Segunda-feira, 25 de Maio de 2026 | Horário: 07:08
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Leishmaniose Visceral Americana

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Leishmania sp, forma amastigota em macrófagos de fígado
(Fonte: Atlas de parasitologia Clínica Viqar Zaman, 1979)

  

O que é?

A leishmaniose visceral (LV) é uma doença infecciosa, também conhecida como Calazar, de evolução crônica e sistêmica, causada pelo protozoário Leishmania (Leishmania) infantum chagasi.

É uma doença grave, podendo atingir, principalmente, crianças e adultos jovens e, quando não tratada, pode levar à morte. Acomete também mamíferos domésticos e silvestres.

Transmissão:

Ocorre pela picada da fêmea do inseto denominado flebotomíneo, conhecido popularmente como mosquito palha, asa-dura, tatuquiras, birigui, dentre outros. 

A transmissão acontece quando fêmeas infectadas picam cães ou outros animais infectados, e depois picam o homem inoculando as formas promastigotas do parasita.

Vetores:

No Brasil, a principal espécie responsável pela transmissão é a Lutzomyia longipalpis.

A espécie Lutzomyia cruzi é considerada de importância secundária em áreas específicas dos estados do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul e de Goiás.

Atualmente outras espécies tem sido consideradas como vetores secundários (Pintomya fischeri, Migonemya migonei e Nyssomya intermedia).

A atividade dos flebotomíneos é crepuscular e noturna. Durante o dia, esses insetos ficam em repouso, em lugares sombreados e úmidos, protegidos do vento e de predadores naturais.

A espécie L. longipalpis adapta-se facilmente ao peridomicílio e pode ser encontrada no interior dos domicílios e em abrigos de animais domésticos.

No ambiente silvestre, os reservatórios são as raposas (Dusicyon vetulus e Cerdocyon thous) e os marsupiais (Didelphis albiventris).

Período de incubação:

No homem, é de 10 dias a 24 meses, com média entre dois e seis meses.

Sintomas:

Apenas uma pequena parcela de indivíduos infectados desenvolve sinais e sintomas da Leishmaniose Visceral Americana (LVA).

É uma doença crônica, sistêmica, caracterizada por febre de longa duração, perda de peso, astenia, adinamia, hepatoesplenomegalia e anemia, entre outras manifestações.

Prevenção:

  • Uso de mecanismos de proteção individual (repelentes, telas em portas e janelas, camisas de mangas compridas e calças, meias e sapatos);
  • Manter abrigos de animais (galinheiros, chiqueiros, etc) distantes das residências;
  • Controle de reservatórios domésticos;
  • Controle vetorial nas áreas intra e peridomicílio;
  • Medidas educativas (por ex: acondicionamento e destino adequado do lixo orgânico).

Veja também:

 

PROFISSIONAIS:

Tratamento

Apesar de grave, a Leishmaniose Visceral tem tratamento para os humanos. A escolha terapêutica deverá considerar a faixa etária, a presença de gravidez e as comorbidades.

Diagnóstico Laboratorial

  Pesquisa de anticorpos em soro 

   Humano

·       Imunofluorescência Indireta (IFI): detecta anticorpos IgG e IgM. Apresenta alta sensibilidade, mas não distingue as duas leishmanioses (visceral e tegumentar).

  • Resultado: 24 a 48 horas.

   Animal

  • No cão: acesse a página Leishmaniose Visceral Canina

Outros Animais

 

·     Imunofluorescência Indireta (IFI): detecta anticorpos totais. Apresenta alta sensibilidade, mas não distingue as duas leishmanioses (visceral e tegumentar).

o   Resultado: 24 a 48 horas.

   Diagnóstico Parasitológico

·    Exame Microscópico Direto: detecta a presença de formas amastigotas do parasita em fragmentos de fígado e baço, punção de linfonodo e medula óssea de amostra animal.

o   Resultado: 24 a 48 horas. 

·         Isolamento do Parasita: a partir de fragmentos de fígado e baço, punção de linfonodo e medula óssea de amostra animal, em meio de cultura acelular com posterior identificação e caracterização do parasita.

o   Resultado: 30 dias.

   Diagnóstico Molecular

·         Detecta a presença de DNA de Leishmania spp em fragmentos de fígado, baço, aspirado de linfonodo e medula óssea em amostra animal e em espécimes de flebotomíneos.

o   Resultado: 07 dias.

Interpretação

O diagnóstico da LVA deve ser clínico, epidemiológico e laboratorial. Na imunofluorescência consideram-se reagentes amostras com títulos iguais ou superiores a 80.  O isolamento do parasita na cultura confirma casos de leishmaniose. No caso de PCR positivo será realizado sequenciamento para identificação da espécie de Leishmania.

Envio Correto de Material

 

Material

  • Soro (1 ml);
  • Sangue (5 ml);
  • Fragmentos de fígado e baço, punção de linfonodo e medula óssea, em tubo com cerca de 0,5 ml de solução fisiológica estéril;
  • Fêmeas de flebotomíneos. 

Conservação/Transporte

  • Soro: refrigerado ou congelado;
  • Sangue: refrigerado;
  • Fragmentos de fígado e baço, punção de linfonodo e medula óssea, refrigerado até 24 horas após a coleta;
  • Espécimes: pool de até 50 fêmeas de mesma espécie capturadas no mesmo local e período, imersas em álcool 70%.

Observação:

·    A punção e os fragmentos não devem ser congelados.

 

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