Secretaria Municipal da Saúde
Sem fronteiras: Caps amplia inclusão de famílias imigrantes com cuidado integrado

Atividades coletivas com crianças e famílias de imigrantes no Caps Infantojuvenil (IJ) Mooca promovem integração, convivência e cuidado em saúde mental (Acervo/Ascom)
Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) da Prefeitura de São Paulo vêm aprimorando o atendimento em saúde mental para famílias imigrantes, com foco em práticas inclusivas e culturais. No Caps Infantojuvenil (IJ) Mooca, por exemplo, os grupos exclusivos para imigrantes bolivianos deram lugar à integração com os demais usuários, favorecendo a socialização, principalmente entre crianças, que já enfrentam dificuldades com o idioma.
O cuidado do equipamento, que compõe a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) passou a ser integrado, respeitando as especificidades culturais, e promovendo convivência e troca entre diferentes realidades. Atualmente, cerca de 350 pacientes são atendidos por mês no serviço. Desses, aproximadamente 170 são pessoas com transtorno do espectro autista (TEA); e, destas, aproximadamente 60 são crianças bolivianas.
É nesse cenário que histórias como a de Margarita Quispe se apresentam. Mãe de uma criança em acompanhamento no serviço, ela encontrou no Caps não apenas atendimento para o filho, mas também uma rede fundamental de apoio para enfrentar os desafios do diagnóstico em um país estrangeiro. “Eu nunca tinha ouvido falar sobre autismo antes e, por isso, eu me sentia muito perdida. Mas aqui eu recebo ajuda das profissionais e das outras mães. Elas me orientam e explicam como agir em determinadas situações. Dizem para não desistir. A gente compartilha as experiências dos nossos filhos e isso faz muita diferença”
Até receber o diagnóstico para o filho L.M., de 7 anos, a trajetória foi marcada por dúvidas e incertezas. “Eu sentia que tinha algo diferente no meu filho porque ele não falava e não interagia, como outras crianças”. Com o atendimento no Caps e o acompanhamento multiprofissional, ela percebeu os avanços no desenvolvimento do filho: “Agora ele já consegue interagir, brincar com outras crianças e está mais calmo”.
Assim como Margarita, outros pais encontram no serviço um espaço de acolhimento e pertencimento, especialmente diante das barreiras linguísticas, sociais e emocionais que atravessam a experiência migratória. Para Nicol Quispe Machaca, mãe de C., de 9 anos, o Caps se tornou também uma rede de apoio fundamental. “Aqui me sinto bem de participar das reuniões porque as profissionais me dão esperança de que minha filha vai ficar melhor”. E os resultados já são visíveis: “Agora C. vai feliz para a escola, ela já interage com outras crianças, dá beijos e participa das atividades com mais tranquilidade”.
Articulação entre equipes
A complexidade de alguns dos casos atendidos também chama atenção. Recentemente, uma família vinda do território palestino, passou a ser acompanhada pela equipe. A criança, já diagnosticada com TEA, apresentou agravamento do quadro em função de estresse pós-traumático.
Diante desse cenário, o diagnóstico exige ainda mais sensibilidade e articulação entre os profissionais. “Ele é importante porque ajuda a família a compreender o que está acontecendo com a criança”, explica a psicóloga Carolina Zandavalli Steinacker, ressalvando que o diagnóstico não é o único critério para o cuidado. “A gente se baseia muito mais no que a criança apresenta, para a partir daí criar um projeto terapêutico singular que trabalhe com as demandas específicas de cada paciente.”
O atendimento considera então a articulação entre equipe multiprofissional, escolas e serviços do território, o que contribui para diagnósticos mais precisos e acompanhamento qualificado. Nesse processo, o trabalho multiprofissional é fundamental. A atuação integrada entre diferentes áreas também é destacada pela assistente social Maria Eloisa Santiago, que reforça a importância de olhar para além do indivíduo. “A equipe multiprofissional é o centro da estratégia de cuidado. A gente entende a saúde como um processo psicossocial, influenciado por fatores psicológicos e sociais, que são inseparáveis.”
A reorganização dos grupos no Caps IJ Mooca também foi parte desse processo de transformação. Segundo a assistente social, a mudança do modelo exclusivo para o inclusivo foi estratégica. “Os grupos deixaram de ser só de famílias imigrantes e passaram a ser mistos. A gente entendeu que promover a inclusão era o caminho mais importante para o cuidado.”
Projeto é premiado no 39° Cosems
Outro Caps Infantojuvenil III, o Vila Maria/Vila Guilherme, na zona norte, teve o projeto “Saúde mental em territórios multiculturais: experiência intersetorial com crianças bilíngues” premiado pelo 39º Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems/SP), realizado de 8 a 10 de abril em Santos. A iniciativa articulou ações entre saúde e educação para qualificar o cuidado às famílias imigrantes, especialmente bolivianas, valorizando a língua materna e fortalecendo vínculos familiares. À frente do projeto, a musicoterapeuta Rócio Romero desenvolveu grupos de brincadeiras que incorporam canções e jogos das culturas de origem das crianças atendidas. Como parte da estratégia, materiais de saúde também passaram a ser disponibilizados em castelhano, facilitando o acesso à informação.
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