Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026 | Horário: 15:56
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Saiba como prevenir e reconhecer os sinais de um Acidente Vascular Cerebral

Enfermidade é a segunda maior causa de mortalidade no Brasil e o principal motivo de incapacidade no mundo

O calendário de saúde destaca a data de 29 de outubro como o Dia Mundial do AVC, a segunda maior causa de mortalidade no Brasil e o principal motivo de incapacidade no mundo. Essa doença ocorre quando os vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, provocando a morte da área que ficou sem circulação. 

De acordo com a enfermeira Marisa Malvestio, que integra o Núcleo de Projetos Assistenciais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), quase 2 milhões de neurônios são perdidos a cada minuto durante um AVC, se ele não for tratado.

“Por isso, quem está do lado é a pessoa-chave para buscar ajuda, salvar uma vida ou minimizar sequelas.”

Segundo estudos do Ministério da Saúde, uma a cada quatro pessoas terá um AVC ao longo da vida. E, apesar de mais comum entre pessoas acima de 60 anos, dados do ministério apontam que cada vez mais pessoas a partir dos 45 anos têm apresentado essa complicação.

Na rede municipal de São Paulo, 9.394 pessoas foram internadas por acidente AVC isquêmico ou hemorrágico, entre janeiro de 2023 e julho de 2026, de acordo com dados da Coordenadoria de Epidemiologia e Informação (CEInfo) da Secretaria Municipal da Saúde (SMS). 

O AVC isquêmico, que representa 85% dos casos, ocorre quando um coágulo obstrui um vaso sanguíneo, impedindo que o sangue chegue a uma parte do cérebro, enquanto o hemorrágico acontece quando um vaso sanguíneo se rompe, provocando sangramento dentro ou ao redor do cérebro.

Se o paciente não receber o tratamento adequado a tempo, pode ficar com sequelas graves ou mesmo ir a óbito. A orientação é ficar atento a uma fraqueza repentina ou formigamento na face, braço ou perna, especialmente em um lado do corpo. Confusão mental, alteração na fala ou de compreensão, alteração de visão em um ou nos dois olhos, perda de equilíbrio, coordenação motora, tontura ou dificuldade para andar, dor de cabeça súbita ou intensa sem causa aparente estão entre os sinais de alerta.

“Você está perto da pessoa que, de repente, começa a falar arrastado, gaguejando, com dificuldade para articular a palavra. Mas se ela estava conversando normalmente com você até um minuto atrás... isso pode ser um sinal. Ou a pessoa estava caminhando muito bem, de repente, perde o controle, perde o passo, cai. Não consegue mais caminhar, perdeu o equilíbrio. Subitamente, ela tem um desvio da boca, que fica torta. Todos esses são sinais de AVC”, explica Marisa.

A enfermeira também dá dicas de como reconhecer uma possível ocorrência de AVC, especialmente quando os sintomas aparecem subitamente. “É uma pequena avaliação que qualquer cidadão pode executar para se certificar de que, sim, pode estar ocorrendo um AVC naquele momento.” 

Três passos importantes

  • Olhe para a pessoa de frente e peça para ela sorrir ou mostrar os dentes;
  • Peça para ela falar uma frase simples;
  • Por último, peça para elevar os braços e mantê-los elevados. Se necessário, pode ajudar a pessoa na tarefa de levantá-los e, depois, soltá-los. Se um deles cair, é um sinal.

Essas alterações exigem atendimento imediato. Contudo, Marisa reforça que não é necessário que os três sinais estejam presentes para suspeitar de AVC. Diante de uma suspeita e um sinal, a orientação é acionar imediatamente o Samu, pelo telefone 192, informando, se possível, o horário do início dos sintomas, para que a equipe possa encaminhar o paciente ao serviço adequado.

É primordial que o atendimento ocorra em uma janela de quatro horas e meia, relacionada principalmente à possibilidade de tratamento trombolítico em pacientes elegíveis com AVC isquêmico. A enfermeira ressalta que é importante não pensar esse período como um prazo para esperar antes de buscar ajuda, nem como limite para todos os tratamentos. 

Na capital paulista, a Linha de Cuidado AVC 360 iniciada pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) promove a integração dos serviços de urgência e emergência e hospitalar para acelerar o atendimento. O encaminhamento do paciente é feito para o hospital adequado, a realização de tomografia e o acesso aos tratamentos indicados. “Mas é importante chamar o Samu a tempo”, reforça Marisa.

Estilo de vida saudável
Mudar a rotina é fundamental prevenir AVCs e outras doenças cardiovasculares. O primeiro passo é o controle periódico da pressão arterial, que deve ser 12 por 8. A hipertensão não tem cura, mas o seu tratamento regular é vital. 

Manter o peso ideal ajuda a controlar a hipertensão, o diabetes e o colesterol. Se há muitos casos de doenças cardíacas na família, previna-se desde cedo. As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da rede municipal estão de portas abertas para oferecer orientação e tratamento.

O neurologista Arthur de Medeiros Dias, que coordena linha de cuidado do AVC no Hospital Municipal Ermelino Matarazzo, na Zona Leste, é taxativo em relação à adoção de um estilo de vida saudável. “Evitar cigarro, procurar dormir melhor, controlar a ingestão de álcool, adotar uma dieta com muitas frutas, verduras, legumes, grãos e proteínas magras”, enumera, destacando também a importância de pelo menos 150 minutos por semana de atividade física regular. “O dia vai acabar tarde da noite? Acorda meia hora mais cedo e faz uma caminhada no prédio. Você precisa parar meia hora para caminhar. Não tem espaço? Põe uma música e caminha no corredor da casa, mas caminha”, aconselha o médico.

Para saber mais sobre os sinais de AVC, infarto e convulsões confira os episódios do SaúdeCastSP com a enfermeira Marisa Malvestio e o neurologista Arthur de Medeiros Dias.

 

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