Secretaria Municipal da Saúde

Domingo, 30 de Agosto de 2026 | Horário: 11:00
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O fôlego de quem transforma a dor em vida: a jornada de Edjane na saúde da capital

Interlocutora para aleitamento materno e primeira infância na zona leste, a enfermeira dedica-se promover "bons começos" para as crianças que nascem na região
A imagem mostra um grupo de quatro mulheres reunidas em uma sala, aparentemente durante uma atividade ou encontro de caráter comunitário ou de saúde. Em primeiro plano, uma mulher de óculos, usando blazer escuro, camisa verde e brincos grandes, fala enquanto segura uma pequena tigela ou recipiente. Ao lado dela, uma mulher negra, vestindo conjunto esportivo rosa, preto e branco, segura no colo um bebê que está enrolado em uma manta clara. Ao fundo, outras duas mulheres acompanham a conversa; uma delas usa uma jaqueta clara sobre uma camiseta amarela, enquanto a outra aparece parcialmente à direita, ao lado de um carrinho de bebê. A cena transmite um momento de conversa, orientação ou troca de experiências em um ambiente institucional.

Edjane (à esq.) com grupo de mães em UBS da zona leste (Acervo/SMS)

A vida da recifense Edjane Mércia Ribeiro Bittencourt de Araújo, de 63 anos, é marcada por um paradoxo: tragédias que poderiam ter sido o fim se transformaram no combustível para uma missão dedicada a salvar vidas. Quando tinha 8 anos, um grave acidente de carro em João Pessoa (PB) tirou a vida de sua irmã e de seu pai. Já ela escapou sem nenhum arranhão. Ao ser acolhida em meio às ferragens, olhou ao redor e encontrou a resposta para o seu futuro. “Ali, eu decidi que queria ser como aquelas pessoas vestidas de branco”, conta a enfermeira, atualmente na assessoria técnica da Coordenadoria Regional de Saúde Leste (CRS Leste) da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

Essa vocação encontrou terreno fértil na enfermagem e na educação, pilares que caminharam lado a lado por toda a sua trajetória. Formada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Edjane construiu uma carreira em que cuidar jamais esteve dissociado do ensinar.

Aos 14 anos, decidiu ser voluntária na Santa Casa de Misericórdia do Recife, onde acompanhava de perto a rotina e o trabalho das auxiliares de enfermagem. Após iniciar a jornada profissional pelo antigo Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência), mudou-se para São Paulo no fim dos anos 1980, já mãe de Pablo, o primeiro dos três filhos de seu casamento de 38 anos com Aparecido Araújo - com quem teria, depois, Poliana e Paloma (todos amamentados por mais de um ano). Atuou no Hospital Heliópolis e no Hospital Municipal Dr. Benedicto Montenegro. Nessas unidades, passou por alas críticas como UTI coronária, oncologia de cabeça e pescoço, pronto-socorro adulto e pediátrico, além do acolhimento humanizado a pacientes terminais durante o período mais crítico da epidemia de HIV/Aids. "Eu ficava de quarto em quarto. Muitos partiram segurando a minha mão, então, foi uma época muito triste”, diz.

O retorno às raízes
Cansada de lidar com mortes provocadas por doenças evitáveis, ela decidiu que era o momento de mudar de rumo: “Estava cansada de ver as pessoas morrerem. Queria trabalhar na prevenção”. Com esse propósito, pediu exoneração do cargo federal em 1998 e ingressou na Atenção Primária pelo convênio Santa Marcelina/Prefeitura de São Paulo. Começou a trabalhar como enfermeira na equipe de Estratégia Saúde da Família (ESF) da Unidade Básica de Saúde (UBS) Jardim Copa, em Itaquera.

Foi na zona leste, por sinal, que Edjane fincou raízes, com destaque absoluto para o aleitamento materno e a primeira infância. Amamentada por apenas três meses, ela enfrentou sequelas respiratórias e de saúde ao longo da vida, que hoje associa diretamente à ausência da proteção do leite materno exclusivo. Compreendeu cientificamente e na própria pele o impacto de um bom começo de vida. “O materno-infantil, a parentalidade, o bom começo de vida, eu quero lutar para que as crianças sejam protegidas.” À frente de iniciativas de destaque na rede municipal, Edjane ajuda pessoas como a assistente comercial Sabrina Rosa Severino, mãe de primeira viagem aos 39 anos, que participa do Grupo de Aleitamento Materno Exclusivo (Game) da UBS Vila Chabilândia. “Quando você entra para o grupo, consegue compreender que é totalmente diferente, porque você aprende a ser ensinada. Pra mim, é fundamental, porque é uma rede de apoio”, explica a mãe da pequena Maria Liz, de 4 meses.

Escolhas na trajetória
Fora da jornada de trabalho na Saúde, Edjane atua em outras frentes, como um grupo de apoio a dependentes químicos em Ribeirão Pires, onde mora. Como ela mesma resume sobre a sua trajetória: “Você escolhe o que quer. Ou você afunda com a tua experiência, ou você a usa como um tijolinho para fazer a tua construção. Na minha vida, as coisas que poderiam me afundar me fizeram sobreviver. Tive a oportunidade de fazer escolhas e ser levada por caminhos, mesmo pesados, mas que se tornaram leves e me impulsionaram para uma missão”.

Q+
Longe da correria na Saúde, Edjane gosta de se exercitar, ler, fotografar, fazer artesanato (croché, costura, pintura em tecido) e cuidar das plantas e dos bichinhos da casa (sete calopsitas, dois cachorros resgatados da rua e uma gata). Apaixonada por música, toca violão e adora cantar.

 

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