Secretaria Municipal da Saúde

Terça-feira, 12 de Maio de 2026 | Horário: 16:00
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Taty Lia, enfermeira sênior, com muito orgulho

Trajetória de cuidado e superação de ex-metalúrgica transforma sua própria vida e a de outras pessoas na periferia
A foto mostra um grupo de nove pessoas reunidas em um ambiente interno da Unidade Básica de Saúde (UBS) Mitsutani. O local está decorado para uma celebração temática. Na parede ao fundo há muitos balões vermelhos em formato de coração, além de um cartaz com o nome “Mitsutani”, sugerindo uma homenagem ou evento especial. A decoração cria um clima festivo e acolhedor. O grupo está posicionado lado a lado, sorrindo para a câmera. Algumas pessoas usam coletes azuis com identificação de agente comunitário de saúde, enquanto outras vestem roupas casuais ou uniformes brancos de profissionais da saúde. Várias seguram balões vermelhos em formato de coração nas mãos. No centro, uma mulher de uniforme branco se destaca, cercada pelos colegas, reforçando a sensação de celebração em equipe. O ambiente transmite união, confraternização e valorização do trabalho coletivo.

“Tudo começou com a minha mãe, a dona Lia. Nos anos 1990, durante o pós-operatório de uma cirurgia de litíase biliar, ela precisou de cuidados em casa e ninguém se sentia seguro para fazer o curativo”, relembra a enfermeira Tatiana Ferreira, 49 anos, que atua na rede municipal de saúde da capital paulista há 23 anos. No período, a profissional atendeu em três Unidades Básicas de Saúde (UBSs), equipamentos da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

Tatiana, que na época trabalhava como metalúrgica, tomou a iniciativa. “Eu cheguei, fiz o curativo, e a minha vizinha olhou para mim e falou: ‘Você nasceu para a enfermagem, faça isso’.”

Até então, a enfermagem não fazia parte dos seus planos. “Eu sou uma menina como a maioria das meninas negras da periferia, cresci sem nenhuma perspectiva de fazer uma faculdade”, afirma.

Segundo ela, a mudança de fato veio anos depois, já casada, em parceria com o marido, Adilson: “Um dia falei: ‘Será que a gente consegue pagar um curso de enfermagem para mim?’ E ele respondeu: ‘Vamos lá’.”

Com muito esforço, formou-se auxiliar de enfermagem em 2001. Pouco depois, veio a primeira oportunidade na rede pública, em um processo seletivo para duas novas Unidades Básicas de Saúde que seriam abertas na região do Jardim Ângela, na zona sul: a UBS Vera Cruz e a UBS Jardim Horizonte Azul.

“Eu fui aprovada em 13º lugar e direcionada para a Horizonte Azul. E, literalmente, nesse horizonte, minha vida começou a mudar”, conta. “Se a gente tem mais qualidade de vida hoje, foi a enfermagem que proporcionou isso”, diz Taty Lia, que adotou o nome da mãe como forma de homenagem.

Foram 11 anos trabalhando como auxiliar, e o incentivo para crescer profissionalmente veio da própria equipe. “Minha enfermeira sênior ficava muito no meu pé: ‘Taty, faz faculdade’”, lembra.

A decisão, no entanto, não foi simples. Além da insegurança, com duas filhas pequenas, Izabeli, de 5 anos, e Júlia, então com 1 ano, o desafio parecia ainda maior. Novamente, o apoio do marido foi determinante.

"A rotina durante a graduação foi intensa. Eu trabalhava de dia, fazia faculdade à noite e estágio no final de semana”, relata a profissional. 

Após não passar em um processo seletivo, recebeu, na mesma semana, o convite para atuar em uma nova instituição. “Fui chamada para trabalhar em uma unidade do parceiro em que atuo hoje, o Einstein Hospital Israelita".

Representatividade, pertencimento e transformação
Já como enfermeira assistencial, Tatiana enfrentou novos desafios — um deles ao perceber que era a única profissional negra na equipe. Mais uma vez, um episódio inesperado mudou sua perspectiva. “Uma senhora entrou, me abraçou e disse: ‘Fica em paz, que tudo vai dar certo’.” Para Tatiana, foi um sinal. “Naquele dia, eu me senti beijada pela minha mãe.”

Hoje, ela se orgulha de ter participado de iniciativas que impactaram diretamente a comunidade e a equipe. Um dos destaques foi a condução de um grupo de caminhada na UBS Mitsutani. “Começamos com uma, duas pessoas e, quando eu saí, já éramos mais de 100.”

Outro momento marcante foi uma ação sobre racismo estrutural dentro da unidade. “A gente colocou frases pejorativas espalhadas e depois fez uma roda de conversa. O impacto foi profundo.” Em 2024, Tatiana foi convidada pela Associação Brasileira de Enfermagem de Família e Comunidade (Abefaco) para falar sobre liderança negra em espaços de cuidado.

Hoje, como enfermeira sênior da UBS Alto do Umuarama, ela reconhece o impacto da sua trajetória na vida de outras pessoas — uma delas, sua própria filha Izabeli, que cursa o último ano de odontologia. Na sua opinião, ser espelho para que outras pessoas possam se refletir e se inspirar faz parte das conquistas ao longo das últimas décadas de muito trabalho.

“Eu sempre falo que nós somos a alma do sistema de saúde”, diz a enfermeira, que, mesmo diante dos desafios da rotina assistencial, mantém o compromisso com o cuidado. “Até eu me aposentar, vou continuar fazendo com excelência.”

Aos colegas de equipe e aos novos profissionais, a orientação é a mesma: “Vidas podem ser transformadas por causa do nosso cuidado. Então, façam e façam bem-feito”, recomenda Taty Lia.

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