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Domingo, 17 de Maio de 2026 | Horário: 08:55
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Conheça a história de Taty Lia, enfermeira sênior que transforma vidas na periferia

Profissional arrega uma história marcada por coragem, superação e cuidado

Com orgulho estampado no peito e no uniforme, a enfermeira sênior Tatiana Ferreira, conhecida como Taty Lia, carrega uma história marcada por coragem, superação e cuidado. Ex-metalúrgica, ela encontrou na enfermagem não apenas uma profissão, mas um propósito capaz de mudar sua própria vida e a de centenas de pessoas na periferia da capital paulista.

Em uma celebração na UBS Mitsutani, colegas de equipe se reuniram em clima de homenagem. Entre balões vermelhos em formato de coração, sorrisos e abraços, a cena simboliza o reconhecimento de uma trajetória construída com afeto, dedicação e compromisso coletivo. No centro da foto, Taty aparece cercada pelos companheiros de trabalho, refletindo a força de quem fez da saúde pública um instrumento de transformação social.

A história começou nos anos 1990, dentro de casa. Após uma cirurgia de litíase biliar, sua mãe, dona Lia, precisou de cuidados no pós-operatório. Sem que ninguém se sentisse seguro para realizar os curativos, Tatiana tomou a frente da situação.

“Eu cheguei e fiz o curativo. Naquele momento, uma vizinha olhou para mim e disse: ‘Você nasceu para a enfermagem’”, relembra. Na época, porém, o sonho parecia distante. Filha da periferia, Tatiana cresceu sem perspectivas de acesso ao ensino superior. “Eu sou uma menina como a maioria das meninas negras da periferia. Cresci sem imaginar que poderia fazer uma faculdade”, conta.

A virada veio anos depois, já casada com Adilson, parceiro fundamental em sua caminhada. Juntos, decidiram investir no curso de enfermagem, mesmo diante das dificuldades financeiras. Com muito esforço, Tatiana se formou auxiliar de enfermagem em 2001. Pouco tempo depois, conquistou uma vaga na rede municipal de saúde e iniciou sua trajetória nas UBSs da região do Jardim Ângela, na Zona Sul de São Paulo. “Fui aprovada em 13º lugar e encaminhada para a UBS Horizonte Azul. E foi justamente naquele horizonte que minha vida começou a mudar”, lembra.

Foram 11 anos atuando como auxiliar de enfermagem até receber um incentivo decisivo da própria equipe. “Minha enfermeira sênior insistia: ‘Taty, faz faculdade’". O desafio parecia enorme. Com duas filhas pequenas e uma rotina intensa, Tatiana conciliava trabalho durante o dia, faculdade à noite e estágios aos finais de semana. Mais uma vez, o apoio da família foi essencial.

A persistência abriu novos caminhos. Depois de enfrentar uma reprovação em um processo seletivo, recebeu o convite para trabalhar na instituição parceira onde atua até hoje: o Hospital Israelita Albert Einstein. A ascensão profissional também trouxe reflexões profundas sobre pertencimento e representatividade. Ao perceber que era a única profissional negra da equipe, Tatiana enfrentou momentos de inseguranças até viver um episódio que nunca esqueceu.

“Uma senhora entrou, me abraçou e disse: ‘Fica em paz, que tudo vai dar certo’. Naquele dia, senti como se tivesse recebido um beijo da minha mãe”. Ao longo da carreira, Taty Lia se destacou por iniciativas que fortaleceram vínculos entre a unidade de saúde e a comunidade. Um dos projetos mais marcantes foi a criação de um grupo de caminhada na UBS Mitsutani. “Começamos com uma ou duas pessoas. Quando saí de lá, já eram mais de 100 participantes”.

Ela também liderou ações de conscientização sobre racismo estrutural dentro da unidade, promovendo rodas de conversa e debates sobre discriminação e acolhimento. O impacto de sua trajetória ultrapassou os muros da UBS. Em 2024, Tatiana foi convidada pela Associação Brasileira de Enfermagem de Família e Comunidade (Abefaco) para falar sobre liderança negra nos espaços de cuidado.

Hoje, como enfermeira sênior da UBS Alto do Umuarama, ela vê sua própria história refletida na nova geração, inclusive dentro de casa. Sua filha Izabeli cursa o último ano de odontologia, inspirada pelo exemplo da mãe. “Ser espelho para outras pessoas também é uma conquista”, afirma.

Mesmo diante dos desafios diários da saúde pública, Taty mantém intacto o compromisso que assumiu há mais de duas décadas. "Eu sempre digo que nós somos a alma do sistema de saúde. E até o dia da minha aposentadoria, vou continuar fazendo isso com excelência”. A mensagem que deixa aos colegas e aos novos profissionais resume a essência de sua caminhada: “Vidas podem ser transformadas por causa do nosso cuidado. Então, façam e façam bem-feito”.

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