Secretaria Municipal da Saúde

Sábado, 29 de Agosto de 2026 | Horário: 11:00
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Atendimentos para deixar de fumar crescem mais de 250% em cinco anos na rede municipal de saúde

Cerca de 57 mil atendimentos foram ofertados entre 2021 e o primeiro semestre de 2026; tratamento é espontâneo e envolve avaliação clínica e abordagem cognitivo-comportamental

As UBSs oferecem tratamento para deixar de fumar (Acervo/SMS)

O número de atendimentos a usuários de tabaco ofertados pela Prefeitura de São Paulo aumentou 257% na rede municipal da saúde da capital, passando de 4.262, em 2021, para 15.220 em 2025. Só no primeiro semestre de 2026, foram contabilizados 11.206 atendimentos, atingindo 57.560 atendimentos no período de cinco anos, de acordo com dados da Coordenação de Epidemiologia e Informação (CEInfo) da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

O Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado neste sábado (29), foi criado há exatos 40 anos, pela Lei Federal nº 7.488, com o objetivo de conscientizar a população sobre os danos causados pelo tabaco.

Tabagismo classificado como epidemia
“O tabagismo é considerado uma das principais causas de morte evitáveis no planeta e está associado a mais de 90% dos casos de câncer de pulmão e a diversas outras doenças, como infarto, bronquite e enfisema pulmonar”, lembra Liamar de Abreu Ferreira, coordenadora do Programa Cessação de Tabagismo na SMS, que segue as diretrizes do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Organização Mundial da Saúde (OMS), classifica o tabagismo como epidemia e uma das principais causas de morte, doença e empobrecimento do mundo, sendo responsável pela morte de mais de 8 milhões de pessoas por ano. Destas, 1,2 milhão de mortes são resultado de não fumantes expostos ao fumo passivo. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, o tabagismo afeta cerca de 11,6% da população adulta. Os números recuaram, mas voltaram a crescer devido ao uso de cigarros eletrônicos. Na cidade de São Paulo, de acordo com o Inquérito de Saúde da Capital (ISA) 2024, o índice de pessoas fumantes com idade de 10 anos ou mais chega a 14,2%.

Grupos dão suporte a quem quer abandonar o cigarro
Em São Paulo, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) são, prioritariamente, a porta de entrada para auxiliar pessoas que desejam abandonar o cigarro. O tratamento abrange avaliação clínica, reuniões em grupo com abordagem cognitivo-comportamental e uso de medicamentos, se necessário, como adesivos de nicotina, gomas de mascar, pastilhas e cloridrato de bupropiona para reduzir os sintomas de abstinência. A duração do Programa de Cessação de Tabagismo é de três meses, com possibilidade de acompanhamento por um ano ou mais, considerando possíveis recaídas.

As sessões são coordenadas por profissionais de saúde de nível superior e conduzidas por uma equipe multiprofissional, que pode ser composta por médico, enfermeiro, psicólogo, farmacêutico, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional ou dentista. Os equipamentos municipais também oferecem práticas integrativas e complementares em saúde (Pics), como meditação, acupuntura e auriculoterapia com o objetivo de reduzir a ansiedade e a compulsão.

Vale destacar que o tratamento é espontâneo, ou seja, depende da vontade do paciente, é destinado a todas as faixas etárias e independe da quantidade de cigarros fumados ao dia e do tipo de fumo, seja convencional, mascado, eletrônico, vape ou pod (versão simplificada do vape).

“Durante as reuniões, o profissional de saúde orienta e ensina técnicas para lidar com a abstinência, os gatilhos e a dependência física e psicológica. Além disso, os pacientes compartilham suas experiências, o que ajuda os demais integrantes do grupo”, explica Liamar.

Segundo ela, a abordagem cognitivo-comportamental entende o ato de fumar como um comportamento aprendido, desencadeado por determinadas situações e emoções, e o modelo de intervenção é centrado na mudança de crenças e desconstrução de comportamentos que levam ao hábito.

Nova vida
“Nunca é tarde para ter uma nova vida”. É assim que Umberto Carlos da Silva, de 58 anos, define a sua fase atual após deixar de fumar há pouco mais de um ano. “Fui fumante por mais de 30 anos. Chegava a fumar quase três maços de cigarros por dia. Também consumi outras substâncias, mas o cigarro foi o mais difícil de abandonar. Nos primeiros dias, até sonhava que estava fumando. Mas o grupo me ajudou muito”, conta.

Ele frequentou o grupo antitabagista da UBS Jardim São Nicolau, na zona leste da capital. “O fumo é uma doença e precisa de abordagem médica. No grupo, todos se ajudam. A coordenadora dá orientações, conversamos bastante e fiz auriculoterapia para diminuir a ansiedade. O importante é não desistir”, diz Umberto.

Para a farmacêutica Juliana D'Assumpção dos Santos, que integra a equipe multiprofissional responsável pelo grupo antitabagista na UBS Jardim São Nicolau, o acolhimento é fundamental. “Os pacientes compartilham suas experiências e encorajam uns aos outros. Toda conquista é importante. Alguns deixam o fumo definitivamente, enquanto outros reduzem a quantidade de cigarros. Sabemos que o tabagismo, além de causar dependência física e psicológica, envolve diversas questões comportamentais e familiares. Por isso o paciente pode retornar em um outro grupo, caso tenha dificuldade em deixar de fumar”, diz.

Acompanhada pela UBS Vila Mariana, na região sudeste, a tosadora Ana Cristina do Nascimento, de 45 anos, foi fumante por três décadas. “Comecei aos 15 anos, acendendo o cigarro do meu pai no fogão”, relata. A decisão de procurar o grupo na unidade veio com a impossibilidade de realizar uma cirurgia estética em função da contraindicação representada pelo tabagismo. Há dois meses sem fumar, Ana Cristina, que é esportista e faz atividade física ao menos cinco dias por semana, conta que não tem sido um processo fácil, mas que se sente “vencedora” por ter dado o primeiro passo para parar, e que não pretende abandonar o grupo da UBS. “Tem sido meu apoio.” Ela acrescenta que, neste percurso, há um forte indício de que o tabagismo foi superado. “O cheiro de cigarro agora me dá nojo.”

Para se informar sobre o grupo de tratamento para parar de fumar, procure a sua UBS de referência com RG e cartão do Sistema Único de Saúde (SUS).

Clique aqui para acessar a plataforma Busca Saúde, com a localização de todos os serviços de saúde da capital: http://buscasaude.prefeitura.sp.gov.br/

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