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Criação: 17/08/26 12:55

Com apoio da Prefeitura, mulheres vítimas de violência encontram no trabalho um caminho para recomeçar

Programa Tem Saída já inseriu mais de 500 mulheres no mercado de trabalho e acompanha vítimas na conquista da autonomia

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A violência pode interromper trajetórias, afastar mulheres do trabalho e comprometer a autonomia financeira. No Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização pelo fim da violência doméstica e familiar contra a mulher, a Prefeitura de São Paulo reforça iniciativas que ajudam essas mulheres a reconstruir a própria vida, com segurança, renda e oportunidades de recomeço. É nesse caminho que atua o programa Tem Saída, que oferece inserção no mercado de trabalho a mulheres que passaram por situações de violência doméstica e são atendidas pela rede municipal de proteção.

Para preservar a identidade e a segurança das mulheres e de suas famílias, os nomes das personagens foram omitidos e são identificados apenas pelas iniciais. As histórias, no entanto, ajudam a mostrar como o acesso ao trabalho pode ser decisivo para a retomada da autonomia. Uma dessas histórias é a da produtora de eventos F., de 43 anos. Depois de viver um ciclo de violência durante o casamento, quando morava em outro Estado, ela retornou à capital paulista para reconstruir a própria vida ao lado das três filhas pequenas. Enquanto buscava estabilidade financeira, recorreu a trabalhos temporários para garantir o sustento da família.

A mudança começou quando F. recebeu a orientação para procurar o Centro de Referência e Cidadania da Mulher, equipamento da Prefeitura que oferece acompanhamento jurídico, psicológico e social. Durante o atendimento, ela também foi cadastrada no Tem Saída por meio do Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo (CATE) https://cate.prefeitura.sp.gov.br/, serviço disponível em todas as unidades.

Quando entrou no programa, F. enfrentava dificuldades financeiras e a insegurança provocada pelo período afastada do mercado formal. Alguns meses depois, foi encaminhada para uma oportunidade na São Paulo Fashion Week, em outubro do ano passado, para trabalhar na sua área, em produção de eventos, na função de staff.

“Cheguei ao programa Tem Saída com baixa autoestima, desacreditada de que poderia conseguir um emprego com aquela idade. Até que me enviaram uma vaga para o São Paulo Fashion Week e comecei a trabalhar com eles no mesmo mês do processo seletivo”, afirma.

Mais do que a oportunidade profissional, a experiência permitiu que ela convivesse com outras mulheres que também haviam passado por situações semelhantes. O ambiente de trabalho se tornou também um espaço de acolhimento e troca.

“Dentro do evento, as pessoas tinham todo um cuidado conosco que estávamos ali por meio do programa Tem Saída. As salas eram bem acolhedoras e eu dividia o espaço com outras mulheres que passaram pela mesma situação. Foi bom porque dávamos forças umas para as outras e saber que não estava sozinha me fez ficar mais forte”, relata.

A agente de busca ativa escolar G., de 32 anos, também encontrou no trabalho uma possibilidade de retomar a própria vida. Ela viveu durante anos um ciclo de violência em seu relacionamento conjugal, até encontrar ajuda em uma unidade de saúde onde a filha recebia atendimento. Naquele período, enfrentava dificuldades financeiras.

O atendimento no Centro de Referência a Mulheres em Situação de Violência (CRMs), com suporte psicológico e assistência jurídica, foi importante para que ela começasse a mudar essa realidade. G também foi cadastrada no Tem Saída para voltar ao mercado de trabalho e hoje atua no Programa Operação Trabalho (POT), também da Prefeitura.

“Houve momentos de abrir o armário da cozinha e não ter o que oferecer para minha filha. Foram dias difíceis, fazia alguns trabalhos informais para nos sustentar, quando me cadastraram no programa Tem Saída. Naquele momento senti a esperança voltar. Agora estou trabalhando em uma escola, o ambiente é muito acolhedor. O meu sorriso até voltou e a minha vida está mais alegre. Agora consigo comprar o alimento que a minha filha gosta e isso é muito importante”, contou.

De 2021 até julho de 2026, o Tem Saída contabilizou 1.483 atendimentos a mulheres vítimas de violência e contribuiu para a inserção de 500 delas no mercado de trabalho. O acesso ao programa ocorre mediante ofícios expedidos por órgãos como Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Justiça, Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania e Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social.

As oportunidades são disponibilizadas pelo CATE, serviço da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, em parceria com empresas que se comprometem a oferecer um ambiente profissional seguro, estável e livre de discriminação.

O acompanhamento não termina com a contratação. Desde a entrada no programa, a mulher é monitorada tanto no período anterior à contratação quanto após a efetivação. O objetivo é acompanhar sua adaptação ao trabalho e sua trajetória, contribuindo para que tenha condições de romper com o ciclo de violência e conquistar maior independência.

Para a psicóloga e gestora do Tem Saída, Luciana Gandelman, a oportunidade de trabalho sinaliza a possibilidade de uma mudança de trajetória para essas mulheres.

“O programa pode representar um verdadeiro ponto de transformação na vida das mulheres que viveram e enfrentaram a violência. Ao oferecer a oportunidade de inserção no mercado de trabalho, o programa contribui para que essas mulheres conquistem autonomia financeira, confiança e independência, elementos fundamentais para que possam romper o ciclo da violência”, afirma.

Uma rede para recomeçar

Para mulheres que enfrentam um ciclo de violência, a reconstrução da vida envolve necessidades que vão além da inserção profissional. Ter um lugar seguro para morar, garantir proteção e assegurar o sustento dos filhos são parte desse processo. Por isso, a Prefeitura mantém também iniciativas voltadas à moradia e ao amparo de crianças e adolescentes que perderam suas mães ou responsáveis legais vítimas de feminicídio.

Auxílio Aluguel

Auxílio Aluguel, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, oferece suporte financeiro temporário para que mulheres vítimas de violência doméstica possam alugar uma moradia segura. 

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