao se afastar temporariamente dos filhos, que foram para um orfanato em Suzano por sugestão de patrões.

Paulo lembra que passou cerca de cinco anos no local, onde estudava e trabalhava na roça, em condições simples. Sempre que podia, dona Anízia caminhava quilômetros para visitá-los, levando alimentos que preparava ou conseguia comprar.

Com o tempo, os filhos deixaram o orfanato e a família voltou a se reunir, fixando-se na região de Cidade Ademar/Vila Constância, na zona sul da capital paulista. Hoje, mãe e filhos vivem em casas no mesmo terreno, mantendo a proximidade construída ao longo de uma vida de superação. Minha casa é lá embaixo, mas hoje eu durmo com a mamãe. Cuido dela e do Paulo”, diz Marinalva com carinho e orgulho.

Os filhos: luto e trabalho
Primogênito de Dona Anízia, Paulo sempre trabalhou desde cedo, primeiro na roça e depois em uma oficina de funilaria e pintura que abriu com o irmão Deusdete. A parceria terminou tragicamente quando um carro invadiu o quintal da casa e atingiu Deusdete, que morreu horas depois. Após o episódio, Paulo nunca mais voltou à oficina e passou a trabalhar com madeira, fazendo miniaturas de móveis e brinquedos.

Problemas de saúde relacionados a hábitos ao longo da vida resultaram na amputação de sua perna em 2020, no início da pandemia. Já a irmã Marinalva, hoje com 79 anos, também teve uma trajetória marcada por muito trabalho em fábricas e por um casamento que se deteriorou com o alcoolismo do marido. Mãe de quatro filhos, ela hoje se orgulha da família que construiu.

Vida simples e suporte do PAI
Quando perguntam o segredo da longevidade, dona Anízia responde com simplicidade: “É paciência… e a necessidade, né?”. Lúcida e afetuosa, gosta de cantar hinos em casa e de comida simples, especialmente ensopado de carne com batata, seu prato preferido.

A família passou a receber acompanhamento do Programa Acompanhante de Idosos após Paulo ser encaminhado pela UBS Vila Constância, em 2023, por dificuldades de locomoção e isolamento social após a amputação da perna. Durante as visitas, a equipe identificou que dona Anízia e Marinalva também precisavam de apoio e, em 2024, passaram a integrar o programa.

Quem dá assistência à família é Ana Maria Prado, acompanhante de idoso que está há quase 14 anos no programa.  Duas vezes por semana, ela visita a mãe e os dois filhos. Estimula exercícios físicos e cognitivos, ensina contas, organiza rotinas, conversa, orienta sobre saúde, autonomia e independência. A família também recebe visita da auxiliar de enfermagem, enfermeira, coordenadora/assistente social e médica.

“Quando organizo uma atividade é sempre pensando em trazer a eles algo prazeroso. Me atento ao que cada um gosta e irá desenvolver sem estresse. Na maioria das vezes são atividades diferentes para cada um. Sinto que eles esperam pela visita e o atendimento traz vida para eles. Isso me completa como ser humano”, conta Ana Maria.

Com o acompanhamento, os avanços são visíveis: Paulo retomou parte da autonomia, voltou a trabalhar com madeira e ajuda nas tarefas de casa; Marinalva passou a ter momentos de descanso e a retomar interesses pessoais; e dona Anízia, mesmo centenária, permanece lúcida, mais ativa e participando das atividades cotidianas.

Tais ganhos são demonstrados na Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa (Ampi-AB): Paulo e Marinalva têm conseguindo manter a classificação pré-frágil, melhoraram pontuações do teste cognitivo e do humor. E, mesmo centenária, dona Anízia permanece com humor estável e lúcida. 

Equipe, idosos e família também discutem sobre aspectos como a melhoria da acessibilidade arquitetônica do domicílio e a continuidade no processo de reabilitação de Paulo.

“A união entre a equipe PAI, rede Raspi e a família tece e fortalece o caminho do cuidado e autocuidado em prol da melhoria da qualidade de vida, com resiliência e adaptações às adversidades, promovendo o envelhecimento e velhice ativos e saudáveis.  Um presente que ainda é vivo”, salienta Eliana Yagi. 

Paulo resume o espírito da casa: “A vida é boa, temos que agradecer!”
 

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