Secretaria Municipal da Saúde
No Dia Nacional do Combate às Drogas e ao Alcoolismo, saiba como as Unidades de Acolhimento auxiliam na reinserção social dos usuários

Getúlio Aparecido Dias Bernardes mostra seu desenho "Princesa do Morro", vencedor do IX Prêmio Arthur Bispo do Rosário, realizado em 2025 pelo Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP) / (Acervo/SMS)
Na cidade de São Paulo, os dependentes em álcool e drogas que fazem tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e se encontram em situação de risco, vulnerabilidade ou conflito familiar, podem ser encaminhados para as Unidades de Acolhimento (UA). A rede de saúde municipal oferece 16 UAs, nas modalidades adulto e infantojuvenil, que são espaços de convívio e moradia voltados para a reinserção social dos pacientes que já estão em abstinência total ou no processo de minimizar o uso de substâncias psicoativas, a chamada redução de danos.
“O objetivo é que os pacientes desenvolvam autossuficiência para realizar as atividades do dia a dia para que, no futuro, retornem para suas famílias ou consigam ter uma moradia autônoma”, explica Leandro Carlos Augusto, gerente da UAA Boracea, localizada na Barra Funda, que acolhe 12 pessoas.
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A cada quinze dias, os moradores realizam uma assembleia para definir a escala de distribuição de tarefas para o cuidado e zelo do local, como cozinhar, limpar ou varrer. “Como é um espaço coletivo, nenhuma atividade é imposta. Eles discutem e propõem melhorias para o andamento da casa. Paralelamente, eles continuam com seus tratamentos no Caps, onde fazem atendimentos médicos e psicológicos e participam das atividades dos grupos terapêuticos”, conta Leandro. Segundo ele, as equipes das UAAs e Caps mantêm diálogo constante para traçar estratégias e ajustes no tratamento, juntamente com a participação do paciente.
Os moradores também são encaminhados para a realização de cursos de formação no Programa Operação Trabalho (POT), além de oportunidades de emprego no Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo (Cate) e Centro de Desenvolvimento Social e Produtivo (CEDESP). Para promover a ressocialização, eles fazem passeios gratuitos a parques e equipamentos culturais como a Pinacoteca, Museu do Futebol e Sala São Paulo. A ideia é propor novos interesses esportivos e artísticos que também proporcionem prazer, mas sem causar prejuízos como o vício.
Segundo Leandro, as recaídas fazem parte do processo do cuidado de substâncias. “Diante de alguma frustração pontual, alguns têm uma rigidez tão grande que querem abandonar o tratamento; então nós que mostramos a eles que se houve um deslize, nós vamos nos levantar juntos, vamos tentar novamente para não perder a continuidade do processo”.
O gestor diz que é bastante gratificante acompanhar a evolução dos pacientes. Mesmo após a alta, muitos mantêm o vínculo com a equipe da UAA Boracea, com visitas para contar as novidades do trabalho e da família. “Tivemos uma paciente que era usuária de álcool e crack e estava em situação de rua há mais de 10 anos; o sonho dela era ir ao cinema e conhecer a Avenida Paulista, porque nunca tinha ido. A nossa funcionária a levou para assistir a um filme e comer pipoca”, conta. Como ela tinha muita insegurança de sair na rua sozinha, a equipe trabalhou para que ela readquirisse a sua autonomia. “Atualmente, ela vive no Centro de Acolhida Especial (CAE) na Casa Verde e vai sozinha à igreja e às consultas da UBS e do Caps. Ela sempre vem nos visitar e rever a roseira que ela plantou aqui”.
Traçando novos voos
Getúlio Aparecido Dias Bernardes, 50 anos, foi encaminhado à UAA Boracea pelo Caps Álcool e Drogas (AD) III Butantã. “Eu já fui dono de uma oficina de comunicação visual. Fazia faixas, placas, banners. Mas tive uns tropeços por causa da bebida e cheguei a viver na rua. Nem sei como sobrevivi”. Na UA, ele diz que resgatou o autocuidado. “Eu mudei muito depois que vim para cá. Tomo banho, lavo as minhas roupas, limpo a casa. Estou com mais autoestima. E tenho colegas fantásticos. A gente aprende um com o outro”.
Durante o tratamento no Caps AD III Butantã, Getúlio redescobriu uma paixão de infância: o desenho. Com orgulho, ele mostra seus desenhos que retratam artistas de cinema e super-heróis, sendo que alguns já foram premiados pelo concurso Arthur Bispo do Rosário, realizado anualmente pelo Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP). “Eu vou para outro mundo quando estou desenhando. Também gosto de ler sobre o trabalho de grandes artistas como Michelangelo, Picasso, Velásquez. E do Basquiat que também foi morador de rua. Também me identifico com o (cantor) Seu Jorge, que já morou nas ruas”, diz.
Ele conta que, diante da possibilidade de recaída, a equipe ajuda a não desistir do tratamento. “Eles acreditam em mim; o Leandro sempre fala ‘Vamos, levanta a cabeça, vamos continuar’. Eu não vou me entregar porque não quero voltar para a rua. E já fui atrás de uma entrevista de emprego. Ainda não é da minha área, mas eu quero continuar desenhando e pretendo disputar de novo o concurso Bispo do Rosário e ganhar”.
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