Secretaria Municipal da Saúde

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Segunda-feira, 27 de Abril de 2026 | Horário: 11:00
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UBS rural acolhe moradores no extremo sul da capital

Para lidar com questões como a distância, equipe da Dom Luciano Bergamin investe em cuidado integrado e acompanhamento contínuo por meio dos agentes de saúde
A imagem mostra três profissionais de saúde caminhando por uma estrada de terra em uma área rural, cercada por vegetação densa e verde.  Eles são vistos de costas. Ao centro, um homem veste um colete azul com a identificação do SUS e a inscrição “Agente Comunitário de Saúde”. Ao seu lado, duas mulheres usam jalecos brancos; uma delas segura uma prancheta, sugerindo que estão em atividade de campo.  O cenário é ensolarado e transmite a ideia de deslocamento no território, provavelmente para visitas domiciliares ou acompanhamento de moradores. A cena reforça o trabalho da atenção básica e da estratégia de saúde da família, especialmente em áreas mais afastadas ou de difícil acesso.

Uma característica marcante da Unidade Básica de Saúde (UBS) Dom Luciano Bergamin, localizada na região de Marsilac, no extremo sul de São Paulo, é a distância: ela fica a 54 quilômetros do centro da cidade, sendo o último equipamento da Prefeitura de São Paulo antes da divisa com outros municípios, como Itanhaém, na Baixada Santista, a apenas 9 quilômetros de distância.

Nesta UBS, situada na extensa área rural do município, onde a densidade populacional média é de 40 habitantes por quilômetro, em comparação à média de 7.000 habitantes por quilômetro nas partes mais adensadas da cidade, a distância a percorrer também é um desafio para os 1.891 pacientes cadastrados, uma vez que alguns vivem a até 15, 20 quilômetros da unidade e, quando precisam ir até o equipamento, não raro vão caminhando.

Ao todo, são 697 famílias, com mais homens (1.075) que mulheres (816), uma característica que também distingue a Dom Luciano Bergamin de outras UBSs, em decorrência do grande número de chácaras e sítios na região, que empregam os homens como caseiros. E, deste contingente, 501 pessoas têm mais de 60 anos, com a prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como hipertensão e diabetes.

Presença no território
Em uma manhã de segunda-feira no último mês de março, a sala de espera da Dom Luciano Bergamin contava com quase 20 pessoas. Na Sala de Curativo, a cozinheira Maria Helena Alves Gomes, 62 anos, recebia os últimos cuidados em sua perna machucada. “O atendimento aqui é muito bom”, elogiou a paciente, que é diabética e hipertensa. “Mas está tudo controlado”, ressalta ela, que retira quatro medicamentos todos os meses na farmácia da unidade. Segundo dona Maria Helena, que mora a cerca de uma hora de caminhada, a maior dificuldade está mesmo nas distâncias a serem transpostas na região.

A unidade mobiliza toda a sua estrutura e a equipe de 24 profissionais para lidar com aspectos da realidade local, como a necessidade de resolutividade diante das distâncias, além do número de homens cadastrados, notoriamente menos propensos a procurar os serviços de saúde, e da prevalência de DCNTs. O objetivo da UBS, que é ligada à Supervisão Técnica de Saúde (STS) de Parelheiros da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e gerida pela organização social em saúde Associação Saúde da Família, é não apenas estar no território, mas agir de forma efetiva para chegar aos usuários.

Uma das maneiras é por meio da equipe de Estratégia Saúde da Família (ESF), que conta com seis agentes comunitários de saúde (ACSs), todos moradores locais e responsáveis por visitar mensalmente as 697 famílias cadastradas, verificando receituários, orientando sobre o uso de medicamentos, avaliando condições gerais de saúde e convidando para participação nos grupos voltados a pacientes e, sempre que necessário, direcionando a consultas ou outros acompanhamentos na UBS.

Moradores de um sítio localizado nas proximidades, dona Alzira dos Santos Ramalho Silva, 55, e José Ramalho Silva, 59, já se acostumaram com as visitas do ACS Ailton Hessel, que acontecem há sete anos. Naquela segunda-feira de março, ele vai à casa dos pacientes acompanhado pela farmacêutica Cleina Ávila, que verifica a tomada de medicamentos e conversa com o casal. É nesse contexto que descobre, por exemplo, que Alzira não vem dormindo bem porque o companheiro mantém a TV ligada, inclusive de madrugada. Segundo ele, é uma forma de se distrair da dor que sente no ombro, resultado de décadas de trabalho na enxada. Entre outras orientações, a farmacêutica e o ACS também recomendam que José tente desligar a TV mais cedo.

Além das visitas da equipe de Saúde da Família, o casal, que está junto há quase 40 anos e tem cinco filhos, não abre mão de outros recursos oferecidos pela UBS; com a nutricionista Ana Andrade Galkowicz por exemplo, Alzira aprendeu a preparar uma alimentação mais saudável. “Hoje ponho menos sal na comida e aprendi a fazer doce quase sem açúcar”, exemplifica ela, que também pretende voltar a frequentar o grupo de atividade física, às quartas-feiras. “Me dei muito bem, hoje até faço exercícios em casa, e 99% da dor que tinha no braço passou.”

José, que largou a bebida há um ano (o consumo abusivo de álcool é um problema muito presente na região), recebe orientação para o controle do diabetes (é insulinodependente) e também frequenta o grupo voltado a pacientes com dor crônica, onde conseguiu reduzir a dor com auriculoterapia e acupuntura, aplicadas pela médica da UBS, Erika Emi Kumagai. Erika trabalha na Dom Luciano Bergamin há sete anos e foi responsável pela implementação da maior parte dos grupos na unidade.

A imagem mostra uma visita domiciliar em uma área rural. Em uma varanda simples, com chão de cimento e cobertura de madeira, dois profissionais de saúde conversam com um casal de moradores.  Uma mulher está sentada em uma cadeira plástica vermelha, de frente para uma profissional que usa jaleco e anota informações em uma prancheta, indicando atendimento ou acompanhamento de saúde. Ao lado, um homem mais velho, também sentado, observa a conversa. Um agente comunitário de saúde, identificado pelo colete azul do SUS, está em pé próximo ao grupo, acompanhando o atendimento.  O ambiente é acolhedor e cotidiano, com elementos típicos de uma casa rural ao fundo, como utensílios domésticos e área externa com vegetação. A cena transmite proximidade, escuta e cuidado, característicos do trabalho da atenção básica e das equipes de saúde da família no território.
O casal Alzira e José Ramalho recebe visita de Ailton e Cleina (Acervo/SMS)

Espaços coletivos
São vários grupos: o HiperDia, para orientação de pessoas com hipertensão e diabetes; o grupo de gestantes (são oito grávidas, atualmente, em acompanhamento no território); o de dor crônica; o de atividade física, todos semanais; mensalmente, reúnem-se ainda o grupo de devolutiva de exames, focado na mudança do estilo de vida; os grupos de tabagismo e aquele voltado a dependentes químicos e o grupo para pacientes insulinodependentes.

O casal Maria Cícera de Lima, 61, e José Virgínio de Lima, 64, compareceu à unidade para receber orientações da médica após pegar os resultados dos exames laboratoriais. Ela tem hipertensão, ele tem hipotireoidismo e artrose nos dois joelhos, e ambos fazem acompanhamento permanente. “É muito importante, pois conseguimos verificar nossas taxas e receber orientação para mudanças, sempre que necessário”, comenta Maria Cícera, que há quatro anos, durante a pandemia de Covid-19, foi morar juntamente com o marido em uma chácara localizada a seis quilômetros da unidade de saúde. “Essa UBS é maravilhosa, tudo de bom”, elogia.

Esta dinâmica de acompanhamento integral dos pacientes é possível com a presença, ao longo de toda a semana, de profissionais como a médica Erika, a enfermeira Jenyffer Juliana Silva Sampaio, o cirurgião-dentista Eduardo Haruki e a farmacêutica Cleina, além dos ACSs. Além disso, uma vez por semana a unidade conta também com a presença da equipe multi, formada por fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudióloga, educador físico, assistente social e psicóloga. Para os grupos que demandam mais espaço, como o de atividade física, a equipe utiliza uma área coberta da igreja da comunidade, junto da qual a UBS foi erguida, há 25 anos.

A imagem mostra uma consulta médica em um ambiente clínico. Uma profissional de saúde, usando jaleco branco com identificação da Prefeitura de São Paulo e um estetoscópio no pescoço, atende um paciente sentado à sua frente.  A médica está voltada para o paciente, falando e aparentemente explicando alguma informação, enquanto utiliza o computador e consulta documentos sobre a mesa. O paciente, um homem de meia-idade ou idoso, está de costas para a câmera e ouve atentamente.  O consultório é simples e funcional, com equipamentos médicos ao fundo e materiais organizados na mesa. A cena transmite um momento de escuta e orientação, típico do atendimento na atenção básica, com foco no acompanhamento e cuidado contínuo do paciente.
A médica Erika Emi Kumagai durante devolutiva de exames (Acervo/SMS)

Para os pacientes que moram mais longe, a Dom Luciano Bergamin oferece ainda o Polo de Atendimento no Território, no distrito de Mambu, a cerca de 15 quilômetros de distância. Lá, uma vez por mês, eles contam com a presença de Erika e de outros profissionais da unidade, sem ter que se deslocar.

“Para esta comunidade, a UBS é atendimento médico, mas também o principal equipamento público e espaço de encontro com outras pessoas; acolhê-los de modo integral é nosso desafio cotidiano, e temos sido bem-sucedidos, na medida em que atualmente temos apenas 31 pessoas aguardando consulta com especialista”, comenta a enfermeira Ana Iris de Sousa Queiroz, recém-chegada à unidade como gestora. Para ela, que convive com profissionais que, apesar das dificuldades impostas pela distância, trabalham lá há seis, sete anos ou mais, motivados pela relevância do trabalho que desenvolvem, “a comunidade precisa de nós, aqui podemos desenvolver um trabalho completo e integral, como deve ser a saúde pública.”

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