Secretaria Municipal da Saúde
Botulismo
O que é a doença?
Botulismo é uma doença neuroparalítica, bastante grave, potencialmente letal, de instalação súbita e progressiva. É resultante da ação de uma potente toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum, comumente encontrada no solo, vegetais, legumes, frutas, fezes humanas e de animais. Os esporos da bactéria não causam botulismo, desde que não produzam a toxina em determinadas condições, exceto em crianças pequenas (botulismo infantil), ou adultos com alterações do trato gastrointestinal (botulismo intestinal), onde ocorre produção de toxina in vivo e no botulismo por ferimento.
Como se transmite?
A via de transmissão mais comum é a ALIMENTAR, que ocorre por ingestão de toxinas presentes em alimentos previamente contaminados, produzidos ou conservados de modo inadequado.
Não é contagiosa de pessoa para pessoa.
Outras formas conhecidas, porém mais raras que a forma alimentar: Botulismo infantil, Botulismo intestinal, Botulismo por ferimento e Botulismo iatrogênico.
Quais os alimentos envolvidos?
Relatos de casos ocorridos e conhecidos no Brasil e no mundo:
- Conservas de vegetais, principalmente caseiras ou artesanais (palmitos, picles, pequi)
- Produtos cárneos cozidos, curados e defumados de forma artesanal (embutidos, lingüiça, salsicha, patê, presunto, carne frita conservada em gordura – “carne de lata”).
- Pescados e mamíferos marinhos defumados, salgados e fermentados.
- Queijos e pasta de queijos.
- Raramente, produtos industrializados (palmito em conserva, clandestino, nacional ou importado) entre 97 e 99 e, posteriormente, o queijo de soja (tofu) em conserva), porém não há dados disponíveis sobre a forma de manipulação do produto.Mesmo sendo a origem comercial, há que se considerar se o produto possa ter sido manipulado para o preparo de um caldo/pasta/creme. Nessas condições, pode ter ocorrido o desenvolvimento da toxina devido à conservação inadequada do alimento preparado.
- Alimentos caseiros como tortas salgadas, de carne, frango ou vegetais vendidos em padarias e rotisseries. Houve relato de casos e surtos envolvendo os mais variados tipos de alimento, como tortas caseiras produzidas em pequenos comércios, pastas de vegetais (tofu, grão de bico).
Como é a doença?
Considera-se o Botulismo uma intoxicação alimentar.
Os sintomas podem iniciar-se, em média, a partir de 12 a 36 horas da ingestão do alimento contaminado: distúrbios gastrointestinais – Vômitos, diarreia, ou constipação e dor abdominal.
Podem evoluir com paralisia flácida dos nervos cranianos, descendente e simétrica:
- Alteração da visão, visão turva, dupla, fotofobia, flacidez de pálpebras
- Secura na boca, rouquidão, afonia, disartria.
- Disfagia, flacidez muscular da face e pescoço (cabeça pendente) e membros superiores.
- Insuficiência respiratória
- Flacidez de membros inferiores, dificuldade para andar, paralisias.
- Parada cardiorrespiratória e óbito.
Há tratamento?
O tratamento específico consiste na soroterapia feita com o soro heterólogo antibotulínico (SAB). A antitoxina neutraliza a toxina circulante e não atua sobre a que se fixou no sistema nervoso, portanto, sua eficácia depende da suspeita oportuna de casos e sua precoce aplicação.
Não se deve esperar pela confirmação laboratorial, pois os testes exigem no mínimo, 4 dias.
Qual a sua importância?
O Botulismo alimentar é considerado uma emergência médica e de saúde pública. Devido à gravidade da doença e a possibilidade de ocorrência de outros casos resultantes da ingestão da mesma fonte de alimentos contaminados, um caso é considerado um surto em potencial.
Em 1999, criação do Centro de Referência do Botulismo – CR BOT – implantação da vigilância do botulismo no estado de São Paulo.
Tornou-se doença de notificação obrigatória nacional em 2001.
No município de são Paulo, assim como no estado, casos raros ocorreram nos últimos anos relacionados a conservas caseiras vegetais (tofu, grão de bico) e tortas produzidas em padarias.
Quais as medidas de prevenção e controle?
- Notificação obrigatória e imediata aos serviços de saúde e vigilâncias epidemiológicas de casos suspeitos
- Medidas sanitárias e educacionais sobre boas práticas a manipuladores de alimentos para a prevenção de futuros casos
- Orientações à população em geral sobre a aquisição de alimentos de fontes seguras e preservação adequada dos alimentos em casa.
O botulismo, na atualidade, é uma doença rara, devido à melhoria de práticas e processos de fabricação e conservação dos alimentos. Entretanto, métodos inadequados de preparação caseira (produção e manipulação) de alguns alimentos persistem.
“Quadros neurológicos de início súbito, em crianças e adultos anteriormente saudáveis, evoluindo com flacidez muscular podem indicar botulismo.”
“A ocorrência de mais de um caso de doença com suspeita de botulismo, especialmente entre pessoas com alguma ligação entre si, sugere um surto de origem comum e aumenta substancialmente a probabilidade do diagnóstico.”
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