Subprefeitura Sé
Adote uma Praça transforma cuidado voluntário em ação urbana
O cuidado com as áreas verdes de São Paulo também começa com a participação de quem vive e ajuda a construir a cidade todos os dias. É o que mostra Eduardo Paziam, conhecido pelos moradores e comerciantes do bairro como o “Jardineiro da República”. Morador do Centro de São Paulo há mais de 20 anos, ele transformou o cultivo em uma rotina e encontrou no programa Adote uma Praça, da Prefeitura de São Paulo, uma forma oficial de ampliar esse trabalho.
espécies nativas cultivadas pelo projeto Pazipê. | Foto: Subprefeitura Sé / Lucas Oliveira
A história começou em 22 de julho de 2023, após a implantação de dois Jardins de Chuva na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua Basílio da Gama, próximo ao edifício onde mora. Inspirado pela transformação do espaço, ele levou para a calçada um ipê-amarelo que cultivava havia 15 anos em um vaso dentro de casa. O plantio marcou o início do projeto Pazipê, nome que reúne seu apelido e a espécie escolhida para inaugurar a iniciativa.
Desde então, Eduardo passou a acompanhar de perto o desenvolvimento das plantas, cuidar dos jardins e levar novas espécies para os canteiros da região. O trabalho, que começou de forma espontânea, ganhou ainda mais alcance com o Adote uma Praça. “Pra mim, é uma honra ser o jardineiro urbano, porque todo mundo gosta do jardineiro. Todo mundo me saúda com um sorriso, faz um aceno e me agradece pelo trabalho que venho fazendo. É maravilhoso. Eu recomendo pra todo mundo ser o jardineiro urbano”, afirma o empresário.
ele mantém rotina diária de cuidados pelo programa Adote uma Praça. | Foto: Subprefeitura Sé / Juan Mistieri
A rotina começa cedo. Todos os dias, por volta das 5h30, ele desce para regar os jardins e acompanhar as espécies. Para Paziam, a relação com a vegetação se tornou uma conexão pessoal com o ambiente em que vive.
“Hoje pela manhã, eu desci para regar os jardins e abri a porta do prédio e me deparei com esse lindo ipê-roxo, totalmente florido. Essa Mata Atlântica aqui na frente da minha casa me traz uma energia tão maravilhosa, me fortalece de uma forma que faz todo sentido pra mim”, conta.
Após os Jardins de Chuva, outros canteiros da região também passaram a receber os cuidados do projeto Pazipê. A proposta é recuperar espécies nativas da Mata Atlântica e criar ambientes capazes de favorecer a presença de pequenos animais, como borboletas e abelhas, contribuindo para o fortalecimento da biodiversidade na avenida.
Como funciona o Adote uma Praça
Criado em 2017, o Adote uma Praça é um programa gratuito, on-line e transparente que permite a cidadãos, empresas e instituições contribuírem para a conservação de áreas verdes municipais. A iniciativa contempla desde pequenos canteiros até praças e prevê ações de zeladoria, como limpeza e poda de árvores.
A participação é formalizada por meio de um Termo de Cooperação, pelo qual o interessado assume a responsabilidade pela conservação do espaço durante um ano. Como contrapartida, é permitida a instalação de uma placa de identificação no local, seguindo as regras estabelecidas pela Lei Cidade Limpa.
A iniciativa cria uma conexão direta entre a população e os locais onde vive. Na República, a trajetória de Eduardo mostra como esse envolvimento pode transformar um simples canteiro em um espaço de convivência, biodiversidade e pertencimento.
Natureza como parte da cidade
Esse trabalho ganhou escala ao longo dos anos. Quando o programa foi criado, São Paulo contava com apenas 23 jardins de chuva. Hoje, são 515 estruturas espalhadas pela capital. Só na área da Subprefeitura Sé, estão 152, o equivalente a 29,5% do total, reforçando o papel da região na adoção de soluções verdes para melhorar a drenagem e ampliar a permeabilidade do solo.
Foi justamente essa transformação que despertou o interesse de Eduardo pelo paisagismo urbano. Para ele, o plantio precisa considerar as características de cada espécie e sua relação com o ambiente.
“Não é só plantar qualquer tipo de árvore. A Prefeitura tem um manual das espécies que podem ser plantadas, as recomendadas. Então, o primeiro passo é você entrar no site do Adote uma Praça, localizar esse canteiro que você tem a intenção de cuidar. Pode ser um canteiro, uma praça ou um jardim de chuva”, explica.
espécies nativas da Mata Atlântica na região.
Foto: Subprefeitura Sé / Lucas Oliveira
A população pode participar desse cuidado por meio do Adote uma Praça, mas a manutenção das áreas verdes também é realizada continuamente pela Prefeitura. Na região da Sé, são mais de 56 mil árvores catalogadas, que podem ser monitoradas para o planejamento de serviços como poda e rega, além de ações de plantio e recuperação. No início de agosto, a região ganhou quatro novos Bosques Urbanos: Suiriri, Mariquita, Pica-Pau e Pintassilgo, com mais de 4 mil mudas nativas, ampliando a arborização de uma área onde vivem mais de 423 mil pessoas e circulam cerca de 2 milhões por dia.
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