Secretaria Municipal da Saúde

Sexta-feira, 28 de Agosto de 2026 | Horário: 10:00
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Dona Rô, a doula que acolhe gestantes há quase 30 anos na maior maternidade da rede pública municipal

Programa Voluntários da Saúde da SMS, que completa 25 anos, reúne pessoas dispostas a doar tempo e dedicação em várias áreas e equipamentos

A doula Rosângela Aparecida Ferro atua de forma voluntária há quase 30 anos (Acervo/SMS)

Com voz mansa e suave, quase um sussurro, a doula Rosângela Aparecida Ferro, de 70 anos, tranquiliza as gestantes durante todo o processo de parto no Hospital Municipal e Maternidade-Escola Doutor Mário de Moraes Altenfelder Silva, a maior maternidade da rede pública municipal, localizada na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte da capital. 

Rosângela, que é artista plástica, também escuta atentamente os anseios e orienta as pacientes, bem como seus familiares.  “Para mim, ser doula é uma missão que faço com muito amor de forma voluntária há 27 anos. Esse acolhimento é fundamental para que as gestantes se sintam mais seguras durante o parto. Mas é preciso falar com a alma, né?”.

No Dia do Voluntariado, nesta sexta-feira (28), vale destacar que as doulas estão integradas ao Programa Voluntários da Saúde, que foi instituído pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) há 25 anos. Elas podem ser vinculadas às unidades de saúde ou acompanhar uma única gestante, estando presentes durante todo o período de trabalho de parto.

O programa, vinculado à Coordenadoria de Gestão de Pessoas da SMS, possibilita a atuação em diversas áreas como acolhimento e inclusão, arte e cultura, bem-estar animal, empreendedorismo, qualidade de vida, sustentabilidade e bem-estar animal. De 2022 até junho 2025 o programa cresceu quase 60%, passando de 407 para 650 voluntários ativos na rede.

A atuação da doula é uma das estratégias de humanização da assistência ao parto e nascimento, prestada às mulheres pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O papel social das doulas no cuidado comunitário é regulamentado pela Lei 3.946/2021, que estabelece critérios de formação, como ter 120 horas de curso. Rosângela fez um curso de voluntárias para doulas da SMS, além de outros sobre amamentação e cuidados com idosos. “Eu abracei a função de doula e procuro compartilhar minhas experiências com as mães. É muito gratificante”.

Conforto e incentivo
Na maternidade, Rosângela é chamada de Dona Rô ou, simplesmente, Rô, pelos funcionários. “O papel de doula é fundamental para apoiar as parturientes e seus familiares. Durante o parto, ela dá suporte emocional para a paciente, conversando com um jeitinho todo carinhoso. Ela sempre fala: ‘Não é dor! É vida! Você está trazendo uma nova vida para o mundo’”, conta a enfermeira Jéssica Revolveri.

Na hora do parto, para aliviar o desconforto das contrações e facilitar a descida e encaixe do bebê na pelve, Rosângela ensina às mulheres que acompanha na maternidade técnicas de respiração e movimentos circulares com o quadril, leva as gestantes para tomar um banho morno relaxante e faz massagens com óleo essencial para as dores na lombar.

As recomendações tranquilizaram a tatuadora Danubhia Costa Ribeiro, de 30 anos, grávida da segunda filha. “Eu estava um pouco nervosa porque, desta vez, optei pelo parto normal. Ela me deu algumas dicas e o amparo emocional que eu precisava”, conta.

A doula também transmite mensagens de incentivo, principalmente para as mulheres que estão sozinhas, sem a presença do companheiro ou de familiares. “Às vezes, o medo do desconhecido é maior do que a dor. E eu sempre falo: ‘Você consegue! Você está dando o seu melhor! Insiste, persiste e não desiste’”. E, após o parto, ainda faz questão de visitar a mãe e o recém-nascido para orientar sobre os benefícios do aleitamento materno. “Quando você coloca o bebezinho no peito, ele escuta o seu coração bater e reconhece a sua voz, o que cria um vínculo muito forte”, diz.

Ela também acolhe as mulheres quando o recém-nascido é encaminhado para a UTI neonatal por alguma questão de saúde. Nesses momentos, é fundamental respeitar o momento de cada mulher, que pode ser demonstrado das mais diferentes formas. “Eu escuto, consolo e até choro junto”.

Parceria
O Hospital Municipal e Maternidade-Escola Doutor Mário de Moraes Altenfelder Silva lidera o número de partos na cidade de São Paulo, com cerca de 500 procedimentos realizados por mês. O equipamento também é referência para gravidezes de alto risco, atendendo 85% desses casos na capital.

“A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem uma definição ampla para a saúde, que engloba o bem-estar físico, mental e emocional. A função da doula é justamente prestar essa assistência para que a paciente se sinta mais segura em percorrer todo o processo do parto”, analisa o diretor técnico do hospital, Gilberto Nagahama, que conheceu Rosangela há mais de 20 anos, quando ainda fazia residência médica na maternidade. “Ela sempre teve esse cuidado e escuta ativa com as pacientes”.

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