Secretaria Municipal da Saúde

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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2025 | Horário: 16:00
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Secretaria Municipal da Saúde realiza acompanhamento domiciliar para 3 mil pessoas com deficiência intelectual por mês em São Paulo

Estratégia Apoiador da Pessoa com Deficiência (APD) busca promover autonomia, independência e inclusão social
A imagem mostra um grupo de pessoas reunidas em torno de uma mesa pequena, em um ambiente iluminado por janelas. Há crianças sentadas à mesa, interagindo com brinquedos e materiais coloridos. Duas profissionais de saúde, identificadas pelos jalecos brancos com o símbolo da cruz azul, participam do momento — uma delas parece observar e conversar com as crianças. Ao fundo, há adultos acompanhando, sugerindo que a cena acontece em um espaço de atendimento ou atividade comunitária voltada ao cuidado infantil e familiar. O clima é acolhedor e educativo.

Conscientizar a sociedade sobre a importância da inclusão e combater o preconceito é o objetivo principal da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, celebrada anualmente de 21 a 28 de agosto, conforme a Lei nº 13.585/2017. Para promover a independência, autonomia e inclusão das pessoas com deficiência intelectual, os Centros Especializados em Reabilitação (CER) oferecem atendimento gratuito.

Esses espaços disponibilizam a estratégia Apoiador da Pessoa com Deficiência (APD), um programa terapêutico diferenciado, que vai além das abordagens convencionais, para atender as diversas demandas relativas ao cuidado e saúde, com o objetivo de facilitar o acesso aos serviços e políticas públicas, bem como superar barreiras e ampliar a participação social. Atualmente, a capital conta com 34 equipes APD que atendem, em média, 3 mil usuários por mês.

Para desenvolver a estratégia APD, o CER III Pirituba conta com uma equipe técnica multidisciplinar composta por psicólogo, enfermeiro, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e apoiador da pessoa com deficiência intelectual. Essa equipe faz uma avaliação do paciente para elaborar o Projeto Terapêutico Singular (PTS), um conjunto de atividades para a melhoria de qualidade de vida, considerando as características, necessidades e potencialidades de cada pessoa. Essas atividades envolvem aspectos relacionados à aprendizagem, comunicação, mobilidade, educação, trabalho, vida doméstica e social, entre outros. 

Pequenas grandes conquistas
Antes de colocar essas atividades em prática, o apoiador vai até a casa do paciente para conhecer a sua rotina e seus desafios, além de estabelecer um vínculo de confiança, escuta e diálogo. “Eu vou até a casa do paciente para fazer uma atividade com ele. Durante a semana, a família estimula o paciente para realizar essa atividade. Após ele dominar essa tarefa, o que não tem um prazo definido, passamos para uma nova etapa”, conta o apoiador Renato Carneiro Oliveira. 

Há oito meses, ele faz o atendimento semanal na casa de Kethelyn Costa Bertoli Dias, de 16 anos. Ela faz questão de mostrar sua cama arrumada com as bonecas. “Eu acordo, arrumo a cama, escovo os dentes e tomo café da manhã”, conta. “É o trabalhar terapêutico, gradativo, que requer paciência. Para nós, pode ser uma tarefa fácil, mas para ela é uma grande conquista”, comenta Renato. 

Na visita domiciliar, ele propõe um jogo de memória com imagens de frutas para avaliar a capacidade cognitiva de associar figuras, identificar cores e conhecer as formas. Se no início Kethelyn demonstra uma certa dificuldade, assim que ela entende o propósito do jogo, fica mais animada. “Antes ela achava que não conseguia fazer uma tarefa e nem queria tentar. E agora o Renato passa uma atividade e ela faz sozinha. Ela ganhou autoconfiança”, diz Bruna Costa Marciano, mãe da adolescente. 

Novos horizontes 
Júlia Simões Machado Alves, de 27 anos, que tem deficiência intelectual leve, começou seu atendimento na APD em abril do ano passado. “No início, o apoiador ia até a minha casa para conversar comigo e propor atividades. Depois, ele me levou para andar pelo bairro para conhecer o comércio da região. Até que ele propôs para participar das oficinas aqui no CER III Pirituba”, conta. 

Ela já participou de oficinas de pintura, culinária e empreendedorismo. “A oficina que mais gosto é a de culinária. Cada dia é uma receita diferente. Eu já fiz receita de biscoito, bolo, panqueca”, comenta. “O atendimento me ajudou a enfrentar meus medos, a sair de casa, conhecer outras pessoas. Quanto mais eu participo das oficinas, mais eu vou me descobrindo e aprendendo coisas novas que eu achava que não podia fazer”. 

No momento, Júlia está se preparando para entrar no mercado de trabalho. “Nós já auxiliamos com as atividades dentro de casa e agora ela participa das oficinas. Agora, estamos trabalhando com a empregabilidade. Nós fizemos o currículo juntas e estamos trabalhando como se comportar e se vestir para a entrevista de emprego, e pensar no trajeto até o trabalho”, conta a apoiadora Gislaine Bastos. “É muito gratificante ver a evolução de cada paciente porque mostra que o nosso trabalho, que é de formiguinha, está funcionando”.

Além das oficinas, os pacientes e seus familiares também participam de encontros mensais em parques e equipamentos da região para promover a interação social. “A proposta é tirar essas pessoas do isolamento para conhecer outros espaços de lazer e outras pessoas que também têm deficiência e, assim, ter novos interesses”, diz a enfermeira Fernanda Nathalia Oliveira Silva, supervisora APD do CER III Pirituba.

Cuidar de quem cuida
O suporte da família é essencial para dar andamento às atividades propostas pela equipe técnica e que são realizadas com o auxílio do acompanhante nos domicílios. “O atendimento em casa foi fundamental para o desenvolvimento da minha filha. O acolhimento e a atenção do acompanhante criaram um vínculo de confiança que ajudou a quebrar os medos dela e os meus também”, conta a professora Rosângela Simões da Silva, mãe de Júlia. “Agora, ela tem mais autonomia e segurança. A interação com outras pessoas nos encontros foi crucial porque ela ficava fechada em casa. Quem vê a Júlia hoje não acredita que é a mesma pessoa de tempos atrás”.  

Para promover ainda mais a integração, enquanto os pacientes participam das oficinas, os familiares participam de outro grupo, em que podem compartilhar suas experiências, expor os desafios e aprender a lidar com certas situações. “A psicóloga da nossa equipe cria atividades e dinâmicas para que os familiares possam se expressar porque é importante cuidar de quem cuida do paciente”, diz Fernanda. “Muitas vezes, a família não enxerga o potencial do paciente com deficiência intelectual e nós mostramos que essa pessoa é capaz, funcional, que pode ter autonomia”, analisa Fernanda.

A equipe também orienta os familiares sobre os direitos e benefícios da pessoa com deficiência. “Eu não conhecia as leis que garantem os direitos à pessoa com deficiência. Hoje, a minha filha tem a identidade com as informações sobre a questão da pessoa com deficiência, tem o bilhete único”, conta Rosângela. 
 
“O nosso trabalho é trazer a pessoa com deficiência para os espaços sociais, para que ela possa se reinserir na sociedade, já que muitas vezes ela está restrita ao núcleo familiar. A proposta é que ela possa conhecer novos locais, interagir com outras pessoas, descobrir uma habilidade ou um esporte, ter acesso a lazer, cultura, estudo, trabalho. É garantir autonomia e independência para que essa pessoa consiga acessar esses espaços”, diz Fernanda.

Imagens de apoio: https://we.tl/t-VfU9JzCdEQ

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